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Hermès acerta no alvo

As vendas do grupo do luxo subiram 8% no primeiro trimestre do ano, graças ao crescimento robusto alcançado no mercado japonês. Embora abaixo dos 10% do último trimestre de 2014, este aumento correspondeu às expectativas dos analistas e corroborou os objetivos de longo e médio prazo da Hermes.

A marca francesa reportou um crescimento de 10% das vendas em moeda constante nos espaços comerciais operados autonomamente, com as flutuações cambiais a elevarem as receitas para 103 milhões de euros.

A Hermès apresenta um dos desempenhos mais sólidos do sector do luxo devido à resiliente procura pelas clássicas bolsas em pele da marca, para as quais continua a registar-se, de forma consistente, uma procura superior à oferta.

Por oposição, as vendas da unidade de moda e bens em couro do líder da indústria LVMH, que inclui Louis Vuitton, Celine, Dior e Fendi, cresceram 1% no primeiro trimestre, defraudando as expetativas inicialmente traçadas. A Gucci, subsidiária do grupo Kering, registou uma quebra de 8%.

As receitas no Japão, um dos principais mercados da Hermès, aumentaram 15,2% em moeda constante, mas apenas 7,7% na região Ásia-Pacífico, maioritariamente constituída pela China, influenciada pelos resultados negativos de Hong Kong e Macau.

«As tendências na Ásia, excluindo o Japão, permanecem críticas», afirmou Axel Dumas, CEO da Hermès.

As vendas do primeiro trimestre aumentaram 19% numa base reportada para 1,12 mil milhões de euros.

«[O resultado na] Europa Ocidental foi surpreendentemente leve (aumento de 3,1% excluindo França e 6,4% em França) num momento em que vários colegas falam de uma recuperação da procura turística suportada pelo euro fraco», considera Eva Quiroga, analista da UBS.

Em fevereiro, a Hermès reduziu o objetivo de crescimento de vendas anual pela primeira vez face à estimativa tradicional de 10%, refletindo a sua maior dimensão e a depreciação generalizada da indústria.

«Isto representa uma desaceleração face aos 10% e 11% assinalados em trimestres anteriores, mas é muito encorajador no contexto da previsão de 8% para as vendas anuais, enfrentando valores comparativos muito elevados, com um crescimento de quase 15% no primeiro trimestre do ano passado», acredita Luca Solda, analista de bens de luxo da Exane BNP Paribas.

Dumas não apresentou uma previsão relativamente à margem anual mas advertiu para a vulnerabilidade da empresa face às flutuações cambiais. A margem operacional da Hermès em 2014 caiu para 31,5% face a um recorde de 32,4% assinalado no ano anterior, devido parcialmente a flutuações cambiais.

As ações da Hermès subiram 2,7% para 345 euros recentemente, valorizando a empresa e fixando o seu valor em 35,16 mil milhões de euros, ascendendo assim ao terceiro lugar das maiores empresas de luxo da Europa em função da capitalização do marcado, seguindo-se aos grupos LVMH e Richemont, detentor da Cartier.