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H&M e o salário (in)justo

A retalhista de moda sueca acaba de anunciar uma nova parceria de luxo, desta feita com a Moschino. Mas nem tudo são boas notícias, já que Clean Clothes Campaign aponta o dedo à H&M por esta ter feito «afirmações arrojadas» no seu mais recente relatório de sustentabilidade.

Na semana passada, a H&M publicou o seu relatório de sustentabilidade referente ao ano de 2017. O documento detalha os progressos realizados pela retalhista sueca em áreas como a economia circular, a inovação no campo da sustentabilidade e a promoção do salário justo e trabalho digno.

No entanto, noticia o just-style.com, o grupo de defesa dos direitos dos trabalhadores Clean Clothes Campaign considera o relatório «dececionante», refutando as «declarações de autossatisfação» contidas no documento.

Em particular, a Clean Clothes Campaign foca o compromisso da retalhista com o pagamento de um salário justo. No relatório, a H&M revela ter iniciado a sua estratégia global em 2013, definindo metas para garantir que os seus fornecedores, representando 50% do volume de produção, implementassem medidas de salário justo até 2018 e que 90% dos parceiros considerassem o grupo H&M como parceiro comercial justo até 2018.

A Clean Clothes, no entanto, assegura que a retalhista sueca tem «reformulado e diluído continuamente» o seu compromisso.

«Aparentemente, a H&M deixou de se importar com os valores salariais que realmente chegam aos bolsos dos trabalhadores», afirma David Hachfeld da suíça Public Eye, acrescentando que «a H&M está, inclusivamente, menos transparente, o que contradiz diretamente a promessa feita em 2013 de informar sobre os progressos alcançados».

O grupo de trabalho observa que os dados sobre a média de salários nas fábricas dos fornecedores da cadeia de moda rápida não se encontram no relatório. «Não há, portanto, forma de determinar se os trabalhadores de vestuário estão realmente a ganhar mais», assegura Maria Sjödin, da Clean Clothes Campaign.

A Clean Clothes refere que, no compromisso de 2013, a H&M prometeu garantir que os valores pagos aos seus fornecedores iriam permitir que estes pagassem salários justos aos trabalhadores. Porém, o relatório de 2017 não deu «informações claras sobre se a H&M adaptou as práticas de compra para permitir salários mais altos». «As medidas poderiam incluir recompensar as fábricas dispostas a aumentar os salários com encomendas maiores», esclarece a CCC.

Ambições mantêm-se

Já um porta-voz da retalhista sueca garante que o tamanho e o alcance do compromisso da H&M são os mesmos de 2013, quando a empresa lançou a estratégia.

«A nossa meta para 2018 é que a maioria dos nossos fornecedores (representando 50% do volume de produção) tenha representantes de trabalhadores eleitos democraticamente, assim como sistemas salariais estáveis e transparentes, garantindo que os salários correspondem às competências, experiência e performance do trabalhador. Além disso, os trabalhadores devem estar cientes dos seus direitos e obrigações. Estamos confiantes de que atingiremos a nossa meta até ao final de 2018», adianta.

O porta-voz destaca também as colaborações da H&M com a IndustriALL dentro do Global Framework Agreement da empresa. «Igualmente importante é o compromisso dos representantes políticos nos mercados de sourcing», aponta. «Os governos estabelecem salários mínimos, decidem sobre leis laborais e revisões salariais. Com o nosso tamanho e através da nossa colaboração com outras marcas, podemos dialogar com eles», afirma.

Nova parceria com a Moschino

Dentro de uma espiral de más notícias – das vendas em queda (ver H&M começa o ano com pé esquerdo) aos fantasmas da cadeia de aprovisionamento –, a H&M conseguiu, esta semana, dar uma boa-nova aos mercados, desvendando a nova aliança criativa com a Moschino, cujos destinos criativos são conduzidos pelo designer Jeremy Scott.

Em comunicado, a H&M reconhece que a Moschino «recebeu uma nova injeção de energia pop desde que Jeremy Soctt se tornou o seu diretor criativo».

O anúncio foi feito em pleno festival Coachella, através de uma ligação em direto da modelo Gigi Hadid para o diretor criativo da Moschino, transmitida na rede social Instagram – ambos vestiam peças da nova colaboração da retalhista sueca com a marca de luxo, aguçando assim o apetite dos consumidores. Para já, ainda se sabe muito pouco sobre a coleção, apenas que se trata de peças para homem e mulher, uma linha de acessórios e mais algumas surpresas.

No entanto, a coleção só estará à venda a partir de 8 de novembro, em lojas selecionadas. Em Portugal, a colaboração vai estar disponível apenas na loja H&M do Chiado, em Lisboa.

Diretor criativo da Moschino desde 2013, Jeremy Scott é conhecido pela apropriação de símbolos da cena pop e da sociedade de consumo, tendo desenvolvido coleções com o logótipo da McDonald’s, inspiradas pela Barbie e pelo SpongeBob.

A última colaboração da H&M aproximou os estampados florais da Erdem do consumo em massa (ver H&M floresce com a Erdem). A coleção Erdem x H&M ofereceu vestuário feminino, uma gama de acessórios e, pela primeira vez, uma linha para homem, tendo esgotou em dois dias.