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Greenwashing prolifera no retalho online

Muitas das alegações "verdes" em websites de empresas são exageradas, falsas ou potencialmente ilegais, de acordo com um recente estudo do comércio eletrónico realizado pela União Europeia e autoridades nacionais de proteção do consumidor.

[©Freepik]

À medida que os consumidores exigem produtos mais ecológicos, o número de credenciais ambientais utilizadas pelas empresas está a disparar e, com isso, o greenwashing, para atrair os compradores. Ao analisar, em novembro de 2020, as virtudes “verdes” apregoadas principalmente por lojas online e também algumas plataformas de comércio eletrónico, a Comissão Europeia e autoridades nacionais concluíram que o problema era generalizado.

O estudo analisou 344 alegações de sustentabilidade «aparentemente duvidosas» feitas online por empresas, a maioria das quais dos sectores têxtil e vestuário, de cosmética e cuidado pessoal e de equipamentos para a casa. Em 42% dos casos, as autoridades nacionais tinham razões para acreditar que a revindicação era falsa, enganosa e potencialmente uma prática comercial desleal ao abrigo da legislação da UE.

Na maior parte dos casos, o comerciante não oferecia, aos consumidores, informações suficientes para avaliar a veracidade da alegação, enquanto 37% dos casos usavam vocábulos vagos. «Termos como ecológico, orgânico e amigo do ambiente são frequentemente usados, sem provas» indica a autoridade para mercados e consumidores dos Países Baixos (ACM), citada pela Reuters. Esta entidade pode multar empresas que façam alegações de sustentabilidade falsas ou enganosas, refere.

Separar o joio do trigo

O comissário da UE para a Justiça, Didier Reynders, admite que enquanto algumas empresas se esforçam por fabricar produtos amigos do ambiente, outras «enganam os consumidores com afirmações vagas, falsas ou exageradas». A Comissão Europeia não revelou os nomes das empresas rastreadas, mas garantiu que as autoridades nacionais vão recolher todas as citações preocupantes e assegurar que sejam retificadas.

[©Pexels]
Johnny White, advogado da instituição de solidariedade ambiental ClientEarth, afirma que o greenwashing não se limita ao sector de bens de consumo. «Grandes empresas com práticas empresariais prejudiciais para o meio ambiente, como negócios de combustíveis fósseis, estão a despender avultadas somas em publicidade reputacional… para mascarar o seu impacto ambiental», explica.

As conclusões deste estudo também servirão como informação para a próxima legislação da UE, que deverá ser proposta este ano e poderá incluir requisitos mínimos obrigatórios para logótipos de sustentabilidade e requisitos para as empresas fornecerem informações sobre as credenciais ambientais de um dado produto, ajudando assim a erradicar o greenwashing.