Início Notícias Marcas

Hugo Costa 100% digital

O designer de São João da Madeira vai, a curto prazo, abandonar o retalho físico para se dedicar exclusivamente ao comércio eletrónico. Em Paris, Hugo Costa revelou não só a coleção para a primavera-verão 2020, como também a nova estratégia para a marca.

Reconhecido pelo seu traço sem género, o designer quer que a sua insígnia homónima seja «a primeira marca portuguesa de autor 100% digital», revelou Hugo Costa ao Portugal Têxtil, à margem da apresentação da coleção Haenyeo, no âmbito da Semana de Moda Masculina de Paris. «Este evento em si é uma fase preparatória para o que vamos fazer a seguir», adiantou.

A ideia é, ainda no início do mês de julho, Hugo Costa lançar a sua loja própria online para, a curto prazo, viver apenas e só do mundo digital. Mesmo a coleção Haenyeo – que se inspira em mulheres que subvertem ideias pré-concebidas – estará à venda apenas online. «A coleção outono-inverno 2019/2020, que vamos colocar na loja online, será a última que existirá no retalho físico e no digital», explicou.

As peças de Hugo Costa vão, deste modo, deixar de estar disponíveis nos seus atuais pontos de venda em cidades asiáticas, como Xangai ou Hong Kong. «Estamos a falar de uma necessidade do presente. Sinceramente, acho que é o momento certo para nós e temos a equipa certa para assumir isto», garantiu.

O trampolim para todo o mundo

Uma vez disponível para compra online, a ideia de Hugo Costa é chegar a todo o globo. «Nós recebemos com muita frequência mensagens de pessoas de todo o mundo a perguntar onde podem comprar a marca. Não temos essa plataforma disponível. Não temos um acompanhamento tão próximo e tão direto. É uma grande lacuna para a marca», admitiu.

Baseando-se também em algumas experiências de vendas diretas no mercado digital, o designer acredita que este é o «futuro ideal para o projeto. Em algumas iniciativas que realizamos, como a Black Friday, os resultados são altamente satisfatórios a nível de vendas», confessou.

O criador de moda, que iniciou o seu percurso no espaço Bloom do Portugal Fashion, apresentou à Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) a possibilidade de abandonar o retalho físico e, garante, «a ANJE foi recetiva, porque esta é uma necessidade do presente».

A ideia é, também com o apoio da ANJE, encontrar os marketplaces mais adequados para a marca. Para a project leader do Portugal Fashion, Mónica Neto, «o desafio do Hugo Costa, de se tornar uma marca de autor 100% digital e com isso chegar ao consumidor de uma forma mais direta, faz todo o sentido na atualidade, tendo em conta aquilo que as redes sociais vieram criar em termos de transformação de mercado. Obviamente vamos apoiá-lo nesta fase de transformação da marca», assegurou.