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Há bom algodão no Alqueva

O Citeve ( Centro Tecnológico das Industrias Têxtil e do Vestuário de Portugal), o INIA-EAN ( Instituto Nacional de Investigação Agrária – Estação Agronómica Nacional ) e o COTR (Centro Operativo de Tecnologia de Regadio) realizaram nas instalações deste ultimo, em Beja, um colóquio subordinado ao tema «A qualidade das ramas de Algodão produzido no Alentejo no ano 2000» relativo aos resultados do programa PEDIZA I. O Eixo Prioritário – Desenvolvimento Integrado da Zona de Alqueva (PEDIZA) insere-se no QCA III para o período de 2000 a 2006, no âmbito do qual foi aprovado o Programa Operacional Regional do Alentejo, tendo como objectivo dinamizar e apoiar um novo modelo de desenvolvimento agrícola na zona de influência do empreendimento de fins múltiplos do Alqueva. «Aumentar a cadeia de valor da fileira Têxtil através do cultivo nacional do Algodão, com a possibilidade de fortalecer a integração do processo desde a rama do algodão, passando pela concepção, pela marca, pela produção têxtil, pela confecção e até à tão urgente distribuição, é certamente um bom objectivo a atingir, e esperamos que este projecto tenha a sua contribuição para o efeito», salienta Alberto Rodas, responsável do Citeve pelo acompanhamento do projecto. Neste contexto, foi apresentada uma resenha do ensaio realizado em 2000 na Herdade dos Lameirões em Safara, e divulgados os resultados das análises tecnológicas das ramas produzidas, efectuadas pelo Citeve. «As variedades de algodão do Alqueva da campanha 2000 definem-se genericamente como um algodão muito homogéneo e com boas características. É classificado como Strict Middling quanto à cor e como Middling quanto à preparação e existência de corpos estranhos. Trata-se de um algodão com bom comprimento de fibra e com boa uniformidade. É um algodão sedoso, embora se note ser um algodão com pouco corpo. Possui uma mancha que embora não seja significativa deve ser assinalada», adianta Alberto Rodas. As características do algodão revelam-se de primordial importância dado que «não vale a pena só produzir algodão, o que é necessário é produzir algodão com certas características que sejam aplicadas na indústria têxtil. Se isso não se verificar há duas hipóteses: ou não serve para utilização de todo, ou serve mas tem uma cotação muito baixa porque é muito fraco». Uma questão importante que foi abordada na apresentação, foi colocar este projecto como um projecto nacional de produção, descaroçamento e comercialização do algodão. Mas para levar avante este projecto «têm de estar reunidas três condições que são: a ciência e tecnologia agrícola, nomeadamente no melhoramento de plantas, um know-how têxtil como consumidor e uma zona com condições climáticas adequadas para a produção agrícola», refere Alberto Rodas. O algodão é um produto natural, e assim como qualquer produto natural, terá que ser testado nas próximas campanhas. «Tem que ser assegurada a continuidade pelo facto de ser um produto agrícola, ou seja é necessário fazer uma nova experimentação, um novo trabalho de campo na agricultura. Como esta experiência é muito local é necessário comprovar se pode ser aumentada para uma área aconselhável. No final deste ano teremos resultados desta campanha de 2001», acrescenta Alberto Rodas.