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Homens cinzentos?…

Finalizada mais uma semana de moda, desta feita dedicada ao segmento masculino, ficou novamente demonstrado que os homens se interessam cada vez mais por moda. E, se por um lado, o clima de incerteza gerado pela crise produziu uma estação um tanto ao quanto monótona e comercial, por outro, submeteu os estilistas ao desafio de criar colecções que fossem usáveis, práticas e, ainda assim, criativas e apelativas. Por consequência, as colecções apresentadas em Paris para a Primavera/Verão 2010 caminharam em duas direcções distintas, ou seja, para uma alfaiataria renovada por novos volumes e proporções e para uma moda desportiva. O resultado de ambas as propostas é uma elegância casual, mas focalizada na moda urbana. A herdeira do império têxtil de Toulose, a “Marchand Drapier”, entrou no calendário das grandes marcas internacionais, com o desafio de propor uma moda elegante, cómoda e construída sobre uma matéria-prima de excelente qualidade. Benoit Carpentier, o responsável pela marca, explicou que «esta pequena empresa quer chegar a todas as faixas etárias e, por isso, apresentamos 30 conjuntos, que vão desde o mais desportivo ao mais elegante, sempre com cortes impecáveis e cores claras e primaveris». Recorrendo igualmente ao conforto esteve a marca “House of the very Island”, dirigida pelos designers austríacos Karin Krapfenbauer e Markus Hausleitner, que promoveram uma moda confortável e em consonância com a saúde do planeta. Preferindo, todavia, a sofisticação, a marca Kenzo apresentou uma colecção moderna que apostou nos fatos e casacos. De igual forma, a sobreposição das camisas, coletes e casacos foram combinados com bolsas e cartolas. Para os dias mais quentes, a sugestão da Kenzo foram as bermudas e os calções. Relativamente às principais tonalidades para a próxima estação quente, entre as grandes linhas apresentadas – quer em Paris, quer anteriormente em Milão (ver Homens sem vergonha) –, o cinzento apareceu como a cor dominante nas colecções de marcas como Prada, Missoni, Armani e Yves Saint Laurent, ainda que esta tonalidade tenha sido pontuada por cores ácidas, como o laranja forte, o amarelo e o vermelho, em detalhes e acabamentos. A comodidade das peças também se fez sentir em praticamente todas as colecções, nos casacos e nos acessórios, como por exemplo as bolsas, ilustrada por marcas como Gucci e Burberry. De igual forma, a inspiração em terras distantes e viagens, presente nas linhas da Missoni e da Paul Smith, também tinha um carácter mais prático do que sonhador, em peças que parecem atender ao desejo de pessoas que apreciam conhecer o mundo e passear. Para as ocasiões formais, os fatos aparecem mais justos ao corpo, mas sem exageros, e normalmente são combinados com uma gravata fina, como apresentou a Gucci e a Prada, ou em alguns casos até sem gravata. Já a referência aos anos 80 apareceu em jeans de lavagem clara, através da Missoni e da D&G, e na escolha dos tecidos apresentados na maioria das colecções que eram finos e muitas vezes gozavam de transparências.