Início Destaques

Guimarães no epicentro da casa

Com o dobro dos compradores, a 2.ª edição da Guimarães Home Fashion Week arrancou em força para as 32 empresas expositoras. Pelos corredores e quartos da Pousada de Santa Marinha ou em visitas a empresas como o Moretextile e a Fateba, os têxteis-lar “made in Portugal” estão a mostrar todo o seu valor.

Vieram do Japão, Rússia, EUA, Austrália, Nova Zelândia e de vários pontos da Europa e estão em Guimarães para conhecerem de perto as empresas portuguesas de têxteis-lar que estão reunidas na Guimarães Home Fashion Week, organizado pela Associação Home From Portugal com o apoio da Aicep.

«As missões inversas que realizámos deram muito resultado, mas não podíamos fazer 40 missões inversas por ano. Chegámos à conclusão que era melhor juntar as missões inversas todas e fazer uma missão inversa coletiva», explicou ao Portugal Têxtil João Mendes, presidente da Associação Home From Portugal.

JPS

Na segunda edição do evento, o número de compradores duplicou face à estreia, que teve lugar no ano passado, e passou de 56 para 138, vindos dos cinco continentes. «É importante dizer que há muita gente de países longínquos, nomeadamente do Japão, da Rússia, dos EUA e de outros mercados que vieram a suas expensas, porque souberam que se ia realizar a segunda edição e nem sequer nos pediram apoio em termos de suporte financeiro», referiu Maria Alberta Canizes, também da Associação Home From Portugal. O motivo, apontou, prende-se com «ter o privilégio de ter 32 empresas só para eles durante dois dias».

Um privilégio que empresas como as francesas Printemps e Monoprix não quiseram perder, mas também não faltaram compradores de outros pontos do globo. «Já tivemos alguns contactos, algumas coisas boas», contou João Paulo Silva, gerente da JPS, presente na Guimarães Home Fashion Week pela segunda vez. «O cliente que vem [a esta iniciativa], vem para comprar ou pelo menos para fazer consultas – é uma abordagem diferente», referiu.

Mesmo as estreantes, como a Rosacel – que está a dar os primeiros passos numa estratégia de internacionalização que pretende expandir os mercados da empresa – mostraram-se agradadas com os resultados do primeiro dia. «Correu muito bem, acima do esperado», afirmou João Ferreira, responsável comercial da Rosacel, ao Portugal Têxtil, confirmando ainda a panóplia de nacionalidades presentes. «Estiveram aqui visitantes desde o Japão, Rússia, Holanda, EUA…», enumerou.

Ligação direta

Além da exposição, o programa da Guimarães Home Fashion Week contempla ainda a visita a empresas do sector e neste primeiro dia, a imprensa internacional – com jornalistas de diversos mercados – estiveram no grupo Moretextile e na Fateba.

Moretextile

«A indústria portuguesa tem uma limitação, que é muitas vezes a incapacidade de comunicar. Por isso, é muito importante que se consiga isso e estas visitas, que trazem cá meios de comunicação de outros países, são muito importantes», declarou Artur Soutinho, CEO do Moretextile, ao Portugal Têxtil, no final da visita.

Antes, os jornalistas percorreram os dois showrooms – um pensado para os clientes europeus, um segundo com o mercado americano em mente –, onde puderam conhecer as novidades da empresa, com Isa Rodrigues, responsável de inovação e diretora de qualidade, como cicerone, a mostrar os artigos com a tecnologia Dynamic Color, com pigmentos termcromáticos, que mudam de cor com a temperatura, a toalha de praia All In, maior para albergar toda a família, ou ainda a aplicação do fio sustentável Eco Heather, produzido pela fiação do grupo, a Tearfil, em produtos como mantas. «Temos de competir com novas tecnologias, inovação e design industrial», sublinhou Artur Soutinho, na apresentação institucional da empresa.

Fateba

Se os showrooms do Moretextile impressionaram, o mesmo aconteceu com a produção da a Narciso Pereira, Mendes & Herdeiros, conhecida pela marca Fateba. António Leite, diretor comercial, fez o tour pela empresa especialista em roupa de mesa (ver Fateba na guerra da qualidade), da tinturaria à tecelagem, com passagem pela confeção.

Os quase 70 anos da empresa familiar suscitaram a curiosidade dos jornalistas, que se demoraram a ver cada processo industrial realizado dentro de portas, com especial destaque para os 30 teares, dois dos quais recém-chegados à empresa, num investimento de 250 mil euros.

Fateba

«[A Guimarães Home Fashion Week] é uma aposta segura para o futuro», acredita o diretor comercial da Fateba. «Temos de trazer mais gente e, espero não estar enganado, mas dentro de cinco a oito anos, esta será uma grande feira, porque estamos no meio da indústria têxtil portuguesa, sobretudo de têxteis-lar, e faz todo o sentido termos uma feira destas no nosso meio. Precisamos é que os nossos governantes olhem de outra maneira para esta iniciativa», afirmou António Leite ao Portugal Têxtil, no final da visita.

Para já, há ainda mais um dia de Guimarães Home Fashion Week este ano – amanhã os expositores continuam na Pousada de Santa Marinha e serão visitadas as empresas Têxteis Penedo e Mundotêxtil – e já há datas para o próximo ano, com a iniciativa agendada para 26 a 28 de junho de 2018.

«A grande preocupação da associação e do projeto é descobrir novos mercados, é levar as empresas para mercados com potencial económico, que procurem qualidade média-alta, e onde é mais difícil elas irem sozinhas», resumiu Maria Alberta Canizes.