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Homens do campo invadem Milão

Para os sectores da moda e do design, Milão é uma das principais capitais europeias e um dos mais importantes centros económicos e industriais do velho continente. Tal ficou novamente provado em mais uma edição da “Milano Moda Uomo”, que decorreu entre 12 a 15 de Janeiro e contou com a participação de grandes nomes como Dolce&Gabbana, Missoni, Burberry, Versace ou Armani. Durante quatro dias foram muitas as propostas que desfilaram pelas passerelles mas a tendência-chave da estação foi, mais uma vez, a natureza. Nesse contexto, Kean Etro construiu um jardim repleto de plantas e vegetais na passerelle onde apresentou estampados axadrezados e tecidos tingidos com corantes vegetais, que faziam lembrar todo um ambiente campestre. Um ambiente também reproduzido por Christopher Bailey para a colecção da Burberry Prorsum. Numa passerelle totalmente decorada de folhas secas, desfilaram modelos sóbrios, coloridos pela natureza. Quanto a Alessandro dell’Acqua inspirou-se no excêntrico ambientalista inglês David de Rothschild para criar vestuÁrio belo, confortÁvel e original. A recente viagem que Alexander McQueen fez a índia foi o ponto de partida para a colecção que apresentou em Milão. Adoptando padrões persas para bordar mangas e calças, o estilista utilizou igualmente estampados de leopardo nas golas de casacos cintados. Em contrapartida, a Versace, que se inspirou no artista de Art-Deco Tamara de Lempicka, mostrou uma colecção pesada mas ideal para aquecer os homens do hemisfério norte. Peles, couro e casacões foram os destaques da nova linha criada por Donatella Versace, que fez questão de aparecer no final do desfile para receber os aplausos da plateia, onde se encontrava Luís Figo acompanhado da mulher Helen Svedin. A Missoni, depois de ter “esquecido” durante alguns anos o vestuÁrio masculino, regressou em grande às passerelles. Angela Missoni, directora de arte da marca, criou uma colecção dedicada aos dois homens da sua vida: o seu pai Tai e o seu companheiro Bruno Ragazzi. Tendo conjugado o luxo dos tricots e a perfeição que pode ser dada à alfaiataria, Angela Missoni revelou no final do seu desfile que, tal combinação, resultou num guarda-roupa repleto de possibilidades». A pensar na Rússia e nos ciganos Cossak, Frida Gianini criou para a Gucci uma colecção de estampados folk, onde foi dado especial destaque às correntes, aos lenços, aos cachecóis e às moedas. Da Europa para os Estados Unidos, mais precisamente para Las Vegas, assim se apresentou a divertida Moschino, provando que Milão, apesar da azÁfama de uma semana de moda, pode também parar para desfrutar de um bom jogo. JÁ, Roberto Cavalli apresentou um desfile “morno” apenas com fatos, camisas, sweaters e gravatas. Desta vez, os estampados animais, aos quais o estilista nos habituou, deram apenas o ar da sua graça num casaco. Na realidade, o ponto alto do desfile de Cavalli aconteceu precisamente antes do mesmo, aquando do frenesim dos jornalistas e fotógrafos perante a presença das Spice Girls na plateia. De uma mistura do streetwear londrino e dos esquiadores dos Alpes surgiu a mais recente colecção da Dsquared para a estação fria 2008/2009. Numa tentativa de alcançarem maior protagonismo, os irmãos Caten apostaram num cocktail explosivo, misturando o streetwear e a alfaiataria tradicional. A Dolce&Gabbana, através dos seus criadores Domenico Dolce e Stefano Gabbana revelou numa silhueta muito contemporânea, de calças extremamente ajustadas. Entre as cores propostas predominaram o preto e o azul. Por seu lado, Miuccia Prada brincou com os estilos e decidiu evidenciar o lado feminino dos homens. O figurino de Catherine Deneuve realizado por Yves Saint-Laurent no filme “La Belle de Jour” foi transformado "no belo da tarde" pela visão da estilista. A dualidade de géneros esteve presente nas camisas com dois colarinhos, nos cintos que marcaram a cintura e nos recortes geométricos. Em resumo, Miuccia apostou em "pedaços" de roupa que se sobrepunham formando uma unidade. Os desfiles masculinos terminaram com as criações do veterano Giorgio Armani, que apresentou calças de veludo preto, fatos elegantes e blazers a relembrar os anos 80. Especial destaque para a ausência total da gravata em todas as propostas. Depois de Milão, o homem viajou para Paris. Mas isso serÁ uma outra história…