Início Arquivo

Guatemala aposta na produção integrada – Parte 2

“Na Liz Claiborne, gostamos de emitir apenas a nota de encomenda e o cheque de pagamento, deixando todo o restante processo a cargo dos nossos fornecedores”, afirma Kirkor Balci, vice-presidente de compras e produção daLiz Claiborne Inc..

O mesmo responsável adianta ainda que as ordens de compra dos retalhistas estão a chegar cada vez mais próximas da respectiva estação, de forma a que a rapidez de resposta da cadeia de produção implica um estreito trabalho em parceria.

“O ciclo de tempo desde o desenvolvimento do produto, passando pela produção, e até à sua distribuição, é da responsabilidade tanto do fabricante, como do retalhista, e por isso a melhor solução é a cooperação, devendo os fabricantes trabalhar também em colaboração com os fornecedores de tecidos e acessórios e ao mesmo tempo investirem em I&D, para criar novos tecidos e acabamentos”, prossegue Kirkor Balci.

Por seu lado, Joshua Ramazzini, director demerchandising do fabricante de roupa interiorGrupo Indurasa, realça o facto de, apesar da sua empresa oferecer programasfull package, a maioria destes serviços são assegurados pela unidade localizada na Colômbia.

“Não é rentável oferecer um pacote de serviços deste tipo para alingerie fabricada na Guatemala, pois existem aqui poucos fornecedores dos materiais que nós necessitamos”, explica o mesmo responsável, que adianta ainda que a empresa compra a maior parte das matérias-primas ao Brasil, Colômbia e México, tendo deslocado também o seu departamento de desenvolvimento de produto para a Colômbia.

AIndurasa começou a oferecer estes programas de produção para os Estados Unidos há cerca de dois anos, e Joshua Ramazzini calcula que 75% dos 28-32 milhões de peças vendidas a clientes como aVanity Fair,Hanes,J.C. Penney eReebok em 2003 já tenham incorporado o valor acrescido do design na sua produção, lembrando que os prazos de entrega dos artigos no mercado norte-americano, a partir da Guatemala, rondem os 22 dias, em comparação com os 15 dias do México e os 65 dias das encomendas oriundas da China.

A proximidade geográfica e os reduzidos prazos de entrega nos Estados Unidos têm atraído um significativo volume de investimento estrangeiro na Guatemala, em especial da parte das empresas do Extremo Oriente.

Segundo a Vestex, 70% dos fabricantes da Guatemala registam investimento de capital de empresas da Coreia do Sul, em contraponto aos 23% de capital exclusivamente nacional e os 6% que são financiadas por investidores do continente americano.

Outra empresa que tem apostado neste modelo de produção é aShin Won, fabricante de T-shirts, pólos e camisas em algodão, que através da sua filial guatemalteca tem adoptado uma produção integrada, desde 1997.

Em 2003, esta e empresa registou vendas de 90 milhões de dólares, empregando 3.000 pessoas e produzindo 120.000 peças por dia, 85% das quais são exportadas para os Estados Unidos, onde conta com clientes como aGap,Kmart eWal-Mart.

Tony Kang, presidente desta empresa, acredita que “as empresas com este modelo têm mais para oferecer aos clientes e os clientes americanos procuram cada vez mais fornecedores deste tipo na Guatemala”.

“Após 2005, muitas ordens de encomenda podem deslocar-se para o Extremo Oriente, mas a nossa perspectiva é de que muito dodesign de moda vai permanecer aqui na Guatemala”.

AShin Won é verticalmente integrada, possuindo desde a fiação e tinturaria, ao corte, costura, estamparia e acabamento, usando 80% de algodão oriundo dos Estados Unidos, embora 70% do total dos tecidos utilizados seja importado do Extremo Oriente.

Embora a indústria têxtil da Guatemala seja relativamente desenvolvida no que respeita à produção de tecidos de algodão, mistura de algodão e fibras artificiais, as importações ainda constituem a maior parte dos tecidos usados na produção de vestuário, o que acontece porque, para as empresas do país poderem exportar para os E.U.A. ao abrigo do acordo CBTPA, estas têm que recorrer a tecidos oriundos deste país, ou feitos a partir de fios de origem norte-americana.

Segundo um responsável daSAE International, outra empresa sul-coreana com produção verticalizada e que fabrica diariamente 120.000 artigos para clientes como aGap,Target,Wal-Mart eLiz Claiborne, “os tecidos americanos são caros”.

“Mesmo tendo em conta os impostos e taxas aduaneiras, os preços asiáticos são bastante competitivos, e cerca de dois terços dos tecidos que utilizamos provêm do Oriente, pelo que não vantagem para nós em comprar aos Estados Unidos”.

O preço é outra questão que se coloca neste contexto.

“No futuro próximo, os fabricantes terão que adoptar técnicas debenchmarking e produzir artigos mais baratos – há uma diferença de 50% no preço de uma T-shirt entre a América Central e a China”, adianta Ted Leib, daAMC.

A Guatemala possui uma força de trabalho relativamente bem preparada, mas também tem custos de produção mais elevados do que outros países da região centro-americana.

O salário médio diário no sector do vestuário da Guatemala é de 5,11 dólares, em comparação com 1,94 dólares na Nicarágua 11,28 dólares na Costa Rica, de acordo com dados regionais.

Ainda Segundo a Comissão dos Têxteis e Vestuário, o salário mensal mais elevado em 2003 era de 1.300 dólares, apesar de empresas como aShin Won afirmarem pagar mais 50% do que o ordenado mínimo, que se cifra nos 224 dólares mensais.