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Heimtextil em (r)evolução

A feira de têxteis-lar tem um conceito renovado para 2019 e uma alteração de layout que vai permitir criar novas sinergias e encurtar as distâncias para os compradores. Para os expositores portugueses, a nova configuração traz uma presença em conjunto no novo hall 12.

Ricardo Costa, Cristina Motta, Anne Marie Commandeur e Meike Kern

As novidades foram reveladas pela diretora da Heimtextil, Meike Kern, na já tradicional apresentação das tendências da Heimtextil em Guimarães, que aconteceu no passado dia 25 de setembro.

«Há cerca de 80 expositores de Portugal e o que percebi quando fizemos a nossa apresentação às empresas, em março, é que elas queriam estar sozinhas. Por isso, agora estão agrupadas por qualidades e todos os portugueses do hall 11.0 e do hall 11.1, que era o hall premium, estão agora no lado direito do hall 12. Os do anterior hall 8, que era de gama média, estão do lado esquerdo do hall 12. Estarão todos juntos – os de private label e os que têm marca – mas os visitantes vão ver a diferença», explicou a diretora da Heimtextil ao Portugal Têxtil.

Meike Kern

O novo conceito implicou uma mudança profunda na configuração do certame, que reunirá cerca de 3.000 expositores em Frankfurt de 8 a 11 de janeiro de 2019. O hall 3.0 será destinado às tendências, ao design têxtil e às tecnologias de estamparia digital, enquanto o hall 3.1 será ocupado pelos expositores que se dedicam à decoração de paredes, nomeadamente papel de parede e outros revestimentos. Os tecidos de decoração e para mobiliário ficarão agrupados no hall 4.0, enquanto o hall 8.0 será agora consagrado aos cortinados e decoração de interiores. Já o hall 9.0, sob a designação “beautiful living”, acolherá têxteis decorativos, incluindo almofadas, mantas e artigos de mesa e cozinha. Os produtores asiáticos ficarão distribuídos pelos halls 1.1, 1.2, 5.1 e 10. O hall 11, por sua vez, ficará repleto de propostas para boas noites, com uma seleção de produtores e marcas de colchões, almofadas mas também sistemas e tecnologias inteligentes para melhorar o sono. No hall 12.0 reúnem-se as empresas com marcas de roupa de cama e de banho e no 12.1 as empresas produtoras em private label destes produtos – a maioria destes expositores são de nacionalidade portuguesa e turca.

«É tudo novo», sublinhou Meike Kern, que admitiu que para esta primeira edição sob o novo conceito «há uma mistura de nervosismo mas também de muito entusiasmo. Sei que nem toda a gente vai ficar contente de imediato, talvez para algumas empresas demore um ano a ver como corre e a perceber se estão no lugar certo, mas tenho a certeza que, no final, se os compradores estiverem contentes, os expositores vão adorar. E estou certa que este é o caminho certo, ter o conceito pensado na perspetiva dos compradores: poupar tempo, ter atalhos, para que possam aproveitar ao máximo a sua visita e ver muitas empresas», afirmou ao Portugal Têxtil.

A caminho da Utopia

Nesta nova configuração, o fórum de tendências poderá ser visitado no hall 3.0. Aliás, durante o evento de apresentação, Cristina Motta, representante da Messe Frankfurt em Portugal, lembrou às empresas portuguesas que podem estar representadas neste espaço. «Os expositores podem, e devem, enviar amostras para Frankfurt – na carta que receberam têm as instruções da morada e do que deve ser incluído – até ao dia 26 de outubro para eventualmente ser incluído na mostra de tendências em Frankfurt, que é vista por toda a gente. Inclusivamente, na véspera da feira, os expositores têm uma preview para irem ver o que lá está. Não deixem de aproveitar esta oportunidade, enviem amostras para lá», apelou.

