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Homem ganha cor

Paris voltou a albergar a semana de moda dedicada ao segmento masculino, onde se destacaram diferentes desfiles de conhecidas marcas e designers de renome internacional, que apostaram na arte e na ousadia de peças diferenciadoras para lançar novas tendências a nível mundial. Na próxima estação fria, os estilistas apostam no glamour de peças que se assemelham muitas vezes a verdadeiras “obras de arte” e em tonalidades fortes e surpreendentes como o vermelho e o laranja. Outro dos destaques desta edição que se realizou entre 19 e 22 de Janeiro foi a estreia na passerelle parisiense do estilista Thibaud Etcheberry e da marca Thierry Mugler. Etcheberry inspirou-se na arte e cultura arménia para recriar um homem que «nasce num novo mundo, chega a um novo mundo e esse novo mundo é a Arménia», sublinhou o estilista, que nas matérias-primas privilegiou o algodão, a lã e o couro. «Prefiro a sobriedade nas minhas colecções e nesta em específico apostei nas cores, nos cortes e nos tecidos», acrescentou. Já a Thierry Mugler, agora sob a direcção artística de Nicola Formichetti, responsável pelo excêntrico look de Lady Gaga, apostou em modelos repletos de tatuagens que usavam e abusavam do látex preto. Após uma estreia aclamada na última edição desta semana de moda masculina, o estilista brasileiro Gustavo Lins voltou a apresentar uma colecção inspirada no quimono, reinventando esta peça em visuais distintos que variaram do desportivo ao clássico. Com esta peça, Lins brincou com proporções e apostou, mais uma vez, no vermelho para dar cor às restantes peças que desfilaram pela passerelle, maioritariamente em preto. Optando por um humor mais mordaz, a colecção de Yohji Yamamoto para a próxima estação fria combina novas expectativas com as já habituais convicções do criador japonês, onde destacaram fatos soltos e amplos. Patchworks e padrões foram igualmente outras apostas fortes de Yamamoto, que os utilizou por exemplo em fatos de seda. Com o laranja a dar o tom ao desfile, a Louis Vuitton apostou no estilo simples das roupas Amish, para criar ironicamente uma colecção repleta de peças de luxo, como fatos finos e elegantes acompanhados por cachecóis e bolsas de tamanho XXL. Outra das novidades da marca francesa foi o uso de tecidos tecnológicos e de primorosos detalhes, como por exemplo fechos. Os fechos estiveram igualmente em destaque na colecção de Dries van Noten, que também utilizou o tricot, recortes e texturas distintas nas suas indumentárias. O desfile do estilista belga iniciou-se com peças descontraídas, que posteriormente deram lugar a visuais requintados criados por sobretudos, blazers com fileiras duplas de botões e casacos de peles. Por fim, as propostas masculinas da Christian Dior para o próximo Inverno abusaram dos tons neutros, mas conjugados, mais uma vez, com aquela que parece ser a cor da estação, o vermelho, em peças de caxemira ou malhas finas, aportando fluidez e conforto ao visual. «Quis encontrar a mesma fluidez do Verão. Esse era o meu desafio. Para tal, apostei nas malhas, bem como na caxemira para apresentar uma roupa quente, mas que também fosse leve», explicou Kris Van Assche, o estilista que assina a moda homem da marca francesa, acrescentando ainda que o «meu objectivo foi conseguir linhas muito masculinas, dirigidas aos elementos fundamentais do luxo».