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H&M regressa ao lucro no terceiro trimestre

Uma retoma a níveis superiores ao esperado deverá levar a gigante sueca de retalho de moda a alcançar um lucro antes de impostos superior a 190 mil euros no período entre 1 de junho e 31 de agosto. Um anúncio que surge numa altura em que a H&M está a delinear objetivos de biodiversidade e a cortar relações comerciais na China.

[©H&M]

Os dados preliminares divulgados, esta semana, pela empresa revelam uma queda de 16%, em moeda local, nas vendas do grupo H&M no terceiro trimestre fiscal. Em coroas suecas, os resultados indicam uma descida de 19%, para 50,87 mil milhões de coroas suecas (cerca de 4,89 mil milhões de euros).

«O desenvolvimento das vendas no terceiro trimestre reflete a situação com o Covid-19. No início do trimestre, aproximadamente 900 das mais de 5.000 lojas do grupo estavam temporariamente encerradas. No final do trimestre, apenas pouco mais de 200 lojas continuavam fechadas», refere a retalhista sueca em comunicado.

Apesar disso, a recuperação do grupo está a ser «melhor do que o esperado», algo que, acredita a H&M, se deve a coleções que suscitaram o interesse e a ações rápidas e decisivas. «Mais vendas a preço completo em combinação com um forte controlo de custos permitiram à empresa conseguir já lucro no terceiro trimestre, Os resultados preliminares mostram lucros antes de impostos de aproximadamente 2 mil milhões de coroas suecas», informa.

Os resultados finais do trimestre e dos primeiros nove meses do ano fiscal (entre 1 de dezembro e 31 de agosto de 2020) só serão conhecidos, contudo, a 1 de outubro.

Prioridade à sustentabilidade

O grupo sueco tem também dado mais importância à sustentabilidade e apresentou recentemente dois objetivos na área da biodiversidade: evitar e reduzir o impacto geral da empresa na biodiversidade e ecossistemas naturais na cadeia de valor; e ajudar a proteger e restaurar a biodiversidade e ecossistemas naturais em linha com o que a ciência exige.

Os objetivos foram delineados durante a apresentação do relatório Living Planet Report 2020 do World Wild Fund (WWF), um estudo abrangente de tendências em biodiversidade mundial e saúde do planeta.

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«Uma indústria de moda próspera está inegavelmente dependente de ecossistemas saudáveis e de manter as alterações climáticas dentro de valores seguros para o planeta», afirma Cecilia Brännsten, diretora de sustentabilidade ambiental do grupo H&M. «Quando usamos a terra para cultivar o algodão para fazer as peças de roupa favoritas dos nossos clientes, a agricultura regenerativa é o futuro. Quando lavamos e tingimos os jeans preferidos dos nossos clientes, o solo e a água devem ficar intactos. A nossa ambição de biodiversidade, juntamente com a nossa estratégia climática, irá ajudar-nos no nosso trabalho de aliviar o planeta de pressão crítica, criando uma cadeia de aprovisionamento e um negócio mais resilientes», explica.

A H&M já analisou a sua pegada na biodiversidade e os próximos passos preveem a cooperação com o WWF, trabalhar a estratégia de rastreabilidade da biodiversidade para medir o progresso e participar em fóruns e cooperar com outras organizações nesta área.

«É extremamente importante que os negócios comecem a tomar medidas para lutarem contra a perda de biodiversidade, já que têm um papel forte na redução da curva e no investimento na natureza. Saudamos a abordagem holística da H&M para gerir o seu impacto e dependência da biodiversidade e esperamos que outras empresas sigam o seu exemplo», declara Erika Sundell, diretora de parcerias corporativas na WWF Sweden.

Corte na China

A H&M anunciou ainda, a 15 de setembro, que irá cortar as relações comerciais com a Huafu Fashion, com a qual tinha uma «relação indireta» depois da mesma ter sido acusada pelo Australian Strategic Policy Institute de estar envolvida com trabalho forçado na província de Xinjiang.

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«Embora não haja indicações de trabalho forçado na fábrica de Shangyu [uma fiação na província de Zheijian que fornecia os fornecedores da H&M], decidimos, até termos mais clareza sobre as alegações de trabalho forçado, terminar a nossa relação indireta de negócio com o Huafu Fashion Co, independentemente da unidade e província, nos próximos 12 meses», resume a H&M.

A retalhista sueca adianta ainda que conduziu «um inquérito a todas as confeções de vestuário com quem trabalhamos na China para assegurar que não estão a empregar trabalhadores através do que é referido como programas de transferência de trabalho ou esquemas de emprego onde há um risco maior de trabalho forçado».