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H&M mais transparente

A marca sueca publicou recentemente o Relatório de Sustentabilidade relativo ao ano de 2014, no qual revela os objetivos alcançados nos últimos 12 meses, contemplando o lançamento de um novo roteiro de bem-estar animal e a intenção de utilizar apenas lã certificada até 2018 e plumas e pelos igualmente certificados a partir de 2016. A H&M pretende, também, reduzir o impacto climático, utilizando apenas energia renovável sempre que possível até ao final de 2015, triplicando o seu uso face aos valores atuais de 80% até o final do ano.

Desde o ano passado, a H&M mais do que duplicou as doações para a iniciativa de vestuário coletivo. Em 2014, foram angariadas mais de 7.684 toneladas de tecidos, o equivalente a 38 milhões de t-shirts, e a nova meta estabelecida inclui o aumento do número de produtos fabricados a partir de fibras recicláveis em pelo menos 300%.

A retalhista de moda aderiu, também, a um acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), tendo em vista o fortalecimento de negociações justas e melhoria das condições de trabalho na indústria de vestuário mundial, complementados pela ampliação da lista pública das fábricas que aprovisionam os fornecedores da marca.

Longa lista de fornecedores
Descrito como «mais um passo importante» na transparência da cadeia de aprovisionamento, a ampliação da lista de fornecedores publicamente divulgada inclui, agora, fornecedores de segunda camada, focando-se nas mais importantes unidades de produção de fios e tecidos que abastecem as fábricas da marca sueca.

«Publicando a nossa lista de fábricas dos fornecedores, reforçamos a sustentabilidade do desempenho dos nossos fornecedores e incentivamos à aplicação de melhorias suplementares», afirma a H&M no relatório sobre práticas conscientes. «De igual forma, estimulamos os nossos fornecedores a relatarem os seus impactos sociais e ambientais publicamente e [incentivamos a que] se envolvam com as entidades locais interessadas diretamente».

A empresa refere ainda que «a transparência é essencial à gestão da cadeia de aprovisionamento e poderá ser um catalisador de mudanças positivas. Fomos uma das primeiras marcas de moda a publicar a lista das fábricas dos fornecedores, abrangendo quase 100% do nosso volume de produção, incluindo fábricas que são subcontratadas pelos nossos fornecedores para tarefas específicas».

«Estamos agora a dar um passo suplementar e somos a primeira grande marca de moda a divulgar os nomes e localizações das fábricas mais importantes que abastecem os nossos fornecedores com fios e tecidos, correspondendo a cerca de 35% dos nossos artigos. Esperamos que isto continue a promover a transparência e a mudança positiva na nossa indústria», acrescenta.

Rumo a salários dignos
Apesar dos «desenvolvimentos positivos em várias frentes», a H&H tem sido criticada por grupos de defesa dos direitos laborais pela morosidade na aplicação de medidas de fomento à adoção de salários dignos na sua cadeia de aprovisionamento.

A retalhista de moda tem estado a testar o denominado “Método Salário Justo” (Fair Wage Method na designação original), desenvolvido pela plataforma independente Fair Wage Network, em três fábricas modelo – duas no Bangladesh e uma no Camboja.

«Embora estejamos ainda no início do processo, os resultados iniciais provenientes da avaliação da primeira fábrica são promissores», revela a H&M. «O tempo de trabalho suplementar foi reduzido em 40%, os salários subiram, as estruturas foram melhoradas, assim como o diálogo entre gerentes e trabalhadores. Em simultâneo, a produtividade também aumentou».

A H&M admite a intenção de expandir este processo a todos os seus fornecedores estratégicos até 2018, endereçando já 60 do total no decorrer de 2015.

O CEO Karl Johan Persson destaca que «continuamos, também, o nosso diálogo com os governos. Eles precisam de ser incluídos, por exemplo no ajuste regulamentar do salário mínimo e na criação de uma moldura legal para processos de negociação justos e funcionais».

Os progressos alcançados têm sido, no entanto, recebidos com criticismo por parte da Clean Clothes Campaign (CCC), que exige à H&M a apresentação de provas que suportem as alegadas iniciativas de estímulo à aplicação de um salário justo, adiantando que a capitalização destas alegações no âmbito de uma campanha de marketing, sem provas que a suportem, é antiético e contribui para o abrandamento do progresso na indústria.

«Apesar de anunciar projetos de parceria com a OIT, programas de educação em conjunto com sindicatos suecos e promover massivamente uma retórica sobre os salários justos, a H&M, até ao momento, apresentou poucos resultados concretos que certificam o progresso feito para um salário digno», disse Carin Leffler, representante da CCC.

As críticas suplementares direcionadas à atuação da H&M pela CCC incluem a não enunciação de um valor concreto que defina o seu compromisso no que diz respeito à implementação de um salário justo e a opção tomada pela marca de iniciar o projeto piloto em fábricas nas quais detém a totalidade da produção.