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Horas tecnológicas

A estética das tecnologias usáveis continua a apresentar-se como a maior falha à sua aquisição por parte dos consumidores fora da comunidade “geek”. Todavia, ao que tudo indica, é apenas uma questão de tempo até este “problema técnico” ser resolvido – os relógios inteligentes estão a reclamar o mainstream.

2015 foi o ano do boom para os smartwatches (ver Wearables vão à guerra): a Apple lançou o aclamado Apple Watch, a Samsung introduziu o seu primeiro modelo com mostrador redondo, a Pebble adicionou três novos modelos ao seu alinhamento e nem o sector luxo ficou de fora, com o conglomerado de luxo LVMH – detentor de marcas como Zenith, Hublot e Tag Heuer – a anunciar o lançamento de um relógio concorrente ao produto da Apple.

Toda esta atividade acabou por não ter grande impacto em termos de vendas ou popularidade (ver O calcanhar de Aquiles dos wearables), mas posicionou as marcas como principais players nas conversas sobre tecnologia wearable.

Ou seja, ainda que os consumidores não estejam a adquirir este tipo de dispositivos, não deixam de falar e de colocar questões sobre eles, algo que, de acordo com a especializada The Verge, irá ser responsável pela chegada ao mainstream dos relógios inteligentes. O exemplo mais evidente desta investida chega da Fossil.

A tradicional marca da fina arte da relojoaria, que tem produtos dispostos em todos os centros comerciais americanos, introduziu há poucos meses uma linha de braceletes e relógios inteligentes, anunciando ainda que tenciona lançar uma centena de produtos wearables no decorrer de 2016.

A maioria destes dispositivos será similar à bracelete de fitness Q Dreamer da marca, pelo que se trata de produtos simples que se aproximam de acessórios de moda, mas com tecnologia incorporada – que permite monitorizar a atividade física do utilizador.

Relógios como o Q Grant e o recentemente anunciado Q54 Pilot têm uma abordagem similar: são designs tradicionais da Fossil com capacidade para monitorizar a atividade física e notificar o utilizador e para se conectarem com o smartphone.

Ainda assim, a Fossil tem, também, mergulhado nas águas dos smartwatches mais avançados via Q Founder. O Q Founder é um relógio inteligente com touchscreen, controlo de voz e todos as características encontradas em produtos similares em marcas como Motorola, LG, Huawei, etc.

O modelo mantém muitas das características de design comuns aos relógios analógicos da marca e está liberto da excentricidade flagrante neste segmento. E aqui reside, em grande parte, o seu apelo: se os smartwatches chegaram para, eventualmente, substituir os relógios tradicionais, precisam ser familiares em relação àquilo que os consumidores usavam.

Quanto às suas capacidades enquanto smartwatch, o Q Founder está longe de ser o melhor nesta categoria. O modelo custa cerca de 295 dólares (aproximadamente 272 euros), um valor consideravelmente mais baixo do que as opções da Apple, Huawei ou Motorola. Porém, o seu tamanho e peso podem torná-lo desconfortável no pulso. O ecrã é de baixa resolução e o Q Founder carece de um monitor de frequência cardíaca.

Não obstante, em última análise, o Q Founder faz tudo o que qualquer outro relógio Android Wear faz e a um preço acessível às massas. Mostra notificações recebidas no smartphone, permite usar o controlo de voz para responder a mensagens ou realizar procuras no Google e normalmente a bateria aguenta um dia entre cargas. O Q Founder tem também acesso a todas as watch faces disponíveis na Play Store para relógios Android Wear.

Ou seja, é um smartwatch completo, pelo menos de acordo com a definição de 2016.

O trunfo da Fossil

Colocar um smartwatch nos pulsos do consumidor médio pode ser uma tarefa difícil para a Motorola, LG ou Samsung, marcas que nem sequer estão em exposição fora do perímetro das lojas de tecnologia.

Já os fabricantes de relógios convencionais, como é o caso da Fossil, estão presentes em quase todos os centros comerciais e relojoarias/ourivesarias, pelo que colocar um dos seus modelos wearables ao lado de uma das mais clássicas propostas da marca não será algo complicado.

Em 2016, analisa a The Verge, o consumidor poderá levar um relógio inteligente para casa sem sequer se aperceber disso.