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H&M lança Arket na China

A retalhista sueca, que continua focada no uso de materiais reciclados, planeia inaugurar a primeira loja Arket na China. Com o impacto da pandemia sentido no quarto trimestre, a H&M anunciou que vai fechar 350 lojas, mas conta ainda abrir 100 ao longo do corrente ano.

[©H&M]

Pequim está na mira da gigante de moda sueca que, depois de avaliar a experiência com uma loja no Tmall e num miniprograma WeChat, pretende abrir uma loja Arket. «A nova loja dá-nos a oportunidade de dar as boas-vindas às pessoas ao nosso mundo e convidá-las a experimentar a rica diversidade das nossas coleções – desde tecidos e designs de moda lindamente feitos a interiores inspirados na natureza, roupas infantis sustentáveis ​​e cozinha sueca contemporânea», explica Pernilla Wohlfahrt, diretora-geral da Arket.

Atualmente, 1.800, ou 36%, das cinco mil lojas globais do grupo estão encerradas, o que deverá provocar uma redução das vendas líquidas de 23% nos dois primeiros meses do primeiro trimestre fiscal de 2021, avança o Sourcing Journal.

Além disso, a H&M revela ter simplificado a faturação e o processo de pagamento com base nos volumes de compra de 2020, esperando, por isso, libertar 1,20 mil milhões de dólares (99 milhões de euros) em 2021. Uma vez mais, a retalhista sueca enfatiza o facto de pretender financiar uma transição acelerada para materiais reciclados. «A meta da H&M é que 100% dos materiais usados ​​nos produtos sejam reciclados ou provenientes de outras fontes mais sustentáveis ​​até 2030. Em 2025, pelo menos 30% serão materiais reciclados», garante a empresa de moda.

Segundo a H&M, o acordo com os bancos faz com que a retalhista possa pagar aos fornecedores antes da data de vencimento da fatura. «O programa foi bem recebido nos mercados em que foi implementado até o momento [e onde a maioria dos fornecedores optou por participar]», explica.

Com presença física e digital, a retalhista irá prosseguir com o encerramento de 350 lojas e a abertura de 100, com os fechos a afetar os mercados já estabelecidos. Quanto aos novos espaços, concentrar-se-ão em mercados em crescimento. Neste sentido, a H&M planeia inaugurar a primeira loja no Panamá no segundo semestre do ano.

Helena Helmersson [©H&M]
Em 2020, a gigante sueca encerrou as portas de 187 espaços físicos e abriu 129 novos pontos de venda. «O grupo H&M continua forte depois de todos os desafios provocados pela pandemia. Graças às coleções muito apreciadas, ao crescimento online rápido e lucrativo e ao controlo rigoroso de custos, a empresa conseguiu encerrar o ano com lucro e numa posição financeira sólida», adianta a CEO Helena Helmersson. «As nossas medidas para mitigar os efeitos negativos das restrições e dos encerramentos continuam», destaca ainda ao salientar um «ambiente altamente desafiante».

Resultados em desaceleração

Como muitos outros negócios, as vendas líquidas da H&M referentes ao quarto trimestre, encerrado a 30 de novembro, desceram 15%, dos 7,40 mil milhões para os 6,31 mil milhões de dólares. Em sentido oposto, as vendas online evidenciaram um crescimento de 50% na moeda local durante o mesmo período.

Após o primeiro impacto, houve uma «forte recuperação», que foi «significativamente desacelerada» com as novas restrições da segunda vaga de Covid-19, que levaram ao encerramento de cerca de 20% das lojas da retalhista durante esse período. A margem bruta do trimestre foi de 52,1%, indica a H&M.

Para o ano fiscal, as vendas líquidas registaram um declínio de 20% dos 27,94 mil milhões de dólares verificados em 2019 para os 22,45 mil milhões de dólares. As vendas online, por sua lado, aumentaram 38% na moeda local, o que representa 28% das vendas totais do grupo.

[©H&M]
No que diz respeito ao lucro, os ganhos baixaram 41% para 298,3 mil milhões de dólares, em comparação com os 505,5 mil milhões obtidos em igual período do ano anterior.

No final do trimestre, a liquidez foi «muito boa», totalizando os 1,99 mil milhões de dólares, face aos 1,48 mil milhões de dólares registados no período homólogo do exercício anterior.

De acordo com a análise, a H&M vai aumentar os investimentos digitais e as vendas de 10% a 15% ao ano, na moeda local. «As restrições em vigor, juntamente com os muitos encerramentos temporários de lojas, vão ter um impacto negativo significativo no primeiro trimestre», refere.

Como consequência da nova realidade, os lucros baixaram quase 91%, para os 149 mil milhões de dólares, em relação aos 1,61 mil milhões de dólares de há um ano. «As iniciativas e investimentos de transformação nos últimos anos, com foco no digital, foram especialmente importantes para gerir a crise e este trabalho continua a todo vapor. Os clientes querem encontrar-nos onde, quando e como quiserem – nas lojas, nos nossos websites, nos mercados digitais e nas redes sociais», aponta a CEO. «[Os consumidores] estão a mostrar-nos, claramente, que apreciam uma experiência conveniente e inspiradora, na qual os canais interagem e se fortalecem. Continuamos as nossas iniciativas de crescimento digital, integração dos canais e otimização do portfólio de lojas. Velocidade e flexibilidade serão ainda mais importantes no futuro, especialmente na cadeia de aprovisionamento, para garantir a melhor oferta ao cliente e aumentar a disponibilidade em todos os canais», admite Helena Helmersson.

Mesmo com o foco na reação à crise pandémica, a sustentabilidade continuar a ser um grande objetivo. «O foco da H&M continua no desenvolvimento de marcas fortes e exclusivas para oferecer a melhor combinação de moda, qualidade, preço e sustentabilidade. A percentagem de materiais reciclados e sustentáveis ​​nas coleções está a aumentar de forma consistente e as nossas marcas estão a oferecer uma gama cada vez maior de serviços para um estilo de vida mais sustentável. Juntamente com as nossas iniciativas de transformação, isso vai ajudar a aumentar a nossa resiliência e adaptação, o que contribuirá para o crescimento sustentável e lucrativo do grupo H&M», conclui.