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H&M otimista apesar dos desafios

É um sentimento agridoce aquele que percorre atualmente os executivos da retalhista sueca. Os resultados semestrais, apresentados oficialmente, confirmaram as dificuldades da H&M no que diz respeito às vendas, mas o CEO Karl-Johan Persson acredita que o negócio está a ir pelo caminho certo.

Karl-Johan Persson não escondeu que as vendas do primeiro semestre «não foram satisfatórias», mas acredita que é apenas o resultado de um período de transformação que «temporariamente» afetou os resultados. «Como já tínhamos referido, seria um primeiro semestre difícil», afirmou o CEO durante a apresentação oficial dos resultados. «Entrámos no segundo trimestre com demasiado stock e ainda tínhamos alguns desequilíbrios no sortido da H&M – algo que estamos gradualmente a corrigir», acrescentou.

Tal como já tinha sido anunciado (ver H&M volta a desiludir), as vendas da retalhista sueca praticamente estagnaram nos primeiros seis meses do ano fiscal (entre 1 de dezembro de 2017 e 31 de maio de 2018). Excluindo IVA, as vendas atingiram 98,17 mil milhões de coroas suecas (9,39 mil milhões de euros), em comparação com 98,37 mil milhões de coroas suecas no período homólogo, enquanto o lucro líquido baixou para 7,28 mil milhões de coroas suecas, em comparação com os 10,92 mil milhões de coroas suecas no mesmo período do ano passado.

A H&M tem-se debatido com o abrandamento das vendas e a redução dos lucros nos últimos anos, resultado de uma quebra no tráfego em loja provocada pela mudança nos hábitos de consumo, algo a que a retalhista sueca ainda não respondeu devidamente.

Por isso mesmo, a H&M identificou agora três áreas de ação, incluindo um maior investimento na cadeia de aprovisionamento e o lançamento da nona marca do grupo, a Afound, que, destacou Persson, na Suécia «tem sido muito bem recebida, tanto em loja como online. A retalhista está ainda a mudar para um novo sistema logístico para melhorar a disponibilidade, rapidez e transparência do stock.

«O que é mais importante é melhorar a oferta e estamos já a ver resultados positivos nas nossas coleções de verão, que já estão a ter vendas melhores do que as coleções correspondentes do ano passado», indicou Karl-Johan Persson aos analistas no passado dia 28 de junho. Além disso, realçou, houve mercados onde os números foram mais positivos, mesmo no primeiro semestre. «Na Suécia, na Noruega, na Dinamarca e na Europa de Leste crescemos consideravelmente mais rápido do que o mercado».

Na antevisão do que poderá esperar a H&M no futuro, o CEO assumiu que a retalhista irá centrar-se no desenvolvimento das suas principais marcas, em particular na epónima H&M, ao mesmo tempo que irá trabalhar para integrar os canais off e online.

O grupo sueco prevê ainda abrir cerca de 390 lojas no total do ano e encerrar 150, resultando num aumento líquido de 240 pontos de venda. «Ainda vemos um grande potencial para novas lojas nos próximos anos, à medida que as nossas novas marcas gradualmente constituem uma parte maior do nosso portefólio de lojas», referiu o CEO.

«Vemos que as coisas estão a ir pelo caminho certo, apesar de continuar a haver muitos desafios e muito trabalho duro para fazer. A primeira metade do ano foi, de alguma forma, mais difícil do que pensámos inicialmente, mas acreditamos que há uma melhoria gradual e que vamos ver um segundo semestre mais forte. Temos uma abordagem a longo prazo e estamos otimistas em relação ao futuro de todo o grupo H&M, com bom crescimento tanto nas vendas como na rentabilidade durante os próximos anos», resumiu Karl-Johan Persson.

Analistas cautelosos

Após a conferência, vários analistas mostraram-se prudentes em relação aos planos e aos resultados futuros da retalhista sueca.

Segundo a Reuters, Cédric Rossi, analista da Bryan Garnier, destacou que «o principal problema continua a ser o aumento imparável do inventário, que implica uma ameaça pendente sobre as margens brutas nos próximos trimestres»

Uma ameaça que Kate Ormrod, analista da GlobalData, citada pelo just-style.com, também refere. «O excesso de stock, como resultado de problemas logísticos mas também de gamas pouco atrativas, afetou a H&M no primeiro semestre, levando a descontos, queda dos lucros e minando a sua oferta a preço completo. Embora as gamas de verão estejam a ser bem recebidas, tornar a sua oferta de produto mais assertiva, sobretudo para o outono-inverno, e adaptar as linhas para responder à procura do consumidor é imperativo para a recuperação», sublinhou.