Início Arquivo

Hugo Boss optimista

A casa de moda alemã Hugo Boss vê sinais crescentes de que a indústria de moda deu a volta e espera voltar às taxas de crescimento anteriores a partir de 2011, à medida que os consumidores começam a gastar novamente. «O fim da crise está a revelar-se pouco a pouco», afirma o director-executivo da empresa, Claus-Dietrich Lahrs à Reuters. «As encomendas para o próximo Outono têm sido bastante promissoras até agora e estamos a abordar o próximo Inverno que surge com mais optimismo», referiu. A Hugo Boss revelou recentemente a sua colecção para o Outono-Inverno 2010/2011 da marca Boss Black na Semana de Moda de Berlim, com vestuário elegante para negócios e tempos livres e os seus últimos designs mostram tecidos ricos e fluidos, estampados e muita atenção aos detalhes. A empresa alemã é a última a juntar-se a um coro de optimismo entre retalhistas de moda e luxo, que estão a ganhar confiança depois das vendas de Natal se terem revelado melhores do que o esperado para alguns e os consumidores começarem a tratarem novamente de si após meses de contenção. O grupo de artigos de luxo Richemont, que compete com o LVMH e a Hermès, superou as expectativas de vendas no período de Natal. Os retalhistas nos desfiles de moda masculina em Milão afirmaram que os declínios graves que a indústria registou no ano passado terminaram. O CEO da Boss tem uma visão semelhante, afirmando que 2009 foi de longe o ano mais difícil, mantendo todavia uma visão prudente para 2010. «Estou bastante optimista para o segundo semestre de 2010 e para o que se segue em 2011. Espero que 2011 permita que a indústria regresse às anteriores taxas de crescimento», referiu Lahrs. A consultora americana Bain&Co antecipa que as vendas mundiais de luxo aumentem 1% este ano, para os 155 mil milhões de euros, após uma quebra de 8% em 2009, com a crise a reduzir a procura por vestuário de designer, joalharia e relógios. A Hugo Boss planeia ainda abrir cerca de 50 lojas próprias em todo o mundo por ano a partir de 2011, indicou Lahrs. Conhecida pelos seus fatos de corte perfeito, a empresa beneficiou no último trimestre de reposições dos retalhistas que fizeram encomendas pequenas com medo que a procura se reduzisse ainda mais devido ao impacto da crise financeira, justificou Lahrs. Os retalhistas fizeram as encomendas para a actual estação de Inverno no final de 2008, inícios de 2009 – no pico da crise financeira. Este comportamento prejudicou as vendas dos primeiros nove meses do ano fiscal da Hugo Boss. Na altura, a empresa indicou que esperava que o volume de negócios do último trimestre continuasse a cair ao mesmo ritmo que os primeiros nove meses em cerca de 9%, ao mesmo tempo que a sua margem operacional atingiria o nível de 2008. A Hugo Boss, que faz parte do Valentino Fashion Group, subsidiária da Permira, deverá apresentar os resultados totais a 30 de Março. Lahrs revelou que ainda não foi tomada qualquer decisão quanto ao pagamento de dividendos em relação a 2009, mas acrescentou que a empresa irá provar a sua capacidade para pagar dividendos. Em 2008, a Hugo Boss pagou 1,37 euros por acção comum e 1,38 euros por acção preferencial.