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H&M perde metade das vendas

No segundo trimestre, a retalhista sueca registou uma queda de 50% nas vendas em comparação com igual período do ano passado. O resultado é melhor do que o antecipado pelos analistas, que preveem uma recuperação gradual, numa altura em que a sustentabilidade ambiental volta a estar em foco na H&M e na moda.

As vendas nos três meses até 31 de maio desceram para 28,7 mil milhões de coroas suecas (cerca de 2,73 mil milhões de euros), um resultado melhor do que o esperado pelos analistas, segundo os dados da Refinitiv citados pela Reuters, que anteviam uma quebra para 27,5 mil milhões de coroas suecas. Já as vendas online subiram 36%. Aliás, em março e abril a baixa das vendas tinha sido de 57%.

A H&M começou a abrir gradualmente as lojas no final de abril, depois de ter encerrado cerca de 80% dos pontos de venda durante o confinamento. «As reaberturas em cada mercado estão em linha com as restrições locais», refere o comunicado da retalhista. Atualmente, cerca de 900 pontos de venda, que representam cerca de 18% das 5.058 lojas, estão ainda encerradas.

Nos primeiros 13 dias de junho, as vendas em moeda local diminuíram 30%, com a H&M a sublinhar que «o ritmo da recuperação das vendas varia muito consoante o mercado».

Cecilia Brännsten

À Reuters, Richard Chamberlain, analista da RBC, afirmou manter-se relativamente prudente nas previsões de margens e inventário, antecipando que as vendas continuem a recuperar gradualmente.

«Em muitos mercados esperamos ver os consumidores preferirem comprar localmente e mais pressão sobre as localizações urbanas, mais dependentes do turismo e da utilização de transportes públicos», explicou.

As ações da H&M, que registou prejuízo pelo segundo trimestre consecutivo, algo que não acontecia há vários anos, desceram 26% no ano até agora.

Antes da pandemia, a H&M estava no bom caminho para acabar com uma série de anos de aumento dos stocks, depois de muitas lojas terem tido dificuldades em lidar com a digitalização e a concorrência mais forte.

Chamberlain apontou que o inventário foi controlado de forma rigorosa durante a pandemia mas estima que tenha aumentado em maio, altura em que os produtos da China e Bangladesh, que tinham sido suspensos, chegaram às lojas.

Recuperação com sustentabilidade

A retalhista, que opera as marcas H&M, Weekday, COS, Arket, Monki, Afound e & Other Stories, juntou-se recentemente à mais recente iniciativa da Ellen MacArthur Foundation, que tem como objetivo responder aos desafios mundiais das mudanças climáticas, resíduos e poluição, durante a recuperação da pandemia.

Para a moda, em particular, o plano é assegurar que as roupas são mais usadas, pensadas para serem reutilizadas e produzidas com materiais renováveis e seguros. «A crise colocou um dedo na vulnerabilidade do atual sistema e enfatiza a importância de uma mudança sistemática», destacou, ao just-style.com, Cecilia Brännsten, diretora de sustentabilidade ambiental da retalhista sueca.

«Temos de usar esta pandemia devastadora para reconstruir de uma forma melhor, para que possamos avançar para uma indústria de moda mais resiliente. Acreditamos que a economia circular será uma das ferramentas mais importantes para fazer isto, tanto para responder à crise climática como para assegurar que criámos uma indústria onde os recursos são tratados de forma responsável e em que não gerámos desperdício», acrescentou.

A iniciativa da Ellen MacArthur Foundation está a ser apoiada também pela Inditex, Stella McCartney, World Wide Fund for Nature (WWF), The Worldwide

Responsible Accredited Production (WRAP), Laudes Foundation e Global Fashion Agenda, assim como pela Nestlé, Unilever, Danone, Coca-Cola, PepsiCo e Banco Barclays.

«Este compromisso é uma enorme oportunidade para juntar forças numa mensagem comum com outras empresas e governos, já que a colaboração será fundamental nesta transição», salientou a diretora de sustentabilidade da H&M.