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Green Circle 2.0: sustentabilidade em toda a linha

O espaço Green Circle, dedicado à moda sustentável e promovido pelo CITEVE, apresentou um novo conceito na mais recente edição do Modtissimo, passando a contemplar mais empresas e a integrar também a confeção para mostrar, aquém e além-fronteiras, as credenciais verdes de toda a indústria portuguesa.

Cristina Castro, António Braz Costa, Carla Silva, Ana Tavares e Paulo Gomes

Com 42 coordenados apresentados, o novo Green Circle deixou para trás a versão anterior, onde uma empresa cedia materiais e um designer fazia a criação do coordenado, para nesta 5.ª edição da iniciativa juntar materiais de várias empresas, vários jovens designers e uma empresa de confeção na concretização dos modelos, que foram apresentados no Modtissimo.

«Fizemos uma mudança quase estrutural, até chamámos 2.0 a esta 5.ª edição. Primeiro, começou por nós próprios irmos às empresas fazer a escolha das matérias-primas, para que haja uma maior diversidade e para que o espectro seja muito mais alargado nas soluções que eles têm disponíveis», explica Paulo Gomes, curador do Green Circle. «Depois os materiais foram trabalhados por grupos, ou seja, em vez de termos aquela identidade de um coordenado com uma empresa e um designer, criámos grupos de jovens, com coordenadores mais seniores e eu, que supervisionei tudo. Incluímos também a parte da confeção, que até à data não tínhamos, para mostrar, no fundo, todo o sector como um conjunto, para representar Portugal como tendo uma oferta sustentável para todo o tipo de soluções, sejam têxteis-lar, moda ou desporto», acrescenta.

Esta versão melhorada e expandida do Green Circle é ainda resultado de uma maior apetência pela sustentabilidade por parte das empresas. «Se compararmos esta edição do Green Circle com a 1.ª edição, as diferenças são enormes e, sobretudo esta, que já é o produto de uma alteração de metodologia, tendo em conta a dimensão que a sustentabilidade assumiu dentro do sector. O número de empresas que estão envolvidas a sério na questão da sustentabilidade e da procura da participação no Green Circle é completamente diferente. Na 1.ª edição, pedimos às empresas para participar por favor, agora tivemos que encontrar forma de incluir mais empresas para dar resposta à demanda que tínhamos», afirma António Braz Costa, diretor-geral do CITEVE.

Mais de 100 players, entre empresas produtoras de materiais, jovens designers e confeções, estiveram envolvidas nesta edição do Green Circle, resultando num «showcase bastante vasto e representativo de tudo o que está a ser feito no sector», considera Paulo Gomes, sempre com o foco em «roupa vestível, que crie uma imagem, que crie impacto e que, de facto, faça a captação de novos clientes para esta questão da sustentabilidade», sublinha o curador.

Uma seleção abrangente

Ana Tavares, coordenadora da agenda estratégica para a sustentabilidade e economia circular do CITEVE, foi uma das responsáveis, juntamente com Paulo Gomes, pela seleção dos materiais usados neste Green Circle. «Se voltarmos à 1.ª edição do Green Circle, focou-se muito na questão do algodão orgânico, do poliéster reciclado e, mais recentemente, no algodão reciclado. Nós tentamos trazer coisas diferentes e, quando digo diferentes, é que utilizam não só matéria-prima reciclada ou orgânica, mas também que o processo produtivo seja diferente», esclarece. Além disso, «o critério para a seleção destas amostras e destas empresas em específico passa um bocadinho pela questão da certificação. Tentamos procurar empresas que tenham algumas certificações na área ambiental, social, o que em Portugal já é uma realidade muito presente e, portanto, não é difícil. Depois, procurar que, quando são coisas muito fora da caixa, sejam comprovadas, de alguma forma, por testes de laboratório ou projetos em que as empresas estejam efetivamente envolvidas com outros parceiros, o que no fundo dá credibilidade aos desenvolvimentos», aponta.

Entre os materiais apresentados, Carla Silva, diretora do departamento de química e biotecnologia do CITEVE, destaca «o projeto do linho produzido em Portugal pelos métodos tradicionais», assim como «a inclusão de aditivos na própria síntese e extrusão dos polímeros sintéticos para que a sua biodegradabilidade aumente, mas não por indução química. Ou seja, até ao momento há aquela biodegradabilidade química que acelera a degradação, mas neste caso é um aditivo que, de alguma forma, estimula o crescimento de microrganismos que vão reconhecer a matéria-prima que ele pode utilizar como fonte de carbono para o seu crescimento e, portanto, faz um processo de biodegradação natural e mais rápido, sem gerar microplásticos».

Um mundo novo de possibilidades que serão apresentadas internacionalmente, já que o Green Circle está em viajem, como habitualmente, para feiras internacionais, como é o caso da Momad. «O feedback sempre foi muito positivo, as pessoas valorizam o conceito, mostram-se deveras interessadas pelas soluções, aprovam a forma como procuramos divulgar o que o sector faz na área da sustentabilidade, mas acredito que com a mudança que fizemos para esta 5.ª edição, o impacto junto de outras empresas e nos países da Europa onde o projeto deverá ser exibido será ainda superior», antecipa Cristina Castro, relações públicas do CITEVE.