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H&M cresce mas não convence

A gigante sueca H&M voltou a dececionar o mercado, com o crescimento das vendas a ficar aquém dos esperados dois dígitos em novembro. Sem a desculpa das temperaturas, que têm estado mais de acordo com a estação, a retalhista de moda rápida está a dar sinais que começam a preocupar os analistas.

Em novembro, a H&M registou um aumento de 9% das vendas, um valor significativamente abaixo das expectativas dos analistas, que, segundo uma sondagem da Reuters, antecipavam um crescimento de 15%, apoiado numa maior procura de vestuário de inverno.

Os resultados preliminares apresentados pela retalhista sueca lançaram, por isso, algumas dúvidas sobre a recuperação conseguida no negócio, depois de anos de margens reduzidas e vários trimestres em que reportou lucros mais baixos.

No último ano, a H&M tem vindo a culpar as vendas abaixo das expectativas com a inconsistência do clima, como em setembro, quando o crescimento estagnou em apenas 1% após um início mais quente do outono na Europa. Em outubro, o crescimento recuperou para 10%.

Alguns analistas mostram-se cada vez mais preocupados com a possibilidade da H&M estar a enfrentar questões estruturais de fundo, como uma maior concorrência e a necessidade de acelerar a sua cadeia de aprovisionamento. «Em novembro, o mercado de vestuário na Europa de Norte e Ocidental deve ter dado apoio, beneficiando de temperaturas mais frias em comparação com o ano passado», afirma a analista da SocGen, Anne Critchlow, citada pela Reuters. «Resta saber se a H&M consegue acelerar as vendas no primeiro mês do seu novo ano fiscal, em dezembro, ou se as tendências de abrandamento das vendas vão levar novamente a mais descontos no primeiro trimestre, até ao fim de fevereiro», acrescenta.

Novembro foi o último mês do ano fiscal da empresa, que entre 1 de dezembro de 2015 e 30 de novembro de 2016 conheceu um aumento das vendas de 7% em moeda local, de acordo com um comunicado publicado no website do grupo, assinado pelo CEO Karl-Johan Persson. Na conversão para coroas suecas, as vendas (com IVA) neste período subiram 6%, para 220,8 mil milhões de coroas suecas (cerca de 22,6 mil milhões de euros).

O comunicado da Hennes & Mauritz revela ainda que, a 30 de novembro de 2016, a H&M contabilizava 4.351 lojas, em comparação com 3.924 lojas a 30 de novembro de 2015, o que representa um aumento de 427 lojas.

A H&M e alguns rivais têm registado uma performance mais fraca do que a líder de mercado Inditex, em parte porque a dona das lojas Zara tem uma cadeia de aprovisionamento que lhe permite reagir mais rapidamente às mudanças na procura, tornando-a menos exposta a variações meteorológicas. Nos primeiros nove meses do ano fiscal, a Inditex evidenciou um crescimento de 11% das vendas, para 16,4 mil milhões de euros, com o lucro a aumentar 9%, para 2,2 mil milhões de euros (ver Inditex com prego a fundo).