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H&M falha expectativas

Em maio, o grupo Hennes & Mauritz registou uma desaceleração nas vendas mais acentuada do que o esperado pelos analistas. A segunda maior retalhista de moda do mundo justificou a fraca performance com o ambiente de retalho hostil para o retalho na Europa.

Depois de décadas de forte crescimento, a H&M falhou várias vezes as previsões dos analistas no ano passado, enquanto os seus lucros iam sofrendo pressões devido ao forte investimento e à concorrência feroz de rivais de baixo preço e novos atores online.

«Na primeira metade do mês, as vendas foram afetadas por condições de mercado difíceis em vários países», afirmou, em comunicado, o grupo que detém também as marcas Cos e &Other Stories, entre outras, sobre os resultados de maio. No entanto, «as vendas melhoraram consideravelmente na segunda metade do mês», acrescentou.

O grupo Hennes & Mauritz anunciou um crescimento comparável de 4% nas vendas em moeda local para maio, falhando a previsão média de crescimento de 6% antecipada pelos analistas.

Na sombra da Inditex

O grupo Inditex, que também acaba de revelar os seus mais recentes resultados (ver Inditex soma e segue), superou a H&M e outros rivais ao longo dos últimos anos graças ao forte investimento no comércio eletrónico e ao seu modelo flexível de moda rápida. Porém, ainda que a líder de mercado tenha apresentado um crescimento de 18% nos lucros do primeiro trimestre, não deixou de ressentir o crescimento mais lento nas vendas em maio. Ainda assim, as ações da H&M caíram 16%, enquanto na Inditex o movimento foi ascendente, com um crescimento de 9%.

«A H&M tem vindo a falhar as expectativas do mercado sobre as tendências de vendas há muitos meses», reconheceu Anne Critchlow, analista do Société Générale, em declarações à Reuters. «O mercado de moda jovem, no qual o conceito da H&M se posiciona, é muito difícil, como já vimos nos relatórios de vendas recentes e na queda de lucros em cadeias no Reino Unido, como a New Look e o Arcadia», acrescentou.

Maio é o último mês do segundo trimestre fiscal do grupo e a H&M adiantou que as vendas trimestrais líquidas atingiram os 51,4 mil milhões de coroas suecas (aproximadamente 5,3 mil milhões de euros) no período, face aos 46,9 mil milhões do ano passado, mas abaixo dos 51,9 mil milhões esperados pelos analistas.

Entretanto, os acionistas do grupo Hennes & Mauritz viram, até agora, o valor de seu investimento cair 18% este ano (ver Vendas da H&M em queda).

Nova marca

Há algumas semanas apenas, o grupo H&M anunciou a abertura da segunda loja da nova marca Arket, em Londres, na área comercial de Covent Garden. O anúncio chegou ainda antes da primeira loja Arket ter aberto portas na capital britânica, em Regent Street.

A retalhista sueca anunciou o lançamento da nova marca em março (ver H&M apresenta Arket), referindo que o plano era abrir lojas Arket em cidades europeias selecionadas no outono de 2017. O produto Arket terá um preço ligeiramente superior ao da marca H&M, com as camisas masculinas, por exemplo, a custarem entre os 39 e os 115 euros. A aposta na Arket faz parte dos planos previamente anunciados pela H&M de «lançar uma ou duas marcas novas em 2017» e surge num momento de expansão para a segunda maior retalhista de vestuário do mundo, depois da Zara.

O grupo H&M deverá abrir 430 novas lojas este ano, incluindo pontos de venda no Cazaquistão, Colômbia, Islândia, Vietname e Geórgia. A Arket é também parte integrante de uma estratégia mais vasta para o grupo expandir o seu raio de ação e melhorar os serviços online, numa tentativa de recuperar a quota de mercado perdida.