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IDE em países emergentes atingiu níveis históricos

Os fluxos de capitais para os países em desenvolvimento atingiram, em 2005, um máximo líquido histórico de 491 mil milhões de dólares, de acordo com o noticiado pelo Diário Económico (DE). Para os autores do Global Development Finance, estudo do Banco Mundial apresentado no final de Maio na Gulbenkian, tem-se registado um progressivo aumento do investimento estrangeiro nas economias emergentes, fruto de inovações financeiras e de maior estabilidade macroeconómica nos países receptores, mas também do reforço da ajuda e perdão da dívida aos menos desenvolvidos, em particular a partir da cimeira do G7 em Gleneagles, em Julho de 2005. «O nível de ajuda pública passou de 0,22% do PNB (Produto Nacional Bruto) dos países doadores para os 033% em 2005 ? excluindo o perdão da dívida ao Iraque e à Nigéria, esse valor teria sido de 0,27%», garantiu Douglas Hostland. Contudo, lamentou o especialista do BM, «apesar das previsões apontarem para os 0,36% em 2010, estamos ainda muito abaixo do pensado nos Objectivos do Milénio». Por outro lado, sublinhou, «os fluxos de capital Sul-Sul estão a crescer mais do que os Norte-Sul». «Estabilidade macroeconómica, flexibilidade dos câmbios e reforço do enquadramento institucional», são algumas das razões apontadas pelo economista para justificar o maior investimento nas economias emergentes, «desde a Ásia à África Sub-sahariana». Porém, complementou o co-autor do estudo Andrew Burns, «os países devem continuar a ser prudentes, cumprindo as suas obrigações a nível da despesa». Para os países exportadores líquidos de petróleo, adianta o estudo do BM, «os preços mais altos corresponderam a aumentos significativos nos excedentes externos e orçamentais, mas também de reservas de moeda estrangeira». A Rússia, exemplificou Burns, é um dos casos em que as maiores receitas do petróleo permitiram «o pagamento antecipado ao Clube de Paris (dos países credores) de 15 mil milhões de dólares». As questões da audiência giraram em torno do impacto dos aumentos do petróleo sobre a economia e sobre a persistência deste optimismo para os menos desenvolvidos. Miguel Beleza, convidado para comentar o estudo do Banco Mundial, questionou os oradores sobre «o porquê da inflação não estar a reagir aos aumentos do petróleo». Para Andrew Burns, a resposta é simples: «por um lado, a credibilidade monetária aumentou, levando as pessoas a interiorizar que não é possível a especulação; em segundo, os salários foram indexados provocando uma maior estabilidade nos preços e, finalmente, a intensidade do petróleo diminuiu, pois o sector dos serviços tem aumentado a sua proporção no PIB». Remessas de emigrantes duplicaram em cinco anos À semelhança do que aconteceu em Portugal nos anos 70 e 80, muito do financiamento dos países em desenvolvimento resulta das remessas de emigrantes. Nalguns casos, avança o estudo do BM, «é a maior fonte de financiamento externa». A nível mundial, as quantias enviadas pelos trabalhadores expatriados para os respectivos países totalizaram, em 2005, 233 mil milhões de dólares. Contudo, a maior fatia foi recebida pelos países mais pobres, que receberam 167 mil milhões. Nos últimos cinco anos, avança o estudo, «o fluxo de remessas duplicou». O maior controlo das transacções financeiras após o 11 de Setembro, a maior concorrência nessa indústria, que provocou a descida de custos, ou o recente aumento nos preços do petróleo, que intensificou as remessas dos países exportadores de hidrocarbonetos, são algumas das razões apontadas.