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H&M sente o peso do dólar

A Hennes & Mauritz, a segunda maior retalhista de moda do mundo, alertou para um impacto «muito negativo» do aumento dos custos, devido à valorização do dólar, que também afetou os lucros do segundo trimestre da empresa sueca.

In this Wednesday, Dec. 12, 2012, photo, a tank-top made in Bangladesh is displayed in an H&M store in Atlanta. Global clothing brands involved in Bangladesh's troubled garment industry responded in starkly different ways to the building collapse that killed more than 600 people. Some quickly acknowledged their links to the tragedy and promised compensation. Others denied they authorized work at factories in the building even when their labels were found in the rubble. (AP Photo/David Goldman)

A H&M, cujo 80% do fornecimento é proveniente do continente asiático, condicionado por contratos em dólares americanos, e vendendo maioritariamente para a Europa, anunciou que determinados fatores, como o preço das matérias-primas, inflação de custos, capacidade dos fornecedores, moedas de aquisição e custos de transporte, afetaram negativamente a empresa sueca nos últimos três meses.

Em comunicado anunciou que a situação poderá piorar no terceiro e quarto trimestres, devido à valorização do dólar americano. Por oposição a sua maior rival Inditex, proprietária da cadeia Zara, produz o seu vestuário na Europa numa escala muito superior à da H&M.

Investimentos mais elevados
A H&M anunciou, também, que o ritmo de investimentos em áreas como o comércio eletrónico e os novos conceitos de loja, que em 2015 será superior a 2014, poderá ocorrer de forma desigual ao longo dos trimestres restantes. «Embora estes investimentos de longo-prazo envolvam atualmente custos, consideramo-los necessários a fim de construir uma H&M ainda mais forte», afirmoi o presidente-executivo da marca, Karl-Johan Persson, em comunicado.

A margem bruta da H&M no segundo trimestre fiscal, de março a maio, caiu de 60,8% no ano anterior para 59,4%, ficando aquém das previsões dos analistas, numa sondagem realizada pela Reuters que apontava 59,9%. Por sua vez, a Inditex reportou um aumento da margem bruta no primeiro trimestre, encerrado a 30 de abril, fixando-se em 59,4%, face a 58,9% no ano anterior. «Antecipamos uma contração das margens no período remanescente de 2015», revelou Jamie Merriman, analista da Bernstein. O clima excecionalmente frio de primavera em vários dos importantes mercados europeus da empresa e os efeitos negativos de calendário também tiveram um impacto negativo sobre a H&M.

A empresa comunicou que o lucro antes de impostos no segundo trimestre subiu para 8,44 mil milhões de coroas suecas, face a 7,64 mil milhões no mesmo período do ano passado, um pouco abaixo da previsão média dos analistas de 8,48 mil milhões de coroas suecas. A H&M, cuja maioria dos negócios ocorre em território europeu, com particular destaque para a Alemanha, anunciou que em junho, o primeiro mês do seu terceiro trimestre, as vendas subiram 14% em moedas locais, face ao resultado obtido no ano anterior. As ações H&M subiram cerca de 4% este ano, ficando aquém do valor obtido pela Inditex, cujas ações aumentaram 29%. As ações da H&M são negociadas a 24 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses, abaixo da Inditex, que comercializa a 31 vezes os lucros futuros.