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Homem conquista espaço

Mais atentos à moda e ao que usam, os homens estão a impulsionar o mercado e, com isso, a expandir a oferta das empresas de tecidos para o universo masculino. Em Portugal, Albano Morgado, Penteadora, Adalberto e Gierlings Velpor são algumas das empresas que têm sentido uma maior procura neste segmento.

Francisco Rosas (RDD)

De acordo com o estudo Menswear Market, da Mordor Intelligence, publicado este ano, o mercado mundial de moda de homem deverá crescer a uma taxa anual composta de 4,7% entre 2018 e 2024, fruto de uma maior prioridade dada à moda por parte dos homens, assim como ao aumento do poder de compra dos consumidores, sobretudo os millennials, que estão a optar por marcas de luxo.

«No mercado masculino existem duas pontas do mercado», explica Francisco Rosas, diretor de design da RDD. «Uma é o mercado tradicional, que é o mais formal. Depois há um outro que é mais informal e, nesse informal, tudo é permitido», afirma.

Aposta no masculino

É para servir este mercado que há empresas portuguesas a reforçarem a sua oferta na moda de homem. Com 80% das vendas concentradas nas propostas para senhora, a Albano Morgado quer aumentar a sua presença no universo masculino. «A nossa coleção é vocacionada para senhora, até porque senhora tem uma rotatividade muito maior em termos de vestuário do que o homem, que, por si, é muito mais conservador», confessa o CEO Albano Morgado. Contudo, a empresa está a investir nos homens. «Queremos abranger homem mas com um produto diferenciado e não no tradicional, porque aí a concorrência é muito maior», adianta ao Jornal Têxtil. Para isso, a Albano Morgado criou camisas para mostrar as novidades.

Albano Morgado (Albano Morgado)

Para o outono-inverno 2020/2021, a aposta recaiu em «tecidos mais vocacionados para camisas tipo over-shirt, que têm o seu mercado. É para dar o exemplo daquilo que a aplicação do tecido pode ter», justifica Albano Morgado. «Hoje, como sabemos, a tendência no vestuário tem evoluído. O menos formal ganhou espaço dentro daquilo que era o tradicional e isto é um exemplo da evolução que a Albano Morgado faz, estando atenta às necessidades do mercado. O nosso foco principal é sempre satisfazer os nossos clientes», garante.

No segmento masculino, a ideia é continuar a crescer, dentro da estratégia da empresa de apostar em produtos de maior valor acrescentado e naturais, nomeadamente com a utilização de 100% lã e fibras nobres como caxemira e alpaca. «As fibras nobres são um objetivo mas também têm um senão, porque têm um valor acrescentado significativo e um tipo de cliente muito restrito. Temos noção que nunca serão grandes quantidades. O nosso objetivo é que o homem represente entre 30% a 40% da nossa coleção dentro dos próximos três a quatro anos. Se daqui a quatro anos o homem estiver com 40% e senhora com 60%, será o ideal para a Albano Morgado», assume o administrador.

Crescer com eles

Na Penteadora, que está concentrada no universo masculino, a oferta acompanha também o crescimento do homem enquanto consumidor de moda. «Numa fase inicial, talvez até aos anos 80, o homem valorizava muito a qualidade do tecido – um tecido forte para durar toda a vida. Tudo era baseado num fato, num tecido, que dura para a vida. A partir dos anos 80 começou-se a introduzir a ideia do conforto no homem e chegou-se aos finais dos anos 80 e início dos anos 90 e começou-se a introduzir o elastano. Hoje vemos o slim fit mesmo no fato de homem», descreve António Teixeira.

António Teixeira (Penteadora)

O administrador reconhece que os efeitos das alterações climáticas, nomeadamente na imprevisibilidade das condições meteorológicas, «não têm ajudado nada para que se possa dizer o que é que o mercado procura e qual é a tendência». Para o outono-inverno 2020/2021, contudo, a empresa criou uma coleção capaz de responder não só ao mercado mais tradicional, mas também ao «mais moderno e mais atrevido, através da utilização da combinação de cores.

Na Adalberto, tem sido sentida a maior procura por moda masculina. «É verdade que o mercado de homem tem vindo a subir bastante», admite Paulo Ferreira, mas «o homem de hoje é muito diferente do que era no passado. É um homem muito mais exigente, que tem mais preocupações com a forma de se apresentar».

Paulo Ferreira (Adalberto)

Para dar resposta a isso, a empresa criou «soluções internamente no sentido de que haja designers com gosto pela área de homem, que acompanhem mais de perto essa evolução», revela o CSO. Para a estação fria de 2020/2021, «vamos ver homens com muitas camisas estampadas, mas muito em malha, coisa que não era comum. As malhas aparecem na camisaria nos últimos anos, e com bastante força, e de uma forma um bocado mais tímida no clássico. Agora aparecem bastante mais arrojadas e com muita estamparia», aponta Paulo Ferreira.

Pedro Lima (Gierlings Velpor)

Este arrojo sente-se igualmente na Gierlings Velpor. «Temos vendido para coleções de homem artigos que criámos para senhora. A nível dos casacos, há muita tendência para estampados fortes, inclusive no homem», indica Pedro Lima. «Vi uma série de fotos dos desfiles da Armani, Dolce & Gabbana e Gucci e a coleção de homem tem leopardo e tigre – tipos de artigos estampados que nós temos», resume o diretor de vendas. O homem representa, atualmente, 30% da coleção, «mas a tendência é para aumentar», acredita o diretor de vendas.