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H&M em expansão

Na recente apresentação dos resultados da retalhista sueca, o diretor-executivo, Karl-Johan Persson, revelou que a inflação dos custos foi maior no quarto trimestre, uma tendência que espera que continue no primeiro trimestre. Isso afetou as margens brutas no trimestre, que desceram de 60,8% para 60,4% em comparação com o ano anterior, abaixo das expectativas generalizadas. Outros fatores externos também contribuíram para esta redução, incluindo os custos das matérias-primas, capacidade dos fornecedores, custos de transportes e câmbios. «Como sempre há desafios eternos que nos afetam. O dólar americano recentemente valorizou significativamente em comparação com a maior parte das moedas, incluindo o euro. A valorização do dólar irá significar gradualmente custos mais elevados nas compras para o sourcing nos próximos trimestres. A H&M vai continuar a assegurar-se que temos a melhor oferta para o consumidor em cada mercado, em termos de moda, qualidade, preço e sustentabilidade», afirmou Persson aos analistas. A inflação dos custos, contudo, tem também as suas vantagens. «Queremos que toda a gente seja capaz de viver com o seu salário. E estamos a ver isso a levar a efeitos positivos em termos de qualidade, eficiência, etc., o que é uma coisa fantástica. Os tecidos estão talvez um pouco em baixa, mas não tanto como se pode pensar porque também temos as questões ambientais. Mas no geral, é tudo muito difícil, claro, sobretudo por causa da valorização do dólar», sublinhou. Questionado sobre se a H&M vai aumentar os preços no retalho como forma de compensar a pressão nos custos de sourcing, Persson reconheceu que os mesmos podem ter de flutuar. «Continuamos a monitorizar os preços em todos os nossos mercados. Às vezes é para cima, outras é para baixo. Queremos sempre ter a melhor oferta em cada mercado e nada é diferente agora», afirmou. Para além de ter revelado um aumento de 17% nas vendas do quarto trimestre e de 12% no lucro, a retalhista confirmou que planeia lançar uma oferta online para a sua marca H&M em nove novos países em 2015 e abrir 400 novas lojas. Os novos mercados este ano serão Taiwan, Peru, Macau, África do Sul e Índia. A maior expansão terá lugar, contudo, em mercados atuais como a China e os EUA. A expansão irá ainda prosseguir para as marcas mais jovens do grupo sueco, incluindo a COS, Monki, Weekday, Cheap Monday e & Other Stories. Atualmente, a H&M opera cerca de 3.500 lojas em 55 países. Em 2014, a retalhista abriu 375 novas lojas e Persson disse aos analistas que o objetivo é aumentar o número de lojas em 1015% ao ano no futuro. Os dois novos mercados abertos em 2014 – Austrália e Filipinas – tiveram uma boa recetividade por parte dos consumidores, segundo Persson, que acrescenta que «oferecem um enorme potencial para maior expansão». A Alemanha continua a ser o maior mercado do grupo, com 440 lojas H&M e vendas de 35 mil milhões de coroas suecas (3,95 mil milhões de euros) no ano passado, seguida dos EUA, graças a uma forte contribuição das vendas online. O Reino Unido é o terceiro maior mercado da H&M, mas a China foi o mercado com maior expansão em 2014. A retalhista entrou na China em 2007 e no ano passado contava aí 291 lojas, tornando-se o quinto maior mercado da H&M, tendo ultrapassado a Suécia em apenas alguns anos. Persson está confiante que existe mais espaço para crescer aí. «Temos dito todos os anos que estamos muito satisfeitos com o nosso desenvolvimento na China. Vemos um claro potencial para crescer muitas, muitas lojas. Tem uma grande população e, como sabem, a classe média na China está crescer rapidamente. Quanto mais lojas abrimos, mais a marca fica mais forte», referiu. Os planos da H&M para 2015 passam também pelo retalho online, que teve uma expansão «rápida» em 2014, com lançamentos bem sucedidos em quatro novos mercados: França, Itália, Espanha e China. «Em paralelo continuamos a investir na loja online em atuais mercados para melhorar a experiência de consumo para os nossos consumidores», explicou. A retalhista planeia lançar a H&M.com em mais nove mercados em 2015, incluindo Portugal, mas também Bélgica, Bulgária, Eslováquia, Hungria, Polónia, República Checa, Roménia e Suíça. Há ainda planos em curso para aumentar a linha de vestuário de desporto e calçado. A H&M Sport foi lançada no início de 2014 e no outono a sua linha de calçado expandida foi gradualmente lançada em lojas selecionadas e online. «O resultado tem sido muito positivo, por isso pretendemos lançar [a H&M Sport] noutros países e online em 2015. O mesmo acontece com a nossa gama alargada de calçado. Planeamos lança-la noutras lojas e países este ano e, claro, online», concluiu.