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Gucci vence Guess

Uma juíza americana estabeleceu que a Gucci pode recuperar apenas 4,66 milhões de dólares (3,71 milhões de euros) no processo em que acusa a retalhista de vestuário Guess Inc de copiar os seus designs registados, uma pequena parte dos mais de 120 milhões de dólares que a empresa italiana de artigos de luxo pretendia. A juíza do tribunal distrital Shira Scheindlin determinou que embora a Guess tenha infringido algumas marcas registadas, a Gucci não tem direito a compensações refletindo perda de vendas ou prejuízos para a sua marca, chamando à análise do especialista em prejuízos «altamente especulativa». Também concedeu à Gucci, pertencente ao grupo francês do luxo PPR, uma injunção permanente contra o uso de três de quatro dos designs disputados pela Guess. A compensação reflete o lucro de artigos específicos onde as marcas registadas da Gucci foram infringidas. A Gucci acusou a Guess de tentar «Gucci-zar» a sua linha de produtos, ao vender carteiras, cintos, calçado e outros artigos cujos designs foram copiados ou eram imitações dos seus. Alegou que isso confundia os consumidores e diluía o valor da sua marca. A Gucci incriminou a Guess de alegadamente infringir quatro designs: as riscas verde-vermelho-verde, o “G quadrado” estilizado, um grupo de quatro “G’s” interligados conhecidos como “Quattro G” e um logótipo. Todos menos o último estão cobertos pela injunção. Paul Marciano, CEO da Guess, afirmou em comunicado que o julgamento mostrou que a Gucci «exagerou» e «enganou o tribunal com vários factos que não foram suportados por provas».«No geral, estamos extremamente satisfeitos e convencidos que este caso nunca deveria ter sido apresentado», acrescentou Marciano. Os restantes intervenientes – representantes da Gucci e da outra arguida, a Footwear LLC (que a juíza condenou a pagar parte da compensação) – não prestaram declarações. A Gucci, fundada em 1921, é uma das muitas empresas de artigos de luxo que processa alegados imitadores. Scheindlin analisou o julgamento sem júri do caso, que durou três semanas, resultando no acórdão de 104 páginas divulgado na semana passada.«Nos últimos três anos, as partes colocaram inúmeras horas e gastaram uma grande soma de dinheiro ao serviço da moda – o que Oscar Wilde chamou adequadamente “uma forma de fealdade tão intolerável que temos de a mudar a cada seis meses”», escreveu a juíza. Na sequência da sua decisão, Scheindlin fez votos para que «essa fealdade fique limitada à passerelle e às lojas, em vez de estar nos tribunais».