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Hermès seduz indianas

As mulheres indianas podem usar vestuário ocidental no escritório durante o dia mas para casamentos e outras ocasiões formais preferem usar os saris (um tecido com cerca de 5,5 metros elegantemente enrolado), reflectindo o forte apelo da tradição. Por isso a Hermès International lançou uma edição limitada de saris. «Faz parte do nosso esforço para nos ligarmos à cultura indiana e à tradição de elegância das mulheres indianas», afirmou Bertrand Michaud, presidente da Hermès India. «Desenvolvemos todos os esforços para que estes saris prestassem homenagem à tradição indiana», afirmou, acrescentando que não há ainda planos para fazer da colecção uma adição permanente à oferta da empresa. No total há 28 saris à venda, com uma linha com o preço de 300 mil rupias (cerca de 4.280 euros) e outra linha com preço de 400 mil rupias, indicou Michaud – tornando-os apenas acessíveis aos muito ricos da Índia. O lançamento dos saris, criados em Paris e feitos com diversos tecidos, de caxemira a seda swill, surge numa altura em que a empresa pretende ganhar novos consumidores de luxo em diferentes mercados. No ano passado, a Hermès criou uma bem sucedida marca de luxo para a China – a Shang Xia ou “Cima Baixo” em mandarim – numa tentativa de melhorar a sua notoriedade neste mercado e usar a tradição artesanal deste país asiático. O Império do Meio mostrou-se um forte mercado para a Hermès, que realiza a maior parte das suas vendas com os artigos de pele e apresenta a sua colecção de pronto-a-vestir na Semana de Moda de Paris duas vezes por ano. As vendas de luxo foram mais discretas na Índia, onde o crescimento do mercado tem sido travado devido às elevadas taxas de importação, o que leva muitos indianos ricos a preferir comprar no estrangeiro. Contudo, há sinais de que o mercado está a recuperar, com os indianos a voltarem as costas ao mantra da frugalidade pregado pelo herói da independência Mahatma Gandhi, pai da nação. Um recente relatório da consultora AT Kearney projecta que a indústria de luxo da Índia aumente 25% por ano, para os 14,7 mil milhões de dólares (11,31 mil milhões de euros), até 2015. E um novo estudo da riqueza mundial da consultora TNS mostrou que a Índia tem mais famílias ricas do que muitas nações europeias, incluindo a Alemanha e a França. Esta é a segunda edição limitada de saris da Hermès, que lançou a primeira na colecção Millennium, e chama à sua relação com a Índia «um caso de amor». Para além dos saris, os motivos coloridos da Índia estão ainda reflectidos nos designs dos lenços da Hermès. Há vários anos, o então designer da Hermès, Jean Paul Gaultier, tinha apresentado vestidos sari numa colecção baptizada Indian Fantasies. O lançamento de saris surge após a Hermès ter tentado recentemente aumentar a sua presença na Índia com a abertura de uma flagship, uma das maiores na Ásia, em Mumbai. A case de luxo tem ainda outras duas lojas, uma em Nova Deli e outra na cidade de Pune. A maior parte das marcas de luxo na Índia está em hotéis de cinco estrelas ou centros comerciais, mas a Hermès escolheu abrir a sua loja em Mumbai num edifício renovado da era colonial, ao nível da rua. «Queremos fazer parte da vida indiana», assegurou Michaud.