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Homens atraem investimentos

O segmento masculino está, finalmente, a ser alvo de interesse por parte dos investidores. Marcas de venda direta ao consumidor e insígnias que apostam na personalização despertam mais atenções.

Chubbie Shorts

Recentemente, foram anunciadas duas compras: a Randa Accessories adquiriu a Haggar Clothing Co, por um valor desconhecido, e a Edgewell comprou a startup Harry’s, de equipamentos de barbear e produtos de higiene pessoal masculina, por 1,37 mil milhões de dólares (cerca de 1,23 mil milhões de euros), noticia o Sourcing Journal.

A Haggar, fundada em Dallas em 1926, tem nas suas origens a produção de calças formais para homem. Desde então, o negócio tem-se expandido, para incluir blazers, coletes e fatos à medida. A empresa também detém a marca de sportswear para mulher Tribal. Já para a Randa, que no ano passado tentou comprar, sem sucesso, a marca masculina Perry Ellis International, a Haggar representa uma entrada no mercado do vestuário.

A aquisição da Harry’s, que recentemente apostou no segmento feminino através da marca Flaming, permite à Edgewell fazer crescer a sua quota de mercado no sector das lâminas. A Edgewell detém as marcas de higiene pessoal masculina Schick e Wilkinson, assim como os protetores solares Banana Boat e as toalhitas Wet Ones. A última vez que uma marca de cuidados de higiene pessoal masculina foi adquirida remonta a 2016, quando a Unilever comprou a Dollar Shave Club, por mil milhões de euros.

O que impulsiona o investimento?

Embora os investidores não se tenham afastado do vestuário nem da beleza, a maioria das transações têm sido realizadas em categorias de moda para mulher, e, mais recentemente, em marcas de venda direta ao consumidor. Andrew Charbin, diretor do The Sage Group, explica que as aquisições de marcas de vestuário demoram frequentemente mais tempo a serem avaliadas porque as marcas não crescem tão rapidamente. Em parte, isto reflete o que tem acontecido no mercado das vendas grossistas, bem como os desafios no segmento das department stores. As marcas de vestuário que crescem rapidamente online tendem a necessitar de «uma quantia elevada de investimento», sublinha Charbin.

Na última década, a atenção dos investidores tem estado voltada para marcas de venda direta ao consumidor. Startups como a Buck Mason, a Chubbies Shorts e a Frank & Oak encontram-se entre as marcas que atraíram atenção há cerca de 10 anos. Pioneira na venda direta ao consumidor, a Bonobos, surgiu em 2007 e angariou cerca de 128 milhões de dólares, antes de ser adquirida pela Walmart em julho de 2017 por 310 milhões de dólares. O Trunk Club, serviço de personal styling para homens lançado em 2009, angariou 12,4 milhões de dólares antes passar para as mãos da Nordstrom em julho de 2014.

Trunk Club

Algumas startups que mereceram a atenção dos investidores apostam na personalização e em artigos feitos à medida, como a Knot Standard e a Stantt.

A especialista em fatos feitos à medida Knot Standard foi fundada em 2011 e tem um valor estimado de angariações de 23,7 milhões de dólares. A angariação mais recente foi em abril de 2018 pelo fundo de investimento Provenance. Além disso, também conta com o fundador da Under Armour, Kevin Plank, como investidor.

A Stant, especialista em camisas feitas à medida para homem, foi fundada em 2013 e em fevereiro completou uma ronda de investimento, que também inclui a Randa Digital. A empresa tem uma presença significativa na venda grossista e, até ao final de julho, estará em todas as lojas da Nordstrom, de acordo com o cofundador da Stantt, Matt Hornbuckle.

Porquê os homens?

William Susman, fundador da consultora Threadstone Partners afirma que «o mercado masculino permanece extremamente atrativo. Há marcas que estão a atrair tanto o tradicional consumidor masculino como os millennials. A Todd Snyder está no topo da lista. Mas há outras, como a John Elliott», exemplifica.

Quanto à atenção dada ao segmento masculino tanto por investidores como pelo sector financeiro, Susman explica que «os investidores se sentem atraídos pelo mercado masculino pela lealdada dos consumidores, a inexistência de grandes promoções e os fortes designers nos EUA».

O que os homens e os investidores querem

John Ballay, cofundador da Knot Standard recorda que as alterações se iniciaram em 2010, «altura em que os homens começaram a importar-se mais com o seu aspeto, quais seriam os seus planos de treino e onde comprariam as suas roupas – o que elevou a fasquia. De repente, tornou-se errado usar o mesmo o fato que se leva para o trabalho num casamento».

As redes sociais também desempenharam um papel importante, segundo Ballay, que acredita que estas ajudaram a criar uma espécie de fórum de discussão acerca de vestuário e de estilo. Com a atenção dos homens, a Knot Standard também atraiu investidores, aponta o cofundador da Knot Standard.

Knot Standard

Em relação ao papel dos investidores nas marcas, John Ballay destaca que a Provenance «contribui com um pensamento inovador incrível para o crescimento de uma marca com uma alta componente de serviço. A Randa tem décadas de experiência, o que tem sido fundamental para a cadeia de aprovisionamento e para a construção de uma plataforma negocial que permanecerá nos próximos 50 anos».

Por sua vez, o cofundador da Stantt, Matt Hornbuckle, conta que quando lançou a empresa, há seis anos, não havia muitos interessados no mercado masculino. Contudo, nos últimos anos, a atenção dos consumidores ajudou a impulsionar a mudança no interesse dos investidores, o que tem sido uma vantagem para a marca. Hornbuckle, que admite que não tinha experiência no sector do vestuário antes de fundar a Stantt, gosta de ter um investidor estratégico, em vez de um patrocinador financeiro. «Eles têm experiência. Quando temos uma dúvida, vamos ter com eles. Não temos experiência no vestuário, então, ter por perto a Randa é maravilhoso. Estão muito disponíveis para nos ajudarem», assegura Matt Hornbuckle.