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Heimtextil olha para o horizonte a longo prazo

As direções preconizadas pela feira de têxteis-lar para 2022/2023 não têm limites visíveis em termos temporais e, mais do que tendências, são uma nova mentalidade. Next Horizons, como foram batizadas, dividem-se por quatro percursos, que estão já disponíveis online, na antecipação da Heimtextil do próximo ano.

Next Horizons [©Heimtextil]

As tendências foram apresentadas numa conferência online no passado dia 1 de setembro por Anja Bisgaard Gaede, fundadora e CEO do SPOTT Trends & Business, Anne Marie Commandeur, diretora do Stiljinstituut Amsterdam e Caroline Till, cofundadora do London Studio FranklinTill, que representaram os três gabinetes de tendências que integram o Heimtextil Trend Council, responsável pela definição das direções que irão marcar o universo da casa.

Trabalho em mutação

Este conjunto de tendências resulta de um panorama mais vasto que, fruto da pandemia, sofreu uma mutação acelerada. O trabalho é uma dessas áreas. «O regressar ao trabalho [depois das férias] tem um significado diferente para cada um de nós», referiu Anne Marie Commandeur, salientando que o próprio conceito de escritório mudou. «Já não é apenas um local físico. O escritório agora significa um estado de estar a trabalhar», afirmou e, face à flexibilidade permitida pelo teletrabalho e redução do tempo passado em deslocações, muitos vão preferir manter-se em casa, acredita, com apenas visitas esporádicas ao escritório para se relacionarem com os colegas, importante para a motivação e inovação.

Deep Nature [©SPOTT for Heimtextil]
Isso vai levar a uma mudança nos próprios espaços de trabalho, como tem acontecido, por exemplo, nos escritórios da gigante Google, onde há tendas exteriores para trabalhar, salas que já contemplam a intervenção dos funcionários à distância em reuniões e paredes insufláveis para aumentar a privacidade quando necessário.

Neste sentido, «os têxteis podem ser usados para aconchegar os interiores», além de que podem «melhorar a acústica, dispersar e filtrar a luz, assim como fornecer refúgio e segurança», contribuindo para evitar o stress, enumerou Anne Marie Commandeur.

Sustentabilidade sem volta atrás

Caroline Till, por seu lado, destacou as possibilidades sustentáveis ao nível dos materiais, «um imperativo absoluto» na realidade atual do Planeta. Uma área que está a ser trabalhada em particular por designers da Geração Z, que «estão a oferecer ideias inovadoras e impactantes que se alinham com o seu enorme sentido de valores ambientais e sociais», sublinhou, dando como exemplo a revista It’s Freezing in LA.

Os materiais estão igualmente a ser repensados e é preciso equacionar a circularidade, quer dos materiais naturais, que terão de ser biodegradáveis, quer dos materiais sintéticos, que possam ser infinitamente reciclados.

Hyper Nature [©SPOTT for Heimtextil]
A tecnologia pode ter igualmente um papel importante para «aprofundar a nossa ligação com o mundo natural», apontou Caroline Till, com a utilização da realidade virtual e da realidade aumentada para contar histórias sobre os ecossistemas de que fazemos parte.

Por fim, a desmaterialização do consumo, pensando se é mesmo necessário produzir artigos físicos, havendo já quem se dedica a criar moda pensada apenas para o reino digital. «Isto questiona a nossa relação com a materialidade física e explora um futuro no qual despimos o consumo físico e a dependência física de fazer ou usar materiais e preenchemos o nosso desejo de criatividade e consumo no reino digital», resumiu a cofundadora do FranklinTill.

Next Horizons com quatro direções

As tendências para 2022/2023 têm, assim, por base, duas ideias principais, como destacou Anja Bisgaard Gaede: a casa nunca foi tão importante como é agora e é absolutamente imperativo pensar os têxteis-lar a longo prazo.

«Next Horizons não tem objetivos fixos ou metas. É mais uma mudança de mentalidade» na transição para a sustentabilidade, reforçou a fundadora e CEO do SPOTT Trends & Business.

O tema divide-se em quatro direções: Deep Nature; Hyper Nature; Beyond Identity; e Empowered Identity.

Beyond Identity [©SPOTT for Heimtextil]
A primeira explora as estratégias do nosso ecossistema, dando-nos a capacidade de reequilibrar o mundo natural para um futuro regenerativo. A paleta de cores é harmoniosa e suave, com tons verdes de musgo e tonalidades delicadas de azul e vermelho, para criar uma abordagem calma e muito terra. Em termos de fibras, destacam-se a juta, o linho e o cânhamo, a que se somam corantes naturais e versões alternativas às tradicionais, como couro de coco e micélio, assim como a utilização de biomassa.

Hyper Nature antecipa uma reconexão com a natureza através da tecnologia. Materiais responsivos, fibras técnicas, padrões fluídos e estruturas microscópicas fazem parte da descrição dos materiais desta direção, onde pontuam ainda os sintéticos reciclados e os têxteis inteligentes. As cores são mais fortes e brilhantes, com destaque para o coral, o salmão e o framboesa claro.

Em Beyond Identity, o futuro é encarado com mensagens de esperança e um desafiar das normas impostas atualmente. Os sintéticos reciclados, a seda e cetins vintage, os novos têxteis à base de celulose, como os da Spinnova, e os tingimentos naturais compõem esta orientação, que se veste ainda de peles vegan, algodão orgânico e couro de micélio. As cores são essencialmente pastel, complementadas por tonalidades de cinza e caqui esbatido.

Empowered Identity [©SPOTT for Heimtextil]
Por último, Empowered Identity salienta a criação de ligações culturais sustentáveis, mergulhando em fontes de inspiração artesanais de uma forma colaborativa, fazendo assim a ponte entre a herança cultural e as gerações futuras. Destacam-se aqui as cores primárias e, ao nível dos materiais, a utilização de stocks passados, têxteis reciclados, tecidos laneiros e aplicação de bordados.

Estas tendências estão a ser apresentadas completamente online pela primeira vez, quatro meses antes da próxima edição da Heimtextil, agendada para 11 a 14 de janeiro de 2022, que, segundo Olaf Schmidt, «tem já um número elevado de inscrições», com «mais de 1.700 expositores de mais de 40 países interessados em participar». Para o vice-presidente de têxteis e tecnologias têxteis da Messe Frankfurt, «é um sinal muito bom para toda a indústria».