Anne Marie Commandeur

As tendências para 2019/2020 da Heimtextil apontam o caminho para a utopia, que se apresenta como um conceito diferente para cada um. Ao Portugal Têxtil, Anne Marie Commandeur, fundadora do gabinete de tendências Stijlinstituut Amsterdam, que faz parte do conselho de tendências da Heimtextil, elucidou que “Toward Utopia” agrupa as direções para um mundo ideal mas «não há apenas uma utopia. Claro que todos preferimos um mundo perfeito, mas sabemos que não é possível. Utopia será uma perspetiva diferente para cada pessoa».

O universo do digital ou o escape para a natureza, a nostalgia e o futurismo encontram-se nas várias direções, que têm, contudo, um elemento em comum: a sustentabilidade. «A parte mais importante da história é que, apesar da enorme diversidade na estética, o valor comum é que temos mesmo de impulsionar a sustentabilidade e o design responsável, não podemos ignorar que as mudanças têm de acontecer muito mais rápido. E isto não está limitado apenas a alguns produtos, faz parte da mensagem: temos de levar esse tipo de decisão a toda a extensão e profundidade da indústria. Não depende de um certo estilo, é um denominador comum», realçou Anne Marie Commandeur.

Nesta utopia em que o respeito por todos os seres humanos e pelo planeta estão em destaque, há cinco direções para o design de interiores: Pursue Play, Seek Sanctuary, Go Off-Grid, Escape Reality e Embrace Indulgence.

Pursue Play

É uma direção repleta de otimismo para lidar com a incerteza do mundo atual. «Vai além dos jogos, é uma forma de sermos humanos», esclareceu Anne Marie Commandeur. A Lego House em Billung, na Dinamarca, e artistas como Joan Miró são inspirações para esta tendência, que se traduz em padrões simples, grandes e impactantes, assim como cores ousadas, incluindo vermelho, amarelo, azul e verde, que são usadas com confiança.

Seek Sanctuary

Esta tendência reflete a busca por maior significado na vida, em que as pessoas com um dia a dia intenso procuram formas de se desligarem, uma espécie de refúgio que permita a regeneração e uma maior clareza. Produtos simples e com maior longevidade fazem parte desta direção, inspirada pelo minimalismo, mas um minimalismo que se reveste de conforto, traduzido em texturas e tons suaves. Bege, cinzento e branco são cores-chave.

Go-Off Grid

Tal como a tendência anterior, Go-Off Grid evidencia igualmente a necessidade de desligar dos seres humanos, mas neste caso é a natureza o refúgio escolhido. Trata.se do regresso às origens primordiais, em busca de experiências transformativas em locais remotos – como as subidas ao Evereste, exemplificou a fundadora do Stijlinstituut Amsterdam. As tendas inspiram, por isso, os tecidos para os interiores, onde pontuam também redes e acabamentos com toque de borracha, com os materiais usados habitualmente no outdoor a entrarem dentro de casa. Os tons são influenciados pelos camuflados militares, onde predominam o caqui, o verde escuro, o bege e, em apontamentos, o laranja.

Escape Reality

A fuga ao quotidiano faz-se pela realidade virtual e pela realidade aumentada, permitindo sair da rotina sem sair de casa. É um universo onde a tecnologia influencia o design, onde o 3D tem uma presença relevante. Os brilhos iridescentes e os efeitos brilhantes são característicos de Escape Reality. As cores traduzem o esbater de fronteiras entre o mundo físico e o digital, com rosa, azul e lilás a transportarem-nos para uma dimensão virtual.

Embrace Indulgence

«É uma tendência muito no início, de nicho», confessou Anne Marie Commandeur ao Portugal Têxtil. Embrace Indulgence enaltece a nostalgia, a intimidade, num universo luxuoso de materiais e cores ricas. Sedas e veludos, jacquards e devorés estão em destaque nesta direção. A paleta de cores pinta-se de tons tradicionalmente associados ao luxo, como o sumptuoso tom borgonha, o amarelo-torrado e o castanho.