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Heimtextil prima pela qualidade

O 50.º aniversário da feira internacional de têxteis-lar ficou marcado pelo mote qualidade acima de quantidade. A queda previsível do número de visitantes para 63 mil não foi suficiente para influenciar a sua satisfação relativamente aos cerca de três mil expositores que, este ano, colocaram a sustentabilidade no topo da agenda.

Ana Pinheiro (Mundotêxtil)

No início de uma nova década, Frankfurt acolheu a Heimtextil pela 50.ª vez, entre 7 e 10 de janeiro, garantindo as boas entradas a uma nova estação para os têxteis-lar. A satisfação dos expositores manteve os níveis elevados do ano passado e, no caso dos visitantes, aumentou 2 pontos percentuais para 95%, apesar da queda dos números.

Paulo Coelho Lima (Lameirinho)

As razões por detrás do decréscimo das visitas parecem ter origem na antecipação invulgar das datas da feira de têxteis-lar que coincidiram com as festas do Reis, em Espanha, e com o calendário de Natal dos ortodoxos. Por outro lado, também contribuíram para o efeito a forte consolidação das lojas especialistas e os desenvolvimentos do retalho físico no sentido do comércio eletrónico, assim como a desaceleração do crescimento económico mundial. «Estes dados estão em linha com o facto de que 34% dos nossos expositores classificam a situação económica atual do sector como fraca, comparativamente à taxa de apenas 18% no ano passado», explicou Detlef Braun, CEO da Messe Frankfurt.

Contudo, este foi também o ano em que a sustentabilidade reinou nos têxteis-lar. Pela primeira vez, o Departamento para Parcerias da Nações Unidas (UNOP, na sigla original) apresentou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na feira internacional e convidou os atores do sector a participar num diálogo sério sobre o tema. «A Heimtextil era o próximo passo no nosso percurso para apresentar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em colaboração com a Texpertise Network da Messe Frankfurt e a Conscious Fashion Campaign», oferecendo a «oportunidade de atingir um público amplo e profissional, potenciar a consciencialização relativamente aos objetivos e reunir apoio», afirmou Lucie Brigham, chefe do gabinete da UNOP.

Susana Serrano (Adalberto)

Agora, qualquer empresa, seja uma start up ou um grupo tradicional, não poderá evitar aderir à tendência da oferta de materiais e processos de produção mais ecológicos que marcará o ano 2020. Manuel Schweizer, CEO da Deco Design Fürus, que detém a marca OceanSafe, uma das pioneiras na área da gestão da reciclagem, revelou, aliás, que «a Heimtextil 2020 foi excecionalmente bem-sucedida para nós. As várias discussões que aqui tivemos deixaram bem claro que os nossos clientes conseguem distinguir indubitavelmente entre lavagem ecológica e reciclagem do berço ao berço».

Comunidade lusa em peso

A surfar na onda de sustentabilidade esteve a indústria portuguesa, que contou com a presença de 78 empresas de têxteis-lar a dominar os halls 9 e 12. Enquanto um dos principais fornecedores europeus de vestuário de cama e banho, Portugal foi o 10.º maior país expositor nesta edição da Heimtextil.

Jorge Antunes (Damaceno & Antunes)

Entre esta amostra alargada, esteve a Lameirinho, a apresentar o Ecolam, «um projeto direcionado para a sustentabilidade em que recuperamos o nosso próprio desperdício e o reintegramos no processo industrial», esclareceu Paulo Coelho Lima, CEO da empresa, ao Portugal Têxtil. Na sua peugada, esteve a Adalberto a lançar o acabamento funcional Bioactive, que contribui para a redução do consumo de água durante a lavagem. «Os nossos clientes já estão muito centrados nisto [na sustentabilidade]», logo «não há o planeta B e todos temos efetivamente de contribuir. Nós, como fornecedores, temos que o fazer, não só apresentando soluções para os clientes, como também, a nível interno, adotando um programa estratégico de sustentabilidade desde que rececionamos a matéria-prima até que entregamos ao cliente», adiantou Susana Serrano, CEO da Adalberto.

Xavier Leite (Têxteis Penedo)

Contudo, as novidades do sector luso não se restringiram aos valores ecológicos. Num tributo ao arquipélago da Madeira e aos seus 600 anos de história, a Evo Fabrics exibiu a coleção Madeira, com um design e cromatismo associados à ilha. «Sabemos perfeitamente que é uma coleção pensada primeiro para o mercado nacional, um gosto muito mediterrâneo», admitiu Jorge Antunes, CEO da Damaceno & Antunes, empresa detentora da marca. Também a Foot By Foot destacou três produtos para a área de proteção de colchão e almofada, com acabamentos funcionais: um para a regeneração da pele, outro para termorregulação e um terceiro antibacteriano e estabilizador dimensional. Por sua vez, a Têxteis Penedo deu a conhecer o Photofabric, «um tecido que se obtém em jacquard feito a partir de uma resolução fotográfica de 300 dpi», elucidou o CEO, Xavier Leite.

A opinião geral dos expositores portugueses esteve em sintonia com os dados da Heimtextil. «Estávamos à espera de mais visitas e mais movimento. Pensamos que esta edição tem menos afluência do que as feiras anteriores», confessou Sónia Claro, CEO da Monteiro Ribas. Contudo, o balanço final parece ser positivo. A Heimtextil «é a feira mais importante que temos, como é óbvio, do sector. Estão imensas empresas e agora que nos puserem num hall com concorrentes de outros países, é muito difícil conseguirmo-nos destacar». Portanto, «nós tentamos sempre trazer coisas diferentes. Tentamos sempre apresentar coleções que sejam que não tenham qualquer comparação, que não encontram noutros lados. Eles [os clientes] reagem sempre muito bem», assegurou Ana Pinheiro, administradora da Mundotêxtil.

50 anos mais ricos

A edição quinquagenária trouxe também o programa mais rico de toda a história da Heimtextil. Com mais de 150 palestras e painéis de discussão, 30 visitas guiadas e vários outros eventos, a feira de têxteis-lar «representou uma fonte de inspiração relativamente aos novos produtos mais interessantes e incentivou o intercâmbio entre representantes da indústria e do comércio, design, arquitetura de interiores e hospitalidade», referiu a organização, a Messe Frankfurt, em comunicado.

Sónia Claro (Monteiro Ribas)

Esta troca de ideias materializou-se particularmente na área “Trend Space” com a exibição exclusiva das tendências mais importantes para o sector. «Os compradores que marcam a diferença no mercado e que se mantêm a par da atualidade estão a reunir inspiração para a nova temporada aqui em Frankfurt. Sendo a maior feira comercial a nível mundial, a Heimtextil tem uma importância crucial para a nossa indústria. Não há nenhuma outra feira que ofereça informação assim tão rica», assumiu Ottmar Ihling, porta-voz da DecoTeam, comunidade dos fornecedores líder de têxteis-lar da Alemanha.

No próximo ano, a Heiimtextil Frankfurt está já agendada para os dias 12 a 15 de janeiro.