Início Notícias Tecnologia

HKRITA e Fundação H&M avançam tecnologias sustentáveis

O Instituto de Investigação de Têxtil e Vestuário de Hong Kong (HKRITA) acordou um plano de colaboração a cinco anos com a Fundação H&M para promover o desenvolvimento sustentável à escala industrial no sector da moda, com foco no progresso tecnológico.

Erik Bang (H&M Foundation) e Edwin Keh (HKRITA) [©H&M Foundation]

O plano, batizado Planet First, dá continuidade à parceria já estabelecida nos últimos quatro anos e fará com que a Fundação H&M aumente o compromisso financeiro para os 12 milhões de dólares (aproximadamente 10 milhões de euros). Neste âmbito, o HKRITA vai conduzir investigações que permitam melhorar as tecnologias atuais e desenvolver novas, trabalhando em conjunto com a fundação para comercializá-las.

Os projetos de investigação vão continuar a receber apoio do Fundo de Inovação e Tecnologia do governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong.

As tecnologias estão já a ser testadas, incluindo uma nova avaliação do impacto ambiental do tratamento de separação hidrotérmica (denominado Green Machine), uma das tecnologias desenvolvidas ao longo da primeira parceria, em 2018, que está a ser analisada para quantificar os impactos ambientais em toda a cadeia de aprovisionamento e, em última instância, vai ajudar a promover a implementação desta tecnologia.

A Green Machine tem estado a operar com cerca de 150 quilos por dia e, dentro de um mês, o segundo sistema à escala industrial estará operacional com uma produção diária a rondar as 1,5 toneladas.

O pó de celulose gerado pela Green Machine é considerado limpo e isento de substâncias tóxicas. A equipa de investigação, juntamente com a produtora japonesa de fibras Daiwabo Rayon, está a testar a sua aplicação no fabrico de vestuário. Além disso, este pó de celulose, com excelentes propriedades de absorção, pode revelar-se interessante para fins agrícolas. Em conjunto com a produtora de vestuário indiana Shahi foi já efetuado um ensaio bem sucedido com produtores de algodão. «Não sabemos como será uma indústria de moda positiva para o planeta, ninguém sabe. Este objetivo é direcional e requer inovação e pensamento fora da caixa em cada etapa da cadeia de valor da moda», afirma Erik Bang, diretor de inovação da Fundação H&M, citado pelo just-style.com.

Partilhar soluções e novas descobertas

Segundo Edwin Keh, CEO do HKRITA, o objetivo da parceira é encontrar tecnologias e soluções que possam ser partilhadas com a indústria, para garantir uma rápida transição para a escala industrial e um impacto positivo. «Até onde sabemos, este é o programa mais ambicioso deste tipo, planeado para avançar a agulha nesta indústria», acredita.

[©Fibre2Fashion]
Os progressos tecnológicos alcançados na primeira parceria incluem o primeiro modelo de retalho do Garment to Garment Recycling System (G2G) na H&M de Estocolmo e a aplicação comercial da tecnologia de tratamento de separação hidrotérmica na mais recente coleção da Monki.

Algumas das mais recentes descobertas de tecnologia sustentável no projeto Planet First incluem têxteis de celulose para captura de dióxido de carbono (CO2), de modo a desenvolver um fio celulósico, com grupo amina, capaz de capturar e absorver CO2 e o correspondente sistema eficaz de libertação de CO2, e a bio-remoção de indigo do denim através de macroalgas, para desenvolver uma alternativa de base biológica para remover o corante das águas residuais mediante a fotossíntese e outras reações biológicas de macroalgas.

A parceria entre a Fundação H&M e o HKRITA está igualmente a desenvolver novos tipos de materiais e soluções, como por exemplo uma t-shirt com um material que absorve CO2 durante o uso, que deverá chegar ao mercado no próximo ano «Vemos isso como uma forma de não só fazer com que a nossa indústria seja neutra em carbono, mas de avançar para o carbono negativo», explica Edwin Keh, que adianta ainda que o trabalho futuro incluirá investigação com foco em soluções biológicas para a reciclagem, a separação de materiais e o desenvolvimento de novos materiais.

«Velocidade, impacto e escala vão continuar a ser a marca registada de tudo o que fizermos nos próximos cinco anos», sublinha o CEO do HKRITA. Outros trabalhos incluirão investigação em agricultura regenerativa, tratamento de água e processos produtivos, para tentar responder a outras questões na cadeia de valor.

Analisar resultados e resolver problemas

O HKRITA e a Fundação H&M contrataram a consultora PIE Strategy para realizar, durante três meses, uma avaliação comparativa do impacto ambiental do tratamento tratamento de separação hidrotérmica. O relatório completo proporcionará, no primeiro trimestre de 2021, uma visão abrangente dos benefícios ambientais da tecnologia usada ao longo de todo o ciclo de vida de uma peça de vestuário.

[©Ecotextile News]
Uma fábrica, a primeiro do seu género, vai ser instalada em Hong Kong, onde inovadores, investigadores, fornecedores e marcas poderão encontrar-se, testar novas ideias e escalar mais rapidamente. Com este projeto, ambos parceiros pretendem oferecer uma solução para uma das atuais problemáticas dos inovadores: acesso a equipamentos e à indústria.

Todas as tecnologias e soluções desenvolvidas pelo HKRITA no âmbito desta colaboração estão abertas às partes interessadas para aplicação e comercialização em qualquer mercado do mundo.