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H&M acelera no fim do ano

A retalhista sueca revelou hoje um aumento das vendas de 5% no ano até 30 de novembro, tendo anunciado uma aceleração do crescimento das vendas de 12% no último trimestre. A redução dos preços e das margens estão, contudo, a preocupar os analistas.

«O grupo H&M continuou a crescer globalmente em 2018 numa indústria de moda em rápida mudança», sublinha a retalhista sueca, naquela que é a primeira frase do comunicado de imprensa que dá conta, nos números preliminares de 2018, de um crescimento das vendas, incluindo IVA, de 5%, para 244,26 mil milhões de coroas suecas (cerca de 23,78 mil milhões de euros). As vendas excluindo IVA representaram 210,42 mil milhões de coroas suecas. Em moeda local, as vendas subiram 3%.

Já em termos trimestrais, as vendas excluindo IVA aumentaram 12% entre 1 de setembro e 30 de novembro, para 56,43 mil milhões de coroas suecas, equivalente a um aumento de 6% das vendas em moeda local.

Os resultados trimestrais podem mesmo ser considerados os melhores dos últimos três anos, mas «os analistas afirmam que a grande questão é quanto a retalhista sueca, que enfrenta dificuldades, reduziu os preços das roupas para libertar o excesso de stock», aponta a Bloomberg.

«Não está completamente claro, tendo em conta as comparações mais fáceis com o ano passado, se a H&M está ou não a experienciar uma recuperação provocada pelo produto graças a uma nova gestão dentro do conceito da H&M», explica, à Reuters, Anne Critchlow, analista na Société Générale.

Em novembro, o grupo sueco anunciou mesmo o encerramento da marca Cheap Monday, após uma longa sucessão de vendas e lucros negativos. A H&M, que detém, além da insígnia epónima, a Cos, a Arket e a Monki, indicou que a ação irá permitir dar prioridade ao seu negócio principal.

Embora a H&M tenha remetido os detalhes dos resultados para 31 de janeiro de 2019, altura em que o CEO Karl-Johan Persson e a sua equipa deverão fornecer mais informações aos jornalistas e investidores, dois analistas citados pela Reuters estimam que as vendas comparáveis do grupo sueco tenham crescido 3%.

Retoma no horizonte

Depois das vendas do segundo trimestre terem ficado abaixo das expectativas e as do terceiro trimestre terem recuperado algum do brilho do passado, a retalhista sueca revelou que as novas coleções estavam a ser bem recebidas e que as reduções de preço provavelmente não iriam aumentar no quarto trimestre.

Mas os analistas na Jefferies consideram que ainda «há falta de evidências de que o caminho de recuperação esteja verdadeiramente em curso», acrescentando que uma avaliação completa do progresso terá de aguardar os números finais.

Apesar dos resultados aparentemente positivos, as ações da H&M caíram 5,9% esta segunda-feira de manhã, o que, refere a Bloomberg, surge numa altura em que o sector, no geral, está a sentir as consequências do alerta de lucro emitido pela Asos. A empresa britânica de moda online, que recentemente proibiu a utilização de matérias-primas derivadas de animais, divulgou hoje estar a sentir «uma deterioração significativa» do comércio e que conhece «o crescimento mais fraco nas vendas de vestuário online nos últimos anos».

A maior concorrente da H&M, a Inditex, que tem registado sempre performances muito superiores ao sector em geral, sentiu também o abrandamento do mercado, com as vendas e lucros nos nove meses até outubro a ficarem aquém das expectativas dos analistas.