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Green Circle prepara nova edição

O showcase, que pretende destacar Portugal como um produtor de moda ambientalmente responsável, abriu as candidaturas para uma nova edição. Até 15 de julho, as empresas interessadas poderão submeter as suas propostas para o fórum que se estreará no Modtissimo e percorrerá depois diversas feiras europeias.

Nuno Oliveira/Portugal Têxtil
Paulo Gomes, Cristina Castro e António Braz Costa

Através do formulário disponibilizado online, a iniciativa do CITEVE em parceria com a ASM – Associação Selectiva Moda e a colaboração de Paulo Gomes estará nas próximas duas semanas a acolher candidaturas de empresas portuguesas que produzam artigos com conteúdo relevante ao nível da sustentabilidade e/ou economia circular. Fibras, fios, linhas, cordas, tecidos, malhas, não-tecidos, peças de vestuário, têxteis-lar e outros artigos confecionados são alguns dos produtos que poderão ser submetidos, com um limite até quatro por empresa.

Esta será a terceira edição do iTechStyle Green Circle, que foi inicialmente apresentado em 2018 e tem tido uma edição anual, e nos últimos tempos abriu o seu escopo para abranger também o desporto e os têxteis-lar. «Decidimos alargar o conceito e fazer, no fundo, três coleções: uma coleção orientada para a moda, uma coleção orientada para o desporto e uma coleção orientada para os têxteis-lar. O princípio é o mesmo: recolher materiais das empresas portuguesas que tenham diferenciais positivos de sustentabilidade e com essas peças convidar designers ou, no caso do desporto e dos têxteis-lar, as próprias empresas, a desenvolver produtos que possam ser apresentados», revelou em fevereiro António Braz Costa, diretor-geral do CITEVE, ao Portugal Têxtil.

Entre os critérios, que podem ser consultados no website do centro tecnológico, estão as características comprovadas dos produtos ao nível da sustentabilidade e economia circular, o grau de diferenciação e inovação e a criatividade na apresentação do produto. «Os artigos selecionados poderão ser apresentados no iTechStyle Green Circle na forma em que forem propostos pela empresa candidata ou aplicados em produtos a desenvolvidos por designers convidados pelo CITEVE/Paulo Gomes para o efeito», referem as condições.

Correr mundo

A primeira apresentação deste terceiro iTechStyle Green Circle – Sustainability Showcase será realizada na próxima edição do Modtissimo, agendada para 23 e 24 de setembro na Alfândega do Porto. A ideia é que, à semelhança de outros anos, esta mostra percorra alguns dos principais palcos internacionais da indústria têxtil e vestuário, como a Première Vision Paris, a ISPO Munich ou a Neonyt.

Foto: Nuno Oliveira
Manuel Serrão

«Sustentabilidade e responsabilidade são dois conceitos que se aplicam bem à indústria portuguesa», explicou, ao Portugal Têxtil, Manuel Serrão, CEO da ASM, durante a apresentação da última edição do Green Circle na Première Vision Paris. «Há uma ideia de afirmar Portugal como um país onde a moda sustentável tem, não digo a sua origem, mas um porto seguro. Onde é possível os compradores de todo o mundo encontrarem produtos sustentáveis numa indústria que já tem uma tradição de qualidade», acrescentou.

«Gostava que, da mesma maneira que Itália ganhou o epíteto do grande país da moda, Portugal, a médio prazo, ganhasse o epíteto do grande país da produção sustentável e responsável. Tenho essa ambição. Se lá vamos conseguir chegar ou não, não sei. Agora sei que, em tudo o que depender de nós, o CITEVE vai fazer tudo para conseguir posicionar Portugal como uma referência na área da sustentabilidade têxtil», assumiu na mesma altura António Braz Costa.

A fasquia para esta edição está ainda mais elevada, até porque, confessou na última edição Cristina Castro, relações públicas do CITEVE, «estamos constantemente a pôr em causa o nosso trabalho, a forma como comunicamos e como fazemos as coisas. Estamos já a pensar na próxima edição e a ver como podemos melhorá-la, porque é claramente para melhorar. É dinâmico, estamos sempre a evoluir». Além disso, sublinhou Paulo Gomes, trata-se de trabalhar na mudança de paradigma na moda, que está a evoluir para uma versão mais sustentável do negócio e dos produtos, que se tem refletido nas propostas das empresas portuguesas, e, como tal, «é um processo que não vai acabar. Temos vários caminhos em frente sob o mesmo paradigma, agora temos de apurar qual é o melhor caminho, o que é mais eficaz para as empresas e para chegar junto do consumidor de forma assertiva».