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Homens ousam em Londres

A London Fashion Week Men’s celebrou o seu 5.º aniversário na mais recente edição – que decorreu entre 9 e 12 de junho – e inaugurou o voo da moda homem com destino à primavera-verão 2018. De Charles Jeffrey a Vivienne Westwood, a passerelle rendeu-se à ousadia.

Considerando que os desfiles da London Fashion Week Men’s arrancaram logo após o país se dirigir às urnas e menos de uma semana depois do atentado terrorista na London Bridge e em Borough Market, o ambiente estava pesado.

Focando as atenções no calendário de desfiles, a falta de algumas marcas consagradas foi notada. A Burberry combina agora a mostra masculina e feminina e apresenta em setembro e a J.W. Anderson preferiu a passerelle da Pitti Uomo, em Florença.

Como resultado, muitos editores e compradores de moda internacionais (pelo menos em comparação com os anos anteriores) decidiram não viajar para a capital britânica e foi sobretudo a nova guarda do design quem garantiu o sucesso da 5.ª edição da semana de moda masculina de Londres.

O solo de Charles Jeffrey

Um dos talentos emergentes que mais reuniu a aprovação da crítica foi Charles Jeffrey. O ex-aluno da Central Saint Martins conquistou a assistência e a imprensa especializada com uma coleção gráfica, batizada “Loveboy”.

Contando com homens e mulheres em passerelle, as cores primárias dominaram o alinhamento de padrões abstratos, jogos de texturas e peças sem género – com homens de vestido e mulheres de fato.

A alfaiataria de tons neutros ia intersetando a explosão de cor das propostas para a próxima estação quente. Jeffrey apresentou-se pela primeira vez a solo, sendo até aqui um dos nomes do calendário da plataforma Fashion East Man.

O minimalismo de Grace Wales Bonner

Vencedora do prémio LVMH na edição de 2016, Grace Wales Bonner voltou a ser coroada uma das favoritas da London Fashion Week Men’s com uma coleção mais minimalista do que é habitual e caracterizada por looks monocromáticos.

A designer afirmou mesmo pretender mostrar «um produto de luxo» focando-se para isso no corte e fitting das peças.

Trabalhando a sexualidade em oposição à sensualidade, os coordenados foram rematados com masculinidade.

Craig Green em experiências

Para a primavera-verão 2018, as propostas de Craig Green partiram da noção de «tecidos como ferramentas», segundo o próprio, explorando para isso o universo dos têxteis técnicos. O sportswear serviu de fio condutor à coleção que trabalhou o denim em diferentes peças e silhuetas.

O vencedor do prémio de designer britânico de menswear do ano em 2016 foi outro dos que abordou a geometria, mas de dois prismas diferentes: na sua expressão mais discreta e em padrões em look total. Ao longo do desfile, as silhuetas foram crescendo em cor e em proporção.

Vivienne Westwood representa velha guarda

Em representação da velha guarda da moda britânica, Vivienne Westwood fechou o calendário de desfiles masculinos em Londres. A dama da moda inglesa presenteou a assistência com a reconhecida excentricidade, levando o lixo – objetos de plástico como talheres e copos – para o luxo.

As t-shirts com slogans obscenos também garantiram que o desfile-performance – que contou homens e mulheres em passerelle – fosse dos com mais repercussão nas redes sociais.

No final do desfile, a veterana designer criticou a cultura consumista da indústria da moda. «É preciso comprar menos, escolher bem, fazer com que as coisas durem – é a única abordagem sustentável. Tudo depende das escolhas dos consumidores, as pessoas não devem comprar lixo. Queremos qualidade e não quantidade», sublinhou Vivienne Westwood.

O regresso de David Beckham

A marca vintage Kent & Curwen, nascida nos anos 1920 e que atualmente conta com David Beckham como um dos donos, garantiu o regresso do desportista à passerelle da London Fashion Week Men’s.

Para a primavera-verão 2018, a Kent & Curwen propôs clássicos do guarda-roupa masculino, contornando assim a experimentação que dominou o 5.º aniversário do evento.

Impermeáveis leves, notas de alfaiataria e tons neutros garantiram uma coleção vestível repleta de pormenores resgatados da herança dos uniformes universitários.

A comunidade moda internacional segue agora para Milão e depois para Paris, calendário que recebe o desfile do designer português Hugo Costa.