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H&M incorre em risco

Os retalhistas em todo o mundo estão preocupados com a possibilidade de conseguirem repassar os actuais aumentos de custos, numa altura em que muitos consumidores estão a ser afectados pelas medidas de austeridade por parte dos governos que tentam conter o défice orçamental. O aumento nos preços do algodão, devido a restrições na oferta, está a aumentar a pressão sobre o sector de vestuário mundial e muitas empresas de vestuário já anunciaram planos para repassar a inflação de custos para os clientes. A H&M, terceira maior empresa em vendas de retalho de moda do mundo, está a ser mais atingida do que outras, como a arqui-rival Inditex, devido aos crescentes custos laborais na Ásia, onde compra uma maior proporção dos seus produtos. Mas a H&M, que tem mais de 2.000 lojas em 37 países, lançou cortes de preços no Verão passado para aumentar a competitividade e permaneceu silenciosa em relação a quaisquer alterações na estratégia de preços. As expectativas do mercado para o quarto trimestre da H&M e nos lucros de 2011 arrefeceram depois do relatório do terceiro trimestre, que apresentou maiores custos de transporte e matérias-primas, juntamente com a redução na capacidade de reposição e taxas de câmbio menos favoráveis. As acções da H&M, que tinham até então beneficiado de uma recuperação global, à medida que os consumidores voltavam às lojas, caíram quase 15% a partir de um recorde de 261 coroas suecas, em Setembro. Os analistas esperam que a pressão sobre as margens brutas afecte negativamente os lucros em 2011. A margem bruta da H&M, que tem crescido constantemente desde 2001, numa base anual, deverá encolher dos 66,7% registados um ano antes para os 63,7% no quarto trimestre fiscal, de acordo com uma pesquisa da Reuters. Estas margens podem ser afectadas pelas taxas cambiais, diminuição de preços no retalho e aumento nos custos das matérias-primas e outros factores de produção. A pressão sobre as margens brutas pode, no entanto, ser temporária, já que alguns dos factores podem inverter a tendência à medida que se aproxima o ano 2012. A H&M revela geralmente os planos de expansão para o próximo ano, no seu relatório de final de ano. No Outono, a retalhista reduziu os seus planos para novas lojas em 2009/10, apontando como causa os projectos parados de centros comerciais no Sul da Europa. Por outro lado, a Inditex, o principal retalhista de vestuário do mundo, apresentou em meados de Dezembro lucros auspiciosos no terceiro trimestre do ano passado, impulsionados pelo desenvolvimento e crescimento do mercado e pela abertura de novas lojas.