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Gucci em liquidação

A casa de moda italiana está a oferecer promoções nas suas lojas em território chinês, pretendendo liquidar o merchandising concebido pela anterior diretora criativa da marca, atraindo consumidores nacionais, que se alinham à porta das lojas desde o nascer do sol.

As vendas, que se iniciaram no dia 27 de maio, são uma prática comum do final da temporada e não estão relacionadas com a decisão do governo chinês de diminuir as taxas aplicadas a alguns produtos de importação, adiantou um porta-voz do grupo Kering.

Marco Bizzarri, diretor-executivo da marca italiana, está a acelerar os esforços de reposição da marca, face à procura decrescente assinalada no mercado asiático. No início de 2015, Alessandro Michele foi promovido a diretor criativo da marca, substituindo Frida Giannini.

A primeira coleção do designer chegará às lojas no final de 2015. «Bizzarri está a liquidar o inventário da coleção anterior e a Gucci está ansiosa por virar a página de Frida Giannini», acredita Luca Solca, analista da Exane BNP Paribas. «A Gucci precisa de uma nova direção e alguma correção – considero isso inevitável», acrescentou.

Os descontos coincidem com a diminuição das taxas à importação aplicadas em alguns produtos de vestuário, calçado e produtos de cuidados com a pele em cerca de 50%, em média, a partir de 1 de junho, procurando estimular o consumo doméstico. A Gucci segue, simultaneamente, a tendência de outras casas de luxo, como a Chanel, que optam por reduzir os preços em território chinês devido ao enfraquecimento do euro. Cerca de 50 pessoas faziam fila à porta de uma loja da Gucci no centro comercial Centro Financeiro Internacional em Xangai antes do horário de abertura do espaço.

Em primeiro lugar estava Meng Linghao, que aguardava desde as seis horas da manhã. «Os descontos aqui colocam os preços mais ou menos em linha com os de Hong Kong», afirmou o jovem de 26 anos, que saiu da loja pouco depois da sua abertura. As promoções atuais «são semelhantes às de anos anteriores e não estão relacionadas com a decisão recente do Ministério das Finanças», sublinhou um porta-voz da Gucci.

Recusou-se, no entanto, a confirmar a duração do período de promoções na China ou em outros países, afirmando que a duração é variável, estando dependente das políticas e normas locais. Diversas empresas, como a Chanel e o Burberry Group Plc., ajustaram os seus preços nos últimos meses, em resultado da ampliação da lacuna entre os preços dos itens vendidos na China e na Europa, levando os consumidores chineses a adquirirem no exterior.

O euro caiu mais de 9% face ao yuan e ao dólar este ano. «As flutuações cambiais têm criado lacunas de preços insustentáveis entre a Europa e a Ásia», afirmam os analistas do grupo financeiro Nomura Holdings. O grupo Kering anunciou em abril a intenção de reequilibrar alguns preços, acrescentando que cada alteração terá de ser analisada individualmente. No último trimestre, a Gucci registou o desempenho mais fraco dos últimos cinco anos.