Início Destaques

Heliotextil certifica inovação

A empresa portuguesa, que está a crescer nas soluções técnicas, incluindo para proteção de marca, personalização e gestão de eventos, certificou-se pela norma portuguesa de gestão da inovação, numa prova de que a mesma faz parte, cada vez mais, da estratégia de crescimento, valendo já 10% do negócio.

Rui Santos, diretor operacional, David Macário, diretor de inovação, Miguel Pacheco, CEO, e Paulo Castro, diretor comercial

A validação do sistema de I&DI pela norma portuguesa «representa um avanço significativo no reconhecimento de que detemos dentro da empresa um sistema de inovação que é validado por uma norma em que a própria Europa ainda não conseguiu encontrar um referencial normativo», afirma ao Portugal Têxtil Miguel Pacheco, CEO da empresa. «É um grande desafio para a organização, que nos vai permitir seguramente trabalhar a inovação de uma forma muito mais organizada e focada para objetivos», acrescenta.

Miguel Pacheco

A inovação é um dos motores de crescimento atuais da Heliotextil. Aliás, garante Miguel Pacheco, «a Heliotextil teve no ano passado um negócio equivalente ao que tinha tido em anos anteriores, na casa dos 5 milhões de euros. Mas diria que 10% do volume de negócios seguramente já está a ser com base na inovação. Significa que, teoricamente, se não existisse essa inovação, já estaríamos a reduzir o volume de negócio, não conseguiríamos manter».

Novidades no portefólio

A empresa de S. João da Madeira, que no portefólio tem transferes, emblemas, elásticos e passamanarias, apresentou na última edição da ISPO Munich uma série de novos projetos, incluindo um protótipo de um sistema de iluminação concebido em parceria com a multinacional Osram.

«Este sistema já tinha sido desenvolvido pela Osram e está em fase de introdução experimental no mercado», explica o diretor de I&D, David Macário, ao Portugal Têxtil. «Cerca de 15 mil unidades já foram escoadas. Agora vai ser produzida uma nova série em que vão integrar a tecnologia da Heliotextil», acrescenta. Destacando-se pela sua vasta experiência, a empresa portuguesa está a apoiar o desenvolvimento dos condutores elétricos. A parte da confeção foi «pensada em conjunto entre a Heliotextil e a Olmac», frisa o diretor de I&D. «O sistema de iluminação, como estamos a apresentar pela primeira vez, tem vindo a captar muito a atenção das pessoas», assegura.

A par desta estreia, a empresa continua a trabalhar no casaco com um sistema de aquecimento ativo que apresentou na ISPO Munich 2019, com «algumas melhorias a nível de software de controlo para aumentar a autonomia», revela David Macário. «Como o casaco pode ser controlado por uma aplicação móvel, iremos também incluir um sistema de alarmes, em que o utilizador pode figurar um ou mais números e, caso haja uma queda ou um período muito grande de inatividade, nós conseguimos gerar alarmes», tornando-o especialmente adequado para o desporto e o workwear, esclarece.

O desporto é «claramente», nas palavras de David Macário, uma das principais áreas de negócio da empresa, que estão divididas em dois grandes grupos: indústria (fitas, elásticos, transferes) e tecnologia e marketing (plataformas e soluções para promoção e eficiência produtiva). Um dos casos de sucesso da empresa é o projeto de revitalização da imagem de marca do clube Ovarense Basquetebol, que se iniciou no ano passado. «Chegamos a desenhar logótipos e toda a parte de lettering, comunicação gráfica e marketing», sublinha o diretor de I&D.

A empresa conseguiu ainda alagar as fronteiras da experiência do consumidor e introduziu este ano a interatividade dos emblemas. «Conseguimos disponibilizar um simulador para a marca que está a vender poder, online e com modelos 3D, simular o posicionamento dos emblemas. Inclusivamente, o utilizador pode escrever qualquer nome na camisola e encomendá-la automaticamente», evidencia David Macário.

No final da lista de novidades da Heliotextil está um transfer com características retardantes a chama, «um produto único dentro da oferta de mercado que conhecemos», regista o diretor de I&D.

Sustentabilidade na ordem do dia

Inerente a todos os avanços tecnológicos e propostas de novas soluções da empresa estão os princípios de sustentabilidade, para os quais a Heliotextil tem vindo a concretizar esforços persistentes, acompanhando a tendência de toda a indústria. De facto, o ano passado ficou marcado por um investimento na modernização do sistema de tratamento de águas residuais, que se materializou com a aquisição de uma nova ETAR.

Ao nível da eficiência energética, David Macário conta que «nos últimos cinco anos, temos substituído todo o sistema de iluminação por LED» e agora «estamos a instalar sistemas de monitorização nas máquinas e nos principais circuitos elétricos para otimizar os padrões de consumo de eletricidade».

Exportando a maioria da sua produção para a Europa e, mais recentemente, para a América Latina, a empresa é constituída por um efetivo de 120 trabalhadores e as perspetivas para 2020 são de crescimento. «Têm de ser sempre positivas. Apesar da conjuntura que se apresenta, temos as expectativas de que vamos crescer», conclui Miguel Pacheco.