Início Arquivo

H&M prepara-se para se tornar no gigante europeu de vestuário

No que diz respeito às vendas de 2003/04 a M&S foi o maior retalhista europeu de vestuário seguido de perto pela C&A. No entanto, não existem grandes dúvidas que apesar das recentes iniciativas a M&S tem enfrentado algumas dificuldades. Ambas as empresas não registaram crescimento nas vendas entre 1999 e 2003. No seu último relatório “Clothing Retailing in Europe” a Mintel afirma que a H&M registou um crescimento de mais de 70 por cento durante o mesmo período. Os aumentos nas vendas da H&M têm na realidade sido mais rápidos do que o crescimento do número de lojas. Com uma performance muito mais forte do que tanto a C&A como a M&S não tardará muito até que a H&M seja coroada ‘rainha do vestuário’.

A expressão “fast fashion” tornou-se incontornável no fim dos anos 90 e os intervenientes desta forma de moda tiveram um grande impacto em toda a Europa nos últimos cinco anos. Os dois nomes que mais se destacaram no sector foram a H&M e a Inditex, proprietária da Zara, empresas que também estão entre as mais dinâmicos em termos das suas linhas de fornecimento e número de colecções por época.

Segundo Richard Perks, director da pesquisa de retalho da Mintel, «enquanto muitos jovens retalhistas já seguem este caminho há alguns anos é um fenómeno novo para os que intervêm no mercado intermédio. Retalhistas como a M&S e outros retalhistas de vestuário feminino mais antigos estão agora a renovar a sua cadeia de fornecimento de forma a estar mais aptos a responder às solicitações. Contudo, não se pode negar que a M&S foi simplesmente ultrapassada».

Ao lado da H&M, a Inditex, Espirit e Matalan também sobressaem dos seus paresno que diz respeito aocrescimento das vendas. O que distingue estas cadeias é a sua flexibilidade e velocidade em termos de tempo deste o desenvolvimento do produto até à sua chegada à loja, sendo-lhes possível alterar a mercadoria caso esta pareça não ir de encontro aos interesses do consumidor.

A verdadeira mudança dos últimos anos é que os consumidores mais jovens e interessados em moda já esperam estas técnicas dinâmicas e flexíveis. «A ideia de inovação constante e da introdução de novos produtos mensalmente em vez de apenas sazonalmente equiparou o sector do vestuário a outros sectores de retalho que estão também a tentar atrair os mesmos consumidores», comenta Perks.

Perdas para os especialistas de vestuário

Na grande parte dos países europeus estudados neste relatório os retalhistas especializados em vestuário têm vindo a registar uma queda na sua quota do total de vendas no retalho nos últimos cinco anos.

Tradicionalmente são os jovens que influenciam o mercado de vestuário, mas actualmente os jovens consumidores tornaram-se menos previsíveis e mais inconstantes. As tendências relativamente aos seus gastos e aos gastos em geral mostram que globalmente são os sectores ligados ao lar e à electrónica que mais ganhos alcançaram e conquistaram mesmo uma fatia de todo o mercado de retalho.

Perks explica, «actualmente, existe uma maior variedade de bens e serviços que competem para atrair os jovens consumidores. Os aparelhos electrónicos roubaram indubitavelmente gastos ao sector do vestuário, tornando-se numa nova forma de estar na moda.» Contudo, o sector não tem de enfrentar apenas a competição destes produtos, mas também de outras actividades que cativam estes consumidores: saídas e viagens.

Asda e Tesco arrecadam 5 por cento do mercado de vestuário do Reino Unido

Os especialistas em vestuário continuam a ser responsáveis por mais de 50 por cento dos gastos com vestuário na maior parte dos países europeus. No entanto, muitos países têm vindo a enfrentar a competição por parte de sectores não-especializados que contribuem para a perda da quota de vendas de vestuário no retalho em geral.

O grossista líder do Reino Unido, Tesco, é o retalhista de vestuário número um na República Checa e também um interveniente muito importante na Hungria. A Tesco também afirma ser o retalhista de vestuário que está a crescer mais rapidamente no Reino Unido. Juntamente com o seu rival Wal-Mart, propriedade da Asda, é um dos retalhistas do sector alimentar mais bem sucedido na área do vestuário na Europa.

«A Asda e a Tesco desenvolveram as suas categorias únicas e juntas conseguiram conquistar quase 5 por cento do mercado de vestuário do Reino Unido em 2003 tendo perspectivas de crescer ainda mais. A única barreira é o espaço, não querendo nenhum dos dois sacrificar mais área da superfície dedicada ao seu produto principal, mercearia. Mas os hipermercados e as grandes lojas de mercearia podem disponibilizar grandes quantidades de vestuário e muitas delas têm-se mostrado interessadas em desenvolver outros segmentos oferecendo um preço mais atractivo, um estilo mais moderno e uma imagem de marca mais forte», comenta Richard Perks.

A Alemanha tem o maior mercado

A Alemanha gasta a maior quantia em vestuário sendo o líder deste mercado estimado em quase 60 mil milhões de dólares. Este facto deve-se em grande parte ao número de habitantes já que os gastos em vestuário per capita são relativamente baixos. Segue-se a França com 31 mil milhões e a Espanha com 21 mil milhões, os quais mesmo com estes valores se situam entre os cinco principais.

Perks explica, «a performance económica tem sido muito fraca na Alemanha e os consumidores não têm sido muito activos. Também existe uma predisposição para procurar os preços mais baixos, o que ajuda a impulsionar o mercado de discount e não o mercado de vestuário no seu todo.»

Europa de Leste

Em ternos de potencial futuro os níveis de gastos na República Checa, Polónia e Hungria devem começar a aproximar-se dos outros países europeus.

O acesso à UE deve ajudar a acelerar este processo e a encorajar mais investimentos nos próximos anos. Estes três mercados parecem prontos para um crescimento económico saudável a curto prazo e os gastos no vestuário subirão dos níveis muito baixos registados actualmente.

É interessante observar que o mercado de vestuário na Hungria apresentou a melhor performance em 2003 com uma subida dos gastos em vestuário para um valor estimado de 15 por cento, apesar de uma média inferior per capita relativamente ao contexto europeu. Esta situação sugere simplesmente que ainda existe potencial para que se assista a um crescimento forte neste mercado.