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Heimtextil inspira propostas urbanas

Perante uma casa cheia no pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor, a Heimtextil revelou ontem às empresas portuguesas as tendências que vão influenciar os têxteis-lar no próximo ano. Quatro tendências lifestyle, acompanhadas de cinco direções de design e cor, abrem as portas para a criatividade dos designers nacionais.

Começa já a ser uma tradição, mas a apresentação das tendências da Heimtextil em Portugal é, na realidade, uma exceção, já que é o único país onde a feira de têxteis-lar de Frankfurt – que em 2017 contou com expositores de 67 nacionalidades – se desloca para revelar as linhas orientadoras para o ano seguinte.

Para isso contribuirá o número elevado de expositores portugueses – que rondarão os 80 na próxima edição – e o interesse crescente que o evento em Guimarães tem atraído, com cada vez mais designers das empresas nacionais a comparecerem à chamada.

«A 30 de agosto foram apresentadas as tendências em Frankfurt. Menos de duas semanas depois estamos aqui em Guimarães para fazer a apresentação às empresas portuguesas e, a avaliar pela quantidade de gente aqui presente, parece-me que o lema da próxima edição, “mad about textiles”, se aplica que nem uma luva. Trabalhar na têxtil é mais do que trabalhar, é vestir a camisola», destacou Cristina Motta, representante da Messe Frankfurt em Portugal. «Para além de cumprirem as funções básicas, os têxteis tanto funcionam como objeto de conforto, como como forma de expressão. Através deles comunicamos e com eles criamos os ambientes em que nos sentimos bem», acrescentou.

São esses ambientes – e a forma como serão entendidos no futuro – que a Heimtextil tentou antecipar nas propostas para 2018/2019. “The future is urban”, ou “o futuro é urbano”, foi o tema agregador das propostas que saíram da chamada “Trend Table” da Heimtextil, composto pelos gabinetes de design Dan Projet (Japão), Spott Trends & Business (Dinamarca), WGSN (EUA), Carlin International Group (França), Franklintill (Reino Unido), Felix Diener (Alemanha) e Stijlinstituut Amsterdam (Holanda).

«Mais de metade da população mundial já vive em cidades e se continuar desta forma, todos vão viver em cidades no final do século XXI», explicou Anne Marie Commandeur, que lidera o Stijlinstituut Amsterdam, como justificação para o tema da urbanização. Os números, garantiu, falam por si: em 1950, menos de um terço da população vivia em cidades e não existiam megacidades de 10 milhões de pessoas. Hoje há 37 cidades com essa classificação – sendo que a área metropolitana de Tóquio é a maior, com 38 milhões de habitantes –, com mais de 80% dos norte-americanos e três quartos dos europeus a viverem em cidades. A isso acresce a urbanização da China – em 2025 antecipa-se que 221 cidades chinesas tenham mais de um milhão de habitantes e que cinco anos depois a população urbana da China atinja os mil milhões – e o desenvolvimento em África – até 2030, o continente terá seis das 41 megacidades do mundo e metade da sua população seja urbana.

Quatro tendências, cinco influências

Esta urbanização irá refletir-se na forma de viver da população mundial, com quatro tendências a serem identificadas.

The Flexible Space traduz a proliferação de casas mais pequenas, pensada para uma única pessoa, até porque, referiu Anne Marie Commandeur, «as pessoas estão a assentar e a casar muito mais tarde – se é que se casam –, a ter menos filhos e a sobreviverem aos cônjuges mais tempo». Como tal, as casas estão a tornar-se mais reduzidas e modulares, as pessoas estão mais nómadas, mudando-se regularmente e estão a usar os espaços como habitação mas também como local de trabalho.

The Healthy Space traduz a busca por «designs inovadores, que melhoram a nossa saúde, o nosso bem-estar e a nossa produtividade», referiu Anne Marie Commandeur, dando conta do interesse crescente em cromoterapia – utilização de cor e luz para relaxar ou despertar –, biofilia (trazer a natureza para dentro de casa) e purificação, esta última em resposta aos níveis elevados de poluição. «As marcas e retalhistas estão a pensar em formas de oferecer proteção aos consumidores contra a poluição», sublinhou a responsável do Stijlinstituut Amsterdam.

A terceira tendência – The Re-Made Space – concentra-se na sustentabilidade, quer através da utilização de resíduos como matéria-prima para fazer novos produtos, quer pela utilização de matérias-primas alternativas ou pela tónica na reparação de artigos, em vez da sua substituição.

A última tendência, batizada The Maker Space, caracteriza-se pela intervenção dos consumidores na produção dos artigos que querem consumir, impulsionada pela «democratização da impressão digital», afirmou Anne Marie Commandeur.

Estas tendências de estilo de vida traduzem-se em cinco direções de design e cor: Relax/Recharge, uma dicotomia entre o vermelho, relaxante, e o azul, energizante; Perfect Imperfection, onde se destacam materiais como cortiça e a produção artesanal; Soft Minimal, que privilegia o minimalismo, silhuetas simples e tons pastel; Adapt + Assemble, onde predominam os designs modulares, formas geométricas e tons primários, lisos; e Urban Oasis, em que os estampados de folhas trazem a natureza e o verde para dentro de portas.

Ideias e sugestões que agora terão de ser trabalhados pelas empresas. «Há muita inspiração [no livro de tendências], mas a mensagem mais importante é definir para quem é que estão a desenvolver, analisar muito bem o consumidor final dos produtos e também estar consciente de que está a haver uma mudança», sublinhou Anne Marie Commandeur ao Portugal Têxtil. «Têm mesmo de estar atentos à sustentabilidade, ao facto das coisas terem de ser reutilizadas, ao tamanho e ao peso dos produtos… Muitos saíram daqui com a ideia das cores, das texturas, mas o que é mais importante é pensar para quem estão a trabalhar», acrescentou.

Novidades em 2018

Para além das tendências, o evento contou também com a presença de Meike Kern, diretora da Heimtextil, que desvendou algumas das novidades que irão marcar a próxima edição da feira de têxteis-lar, que se realiza no próximo ano, de 9 a 12 de janeiro.

«Em 2018 esperamos atingir novamente os 3.000 expositores», anunciou Meike Kern. «Estamos muito perto», garantiu ao Portugal Têxtil, acrescentando que as inscrições estão abertas até ao fim. «Se tivermos espaço, podem fazer a inscrição até ao início de janeiro», afirmou.

Novidade será ainda o espaço All About Pets, dedicado aos produtores de acessórios para animais de estimação. «Estou muito surpreendida por termos tido logo cinco expositores – e ainda não estamos fechados. Fiquei espantada pelo conceito ter funcionado de imediato, depois de três anos de pesquisa, por isso espero um bom lançamento», adiantou ao Portugal Têxtil.

Em termos de organização, a Heimtextil terá um novo formato, batizado Expo, para o chamado “contract”, uma espécie de «feira dentro da feira», referiu a diretora da Heimtextil. Em estudo está ainda um novo conceito para os halls 8 a 11, dedicados à oferta para a cama, banho e mesa – onde estão presentes a esmagadora maioria dos expositores portugueses –, «mas apenas em 2019», assim como para os têxteis de hotelaria, que também em 2019 contarão com um espaço renovado batizado Hospitality Plaza.

Quanto às expectativas para a próxima edição, «espero que tenhamos bom tempo e um aumento significativo de visitantes», concluiu Meike Kern.