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Hermès antevê abrandamento

A fabricante das cobiçadas Birkin anunciou que está a projetar um crescimento de 8% nas vendas, afastando-se assim dos 10% que havia reiterado em novembro. Axel Dumas, CEO da empresa, explicou que agora seria necessário alinhar a fasquia das vendas com o tamanho da Hermès, que foi além dos de 4 mil milhões de euros pela primeira vez no ano que terminou, ultrapassando a Gucci. «Há que considerar também o papel da moeda e das questões geopolíticas. Ambos nos aconselham a ser prudentes», afirmou Dumas. «Temos um mercado chinês complexo, temos as tensões na Europa», acrescentou. A Hermès já havia informado de que a sua margem operacional em 2014 seria «à volta dos 31%», não alcançando os 32,4% do ano anterior. A culpa da queda residiria, em parte, nas flutuações do câmbio. As ações da empresa caíram 1,3%, ainda que as vendas do quarto trimestre tenham correspondido amplamente às expectativas. Isto é, a receita cresceu 9,6% no quarto trimestre e 11,1% do total, em 2014. Em contraste, as vendas da peso-pesado LVMH, que inclui marcas como a Louis Vuitton, Céline, Dior e Fendi, subiram apenas 3% no ano passado. A Salvatore Ferragamo viu a sua receita subir 6,5% no ano passado. Da rival italiana Prada ainda não se conhecem resultados. Contudo, «é importante ressalvar que o crescimento das vendas orgânicas da Hermès em 2014 é de longe o melhor desempenho entre os grupos de luxo com média próxima de 5%», informaram os analistas da Bryan Garnier em comunicado. A Hermès viu as receitas no último trimestre saltarem para os 15,5% em território americano, uma evidência clara de que os EUA estão a substituir a China enquanto mercado dinâmico da indústria do luxo. Parte do impulso veio da entrada de turistas e estudantes chineses facilitada pelos vistos fornecidos pela administração Obama. A Hermès também beneficiou de um forte crescimento no Japão, um mercado no qual a marca tem vindo a investir ao longo dos anos, com as vendas do quarto trimestre a crescerem 12,6%. Muitas marcas de luxo sofreram uma quebra na procura por parte dos russos e chineses, particularmente em Hong Kong (onde algumas marcas fazem mais de 10% das vendas), devido aos protestos que afastaram turistas.