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I&D no centro da Foot by Foot

Inicialmente vocacionada para o calçado, a Foot by Foot expandiu-se para outras áreas de atividade, tendo atualmente um portefólio que serve igualmente a indústria automóvel, a confeção e os têxteis-lar. A aposta em I&D tem dado frutos e o projeto de expansão passa por novos produtos e mercados para chegar a todo o mundo.

A Foot by Foot está a procurar capitalizar o know-how acumulado em 40 anos de atividade ao longo de três gerações. Se a primeira geração da empresa familiar foi responsável pela criação do negócio, a segunda investiu em tecnologia e a terceira, representada pelo atual sócio-gerente António Pereira e pelos seus dois irmãos, apostou na internacionalização, alargando mercados, sectores e produtos assentes nas novas valências tecnológicas.

«Em 2004 trabalhávamos 80% em calçado – construíamos têxteis laminados para calçado. E o objetivo era tentar entrar noutros sectores, porque a tecnologia que havia permitia isso», revelou António Pereira, numa entrevista publicada na edição de fevereiro do Jornal Têxtil. «As tecnologias são as mesmas para construir produtos para sectores diferentes e foi o que fizemos», explicou.

Atualmente, a empresa opera em quatro áreas de negócio – calçado, têxteis-lar, vestuário e automóvel –, com um portefólio que inclui cerca de 400 clientes ativos, entre os quais se incluem marcas de moda reputadas. Prada e Carolina Herrera já procuraram o know-how da empresa na produção de têxteis laminados, que tem ainda uma parceria com o designer português Diogo Miranda. Um trabalho que, destaca o sócio-gerente, «traz mais criatividade, uma maior diversidade de oferta, o que acaba por nos permitir depois ter também uma oferta de outro tipo de serviços».

Na confeção e no automóvel, o trabalho da Foot by Foot baseia-se na prestação de serviços, mas nos têxteis-lar e no calçado a empresa vende produtos acabados. «Compramos o fio, fazemos o processo total até à entrega do produto acabado em rolo. Portanto, entregamos a metro material que pode ser usado imediatamente em confeção e construir, no caso dos têxteis-lar, um protetor de colchão, uma almofada, um avental», aponta António Pereira.

O calçado representa atualmente 40% das vendas, enquanto os têxteis-lar têm uma quota de 30%, a confeção 20% e o automóvel 10%.

Nos últimos anos, a empresa, que emprega cerca de 30 pessoas, tem marcado presença em grandes certames internacionais, como a Heimtextil, e nacionais, como o Modtissimo, através dos quais conseguiu alargar a carteira de clientes. «As duas únicas feiras internacionais que fizemos foi a Techtextil, onde vamos regressar em 2017, e a Heimtextil, que é para manter durante a vida inteira», garante o sócio-gerente. «A Heimtextil foi a nossa grande aposta e é o nosso grande motor. Durante os primeiros três anos não se sentia nada, porque as pessoas vão lá para conhecer, mas depois veem que há ali uma permanência e confiam», conta.

Para impulsionar futuros crescimentos, a estratégia da Foot by Foot, que nos últimos seis anos investiu cerca de 2 milhões de euros, passa agora pelo reforço da oferta de soluções de produto, um projeto que inclui a criação de um departamento dedicado em exclusivo à investigação e desenvolvimento. «Nos próximos três a cinco anos vamos criar um gabinete de I&D de produto onde podem estar alocadas cinco pessoas dedicadas exclusivamente à criação de produto», anuncia António Pereira. Atualmente a Foot by Foot está a desenvolver um protetor de colchão para a indústria hospitalar completamente biodegradável, com malhas feitas de cascas de caranguejo, em parceria com a Vilartex, que se encontra em fase de validação.

O ano de 2015 foi o «melhor ano de sempre em termos de rentabilidade», mas a tendência é para melhorar. «Nos últimos 10 anos crescemos a uma média de 7% ao ano. Nunca chegamos aos dois dígitos, mas isso também é estratégico», admite António Pereira, que destaca ainda que nenhum cliente da empresa representa mais de 7% das suas vendas.

Para o futuro, o sócio-gerente da Foot by Foot, que exporta 20% da produção para 10 mercados, tem como meta «levar a empresa para a confeção, construir soluções em termos de serviços para este sector e conseguir chegar ao mundo inteiro».