Início Destaques

Heliotextil aposta em adesivos têxteis inovadores

O projeto Condade, uma das iniciativas de inovação da Heliotextil, tem como objetivo criar adesivos têxteis pensados para a eletrónica impressa em vestuário. A iniciativa, que tem o apoio do Compete e está a ser desenvolvida com a Universidade de Aveiro, deverá ficar concluída em 2021, mas já apresentou resultados.

Miguel Pacheco e David Macário

«O projeto Condade surgiu da necessidade da Heliotextil de desenvolver adesivos especiais para aplicações inovadoras dos seus processos industriais, entre elas, a eletrónica impressa», explica, citado pelo Compete, David Macário, diretor de inovação da Heliotextil. «Trouxe a possibilidade de desenvolver e conhecer melhor a ciência por detrás dos adesivos têxteis que utilizamos na nossa atividade industrial. Além disso a colaboração com a Universidade de Aveiro revelou-se essencial para a conceção do projeto e desenvolvimento de soluções inovadoras», acrescenta.

O objetivo do projeto «é desenvolver adesivos que permitam ultrapassar falhas no processo produtivo a nível da falta de condutividade, flexibilidade, aderência e compatibilidade com as temperaturas de transferência e a resistência à lavagem», refere o resumo do projeto.

Aprovado em outubro de 2018 e com duração prevista até setembro do próximo ano, o projeto, que prevê um investimento total superior a 865 mil euros, está a ser executado em parceria com a Universidade de Aveiro. «A visão das necessidades do mercado e requisitos tecnológicos da Heliotextil na área dos transferes têxteis permitiram que a Universidade de Aveiro desenvolvesse uma solução verdadeiramente adequada e indispensável para criar novos produtos, valorizando os produtos da Heliotextil, com formação especializada da equipa do projeto em materiais, técnicas de caracterização e processos de impressão têxtil.

A relação empresa-universidade é fundamental para criar pontes de conhecimento, com o enriquecimento não só da equipa empresarial, mas também na formação de jovens académicos em ambiente industrial, melhorando a sua empregabilidade e perceção do mercado de trabalho», acredita David Macário.

No âmbito do Condade, a Heliotextil equipou um «laboratório dedicado à investigação de materiais que recebeu uma pessoa que trabalha totalmente dedicada a este projeto, reforçando a equipa de I&D com outras competências», refere o diretor de inovação. «Outro avanço importante ao abrigo do projeto Condade foi a certificação do sistema de gestão de I&DI da Heliotextil segundo a NP4457», aponta.

Crescer a inovar

A validação do sistema de I&DI pela norma portuguesa «representa um avanço significativo no reconhecimento de que detemos dentro da empresa um sistema de inovação que é validado por uma norma em que a própria Europa ainda não conseguiu encontrar um referencial normativo», afirmou ao Portugal Têxtil Miguel Pacheco, CEO da empresa. «É um grande desafio para a organização, que nos vai permitir seguramente trabalhar a inovação de uma forma muito mais organizada e focada para objetivos», acrescentou.

A inovação tem sido, de resto, um dos motores de crescimento da empresa, garantiu o CEO. «A Heliotextil teve no ano passado um negócio equivalente ao que tinha tido em anos anteriores, na casa dos 5 milhões de euros. Mas diria que 10% do volume de negócios seguramente já está a ser com base na inovação. Significa que, teoricamente, se não existisse essa inovação, já estaríamos a reduzir o volume de negócio, não conseguiríamos manter», destacou.

Além deste projeto, a empresa de São João da Madeira tem diversas outras iniciativas em curso, incluindo um protótipo de um sistema de iluminação concebido em parceria com a Osram, um casaco com sistema de aquecimento ativo e transferes com propriedades retardantes de chama.