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Home Flavours com credencial rosa

A marca de têxteis-lar apresentou-se de rosa, mais precisamente com viscose de caule de rosa, numa mostra de sustentabilidade e de criatividade que veio do vestuário para a roupa de cama.

A fibra orgânica produzida a partir de caules de rosa foi a grande novidade sugerida pela Home Flavours para a nova coleção. «Pode ser usada em 100% fibra de rosa em teia e trama ou então pode ser misturada com algodão, com seda ou com outra matéria-prima», esclarece Cristina Machado, diretora criativa da Inspiration Time, a empresa de Rui Sousa que detém atualmente os direitos da marca.

O desenvolvimento com viscose de caule de rosa foi «rápido, uns quatro ou cinco meses» porque foi realizado em colaboração com a fiação da Somelos. «Estava a ser testado para vestuário e eu decidi apostar porque achei que abrangia um leque de oferta que achava interessante para os nossos clientes. Ando sempre atrás do vestuário porque a moda anda sempre à frente», revela ao Jornal Têxtil.

A verdade, afirma, é que «os clientes pedem sempre mais» produtos sustentáveis. «Neste momento temos muitos fios orgânicos», reconhece Cristina Machado. Além das fibras de caule de rosa, a Home Flavours oferece ainda produtos obtidos a partir de algodão orgânico, «que é o mais comum», mas também casca de milho. «Tudo o que o cliente pede, nós servimos», garante a diretora criativa.

GOTS no rol de certificações

Nesta área, a Inspiration Time está ainda a dar outros passos, particularmente com a certificação GOTS obtida na primavera de 2018. «Já andávamos a trabalhar nisso há mais de um ano», conta Cristina Machado. «Toda a gente diz que ter a certificação num ano é muito bom. Já estávamos bem preparados e organizados, porque temos outras certificações, como C-TPAT para os EUA, por isso não foi difícil. Tudo isto fez que quando chegámos ao GOTS, muita coisa estava já preparada. Mas ainda houve reorganização em termos de espaços, porque exigem divisão de artigos por linhas e contentores específicos separados. É algo tão rigoroso que espero vender muito com isto, porque é caro e eles são mesmo muito exigentes», confessa.

Aos produtos soma-se a preocupação com a reutilização dos desperdícios. «Tudo o que desperdiçámos no processo produtivo, é reciclado. É uma exigência desde sempre», afirma, dando como exemplo a recolha de tampas de plástico, que são entregues a associações, e os restos de tecido, que são enviados também para associações, que os transformam em bonecos ou até vestuário para criança. «Tentamos também ajudar a comunidade nesse sentido», sublinha Cristina Machado.

Luxo rendido

Já as vendas são a 100% para o mercado externo, onde a Inspiration Time continua a conquistar nomes sonantes. Em 2017, o gabinete de Issey Miyake deixou-se seduzir pelos artigos apresentados numa feira japonesa. Agora foi a vez dos artigos que a empresa produziu para a Dior serem capa da revista L’Officiel. «Estamos a fazer mesa para a Dior Maison. Claro que o objetivo será avançar depois para outros produtos de casa, mas isso leva o seu tempo», admite Cristina Machado.

França é, de resto, um dos maiores mercados da empresa, que tem entre os seus clientes os principais grandes armazéns, incluindo as Galerias Lafayette, o Merci e o Bouchara. «Há clientes que nos mandam os próprios desenhos, mas na maior parte dos casos são artigos nossos. Ou escolhem da coleção ou explicam-me o que pretendem e eu faço as propostas com base nisso», explica.

Os destinos dos produtos desenvolvidos na Inspiration Time saem, contudo, das fronteiras da Europa, com Austrália, Nova Zelândia, México, EUA e o Japão na lista. «Nos mercados onde estamos instalados conseguimos crescer imenso, porque depois de lá entrarmos, tudo se torna mais fácil», considera Cristina Machado.