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Hotelar recupera primeira fiação nacional

A empresa especializada em têxteis para hotelaria está a investir sete milhões de euros na recuperação do edifício da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela. O investimento irá permitir à Hotelar, que emprega 20 pessoas, crescer e multiplicar o seu volume de negócios para 12 milhões de euros em 2020.

A Hotelar irá ocupar mais de um terço do complexo, que inclui uma área total de 37.000 m2 de terreno, dos quais 22.000 m2 de área coberta, distribuídos por dois pisos, com a instalação do novo centro de logística e distribuição – escritórios, matéria-prima, produto acabado e produção.

As obras de recuperação do emblemático edifício localizado em Santo Tirso – que nos tempos áureos da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela chegou a ser o local de trabalho de mais de 3.000 pessoas – começaram em dezembro e deverão demorar sete meses a ficarem concluídas. O projeto concebido pelo ad quadratum arquitectos prevê «a preservação e valorização da relevância histórica e arquitetónica do centenário complexo», afirma o gabinete de arquitetura. «A proposta do projeto acomoda o organigrama industrial e de armazenagem de uma ‘nova’ têxtil, orientada e sensível à preservação patrimonial, como valor de cultura e como suporte a novas práticas industriais assentes em tecnologias de ponta, sustentáveis e adequadas à preservação e valorização do relevante ‘contendor’ edificado onde se instalará», acrescenta em comunicado.

«A intervenção e a investigação em edifícios e conjuntos de interesse patrimonial, não só o classificado, são uma arte que exige um saber muito específico e obrigam a um grande respeito pelos edifícios a intervencionar. Estamos a recuperar as ruínas industriais respeitando a estrutura preexistente. Os edifícios antigos “devolvem em dobro” o que lhes damos», considera o arquiteto José António Lopes.

Investir para crescer

Em declarações à Lusa, o administrador Pedro Pereira explica que este investimento representa uma «oportunidade de crescimento» da empresa. «Impedida de continuar a crescer nas atuais instalações em Vila Nova de Famalicão por falta de espaço», segundo aponta Pedro Pereira à Lusa, os 20 funcionários da Hotelar «transitarão para as novas instalações», devendo a estes «juntar-se mais cinco» trabalhadores.

Em 2018, a Hotelar, que exporta 15% da produção, cresceu e registou um volume de negócios de 9,4 milhões de euros. Com a capacidade instalada em Santo Tirso, a empresa espera «chegar aos 12 milhões de euros de faturação» no final de 2020, revela o administrador, a segunda geração na liderança do negócio.

Fundada em 1995 por Albino Pereira, a Hotelar tem como modelo de trabalho a resposta rápida, recorrendo à subcontratação para produzir os têxteis que vende para o sector hoteleiro e lavandarias industriais, bem como para ginásios, spas e restauração. O foco está ainda na manutenção de stocks elevados, que permitem responder rapidamente aos pedidos de reposição.