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H&M premeia inovação

Há cinco ideias inovadoras no campo da sustentabilidade candidatas à segunda edição do galardão Global Change Award (GCA), promovido pela retalhista sueca H&M, e caberá aos votantes online decidir como será distribuído o prémio no valor de um milhão de euros pelos finalistas. A corrida pelo apoio da Fundação H&M prolonga-se até ao dia 2 de abril.

A iniciativa da H&M tem como objetivo estimular ideias que contribuam para o fechar do ciclo na indústria da moda, juntando-se assim às muitas outras atividades que a retalhista sueca tem vindo a desenvolver em prol da sustentabilidade (ver A pegada verde da H&M).

No ano passado, o vestuário obtido a partir de subprodutos cítricos, os micróbios que digeriam resíduos de poliéster e um mercado online para excedentes têxteis foram algumas das ideias disruptivas que dividiram a primeira bolsa pecuniária de um milhão de euros e, este ano, uma votação pública online decidirá como distribuir o mesmo valor pelos cinco finalistas.

«Os desafios transfronteiriços exigem uma abordagem transfronteiriça», afirma Karl Johan Persson, membro do conselho da Fundação H&M e CEO da H&M, em comunicado. «Estou convencido de que ao envolver pessoas de diferentes indústrias, com diferentes origens e perspetivas, podemos fazer uma mudança fundamental, acelerando a transição para uma indústria de moda sem resíduos», explica.

A segunda edição do Global Change Award recebeu 2.883 candidaturas oriundas de 130 países, em comparação com as 2.700 candidaturas de 112 países do ano passado. As cinco inovações mais promissoras foram entretanto escolhidas por um painel de especialistas internacionais. «Num planeta que não é sustentável, toda a indústria deve mudar as suas práticas», defende Ellis Rubinstein, presidente e CEO da Academia de Ciências de Nova Iorque e um dos membros do painel, no mesmo documento. «O Global Change Award é um dos mais ousados esforços para catalisar a transformação numa indústria insustentável e os vencedores encarnam o enorme potencial da ciência e da tecnologia inovadoras para fazer a diferença», acrescenta.

Há candidatos que defendem que os resíduos que sobram das vindimas podem ser transformados em couro, que o estrume de vaca poderá vir a ter uma nova vida ao guarda-roupa ou que o denim usado pode ser reutilizado para o tingimento de novas peças.

Estas são algumas das ideias que vão ser apoiadas pela Fundação H&M com o intuito de as aplicar na prática, mas há mais propostas amigas do ambiente a conhecer:

Têxteis solares

Muitas fibras sintéticas utilizadas no vestuário, como a poliamida, são derivadas do petróleo, através de processos que não só poluem o ar, como são intensivos em termos de energia requerida e emitem gases de efeito estufa. A ideia candidata sugere alterar o processo produtivo da fibra, que vai passar a utilizar apenas água, resíduos vegetais e energia solar. Se o projeto for bem sucedido, o material será idêntico ao existente, mas criado a partir de recursos renováveis ​​e de forma sustentável.

Etiquetas digitais

Classificar e separar a roupa por tipo de material é um dos primeiros passos para que o consumidor saiba o que veste e assim poder reciclar corretamente as peças. Ao anexar uma etiqueta digital a cada peça na fase de produção é possível criar uma “lista de componentes” digitalizada que dá a quem recicla toda a informação necessária. Esta etiqueta recorre à tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID).

Couro de uva

Trata-se do aproveitamento dos resíduos das vindimas para criar couro totalmente vegetal, recorrendo ao uso de resíduos provenientes da produção vitivinícola, como as cascas das uvas. Por isso, trata-se de um novo tipo de couro vegetal que pode ser fabricado sem requerer o mesmo tipo de recursos da produção de couro tradicional. O aproveitamento dos resíduos garante ainda a ausência de quaisquer produtos químicos nocivos durante o processo de transformação.

Tecido feito de estrume de vaca

O estrume é visto por muitos como uma das formas mais repugnantes de resíduos e, devido à agricultura intensiva, contribui para a crise ambiental. No entanto, com esta inovação, o estrume é transformado num material novo valioso, criando um têxtil biodegradável. Através deste processo, a produção de gás metano é reduzida e a contaminação do solo e das águas evitada. A ideia esta já em protótipo e procura agora parcerias para se expandir.

Tingir denim novo com denim velho

É um dos materiais mais usados na indústria, mas o processo de tingimento do denim está ainda longe de ser amigo do ambiente. Não só requer grandes quantidades de água e energia, como produz quantidades significativas de resíduos de corantes que podem contaminar as águas. Esta inovação promete fazer com que os jeans antigos possam ser reduzidos a partículas que podem ser usadas para tingir novas peças. Deste modo, as peças antigas podem ser utilizadas em vez de serem depositadas em aterros, resultando num processo de produção amigo do ambiente.

A 5 de abril, numa gala que terá lugar em Estocolmo, na Suécia, o vencedor será conhecido e, no dia seguinte, os cinco finalistas passam a ter acesso a um acelerador de inovação com duração de um ano.