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Guia prático para normas europeias

A União das Indústrias Têxteis (UIT) e a União das Industrias de Vestuário (UIV), acabam de publicar um guia prático para a utilização das normas europeias, realçando o facto da palavra de ordem no sector têxtil e vestuário francês ser a normalização, ou seja, a utilização de métodos de ensaio fiáveis para medir as propriedades de um tecido ou de uma peça de vestuário.

Efectivamente estas duas organizações criaram nestes últimos anos um gabinete de normalização comum, tendo acordado em 1998 uma tabela de normalização, sublinhando que «a noção de norma parece ser uma das vias de salvação para este sector, de maneira a resistir às pressões do mercado».

O guia é fruto do trabalho, estudos e reflexões comuns destes últimos anos. «Nós queremos convencer as empresas do seu interesse em utilizar as normas, pois é uma forma de melhor comunicar entre elas e valorizar os seus produtos», realça André Bonnaille, responsável pela normalização na UIT.

Vendido a um preço relativamente baixo, cerca de 6000 escudos, o guia permite a um fabricante entender, de uma forma muito simples, diversas normas europeias, algumas especificamente francesas, apresentadas com grande cuidado de fácil divulgação.

«Trata-se de trazer uma ajuda ás empresas que só possuem um menor conhecimento do assunto, mas não é um guia técnico», explica Robert Biguet, administrador delegado da Asqual- Associação Qualidade, organismo criado no início dos anos 80 pelos centros técnológicos, nomeadamente do vestuário, têxtil e acabamentos têxteis.

Acrescente-se que estas normas são agrupadas em dez categorias, designadamente solidez das cores nos tecidos, confeccionabilidade, acabamentos, conforto, reacção ao uso, etc, e cada ficha apresentando em três pontos o objectivo pretendido, a exploração de resultados e o princípio da realização.

Exemplificando, relativamente á proporção dimensional, o objectivo é determinar as variações de dimensão, em comprimento e largura, depois da lavagem, limpeza a seco ou passagem a ferro, sendo os resultados apresentados em percentagens, +3%,-2%, por exemplo. Finalmente, a ficha determina que o tecido ou a peça de roupa é inicialmente medido e marcado, depois lavado a seco segundo o processo escolhido, e depois é novamente medido. O preço de uma norma situa-se entre os 6000 e os 9000 escudos, não tendo as mesmas nenhum carácter regulamentar, não sendo a sua utilização de todo obrigatória.

Em caso de litígio, os tribunais vão se referir à norma e aos resultados do ensaio. No caso de um empresa de tecelagem ou um industrial de vestuário desejarem utilizar a norma, deverão comprá-la à Afnor- agência francesa para a normalização, efectuar os respectivos ensaios no laboratório próprio ou num laboratório exterior, e podem seguidamente divulgar os resultados aos seus clientes. Refira-se que, até agora, os fabricantes que anunciavam os seus produtos com determinadas propriedades, não falavam uma linguagem única, pois não dispunham realmente de elementos de medida dessas propriedades. Acrescente-se que, nalguns sectores como nos tecidos «easy-care» ou nos anti-bacterianos, os métodos de ensaio são extremamente recentes, ou ainda em fase de finalização.