Início Notícias Tendências

Ideias para 2021 – Criança

A realidade em 2019 abre as portas para o horizonte do que deverá ser o mercado de vestuário de criança em 2021. Da sustentabilidade à inclusividade, os temas ligados a causas serão os mais relevantes para as marcas deste segmento, numa geração que tem, mais do que nunca, preocupações com o planeta.

À semelhança do que acontece com os têxteis, a sustentabilidade vai, segundo o WGSN, continuar a marcar o mercado de vestuário infantil em 2021, com marcas e designers a tentarem combater a sobreprodução com uma abordagem mais simples ao design e à produção.

Passa ao próximo

Numa altura em que os consumidores estão mais preocupados com o desperdício e a adotar uma atitude “menos é mais”, as vendas de vestuário em segunda mão serão mais importantes no vestuário infantil, especialmente porque as roupas deixam rapidamente de servir às crianças.

Mini Rodini

A sustentabilidade vai também impulsionar este movimento e aumentar a fidelização dos consumidores, à medida que as marcas começam a investir na reciclagem e reparação de peças de roupa. Exemplo disso foi a parceria entre a Hasbro e a Terracycle num novo programa em que brinquedos que já não são usados são separados por composição e processados para se transformarem novamente em matérias-primas. Estes materiais são então reutilizados para fabricar novos produtos, criando uma abordagem mais circular a artigos licenciados.

Para além de dar uma segunda vida aos artigos, reparar e voltar a vender produtos direcionados para criança pode também criar oportunidades para as marcas ganharem uma nova base de consumidores, que normalmente não poderiam comprar a marca aos preços habituais. Por exemplo, a marca sueca Mini Rodini e a britânica William and the Wolf oferecem descontos aos clientes que tragam roupa usada, que é depois reparada e vendida a um preço mais baixo.

Caixas de subscrição sazonais irão continuar a ser populares no segmento infantil, com uma mudança para o modelo à consignação. É nesta área, advoga o WGSN, «que a economia circular funciona extremamente bem, já que as crianças podem usar as peças, estas deixarem de lhes servir e serem devolvidas, tudo através da mesma empresa». A loja Kids on 45th, em Seattle, funciona à consignação e iniciou recentemente um serviço de subscrição. É a opção mais barata para o consumidor e uma forma da empresa ganhar novos clientes através de uma plataforma online.

Colaborações com consciência

As colaborações tornaram-se um lugar comum na moda, com os consumidores a pesquisarem nas redes sociais em busca do próximo produto de sucesso, mas a cultura das parcerias vai ser atualizada com ética, acredita o WGSN. Em 2021, vai haver um direcionamento das parcerias focadas em fazer o bem. Estar alinhado com uma causa e não apenas centrado no mais recente lançamento vai ser cada vez mais importante.

Educar os consumidores em questões relacionadas com a sustentabilidade será fundamental e as marcas terão de tomar medidas decisivas para serem pioneiras nesta área, antes de novas leis as obrigarem a isso.

Personagens como o SpongeBob e marcas reconhecidas como a National Geographic estão a empenhar-se em chamar a atenção para os resíduos de plástico e são um exemplo de como se alinhar com sucesso com uma causa.

 

H&M x World Wild Fund

A National Geographic lançou uma iniciativa de vários anos para reduzir significativamente a quantidade de plástico nos oceanos, juntando-se à The North Face e a outros parceiros para educar, encorajar ações e apoiar produtos tanto para crianças como para adultos.

O SpongeBob fez uma parceria com a Waste2Wear para desenvolver produtos licenciados feitos a partir de materiais sustentáveis, com foco em plástico reciclado. Faz parte de um plano de vários anos da Nickelodeon para desenvolver merchandise licenciado de matérias-primas sustentáveis.

A grande maioria dos americanos (81%) gostaria que os produtores e retalhistas colocassem uma etiqueta com um “guia de reciclagem” nos produtos, de acordo com uma sondagem realizada pela Plastics Today. O estudo indica que os consumidores querem reciclar mas precisam de direções sobre como o fazer da forma melhor e mais fácil.

Para além dos plásticos e da reciclagem, explica o WGSN, é importante também pensar em como alinhar as iniciativas com as paixões das crianças. Por exemplo, a H&M estabeleceu uma parceria com o World Wildlife Fund para criar modelos estampados com ilustrações de espécies em risco. O World Wildlife Fund espera que a coleção aumente a consciência para o problema entre os mais novos.

Menos compras

Os millennials estão a comprar e a poupar menos, segundo com um estudo do TD Bank publicado em julho de 2018, que concluiu que 42% dos millennials estão a viver de salário em salário. Como resultado, os retalhistas terão de encontrar formas de mostrar o seu valor para estes consumidores e encorajá-los a comprar artigos de maior qualidade, com um tempo de vida maior, para os seus filhos.

Kin

Tal pode ser feito através de vestuário adaptável que incorpore materiais inovadores – terem, por exemplo, punhos que podem ser aumentados, detalhes que dão para pôr e tirar e comprimentos ajustáveis. A marca espanhola Little Creative Factory acredita em “slow fashion” sustentável, produzindo peças adaptáveis que crescem com as crianças. Os modelos que oferece podem ser usados durante mais tempo e, embora sejam mais caras inicialmente, permitem gastar menos em artigos no futuro.

A Little Borne, por seu lado, desenha coleções sem estação com 100% matérias-primas orgânicas e a opção de colocar os punhos para cima ou para baixo para que a peça de vestuário possa ser usada mais tempo. A roupa pode deixar de servir às crianças em apenas alguns meses, por isso elementos adaptáveis como estes têm um forte apelo para a compra.

Já Lindsay Lorusso, cofundadora da marca canadiana Nudnik, tem um passado ligado à indústria dos resíduos e está agora a usar esse conhecimento para criar uma linha de vestuário infantil. A marca firmou uma parceria com uma unidade produtiva estrangeira e usa resíduos do corte para produzir as peças.

A Kin, por seu lado, oferece vestuário de senhora e criança simples e inventivo, fabricado de forma sustentável e com mão de obra de elevada qualidade, incluindo materiais que cumprem o Global Organic Textiles Standard (GOTS). A marca também se centra em peças oversized, que permitem tempos de utilização mais prolongados.

Cada vez mais, consumidores e marcas vão abraçar a ideia de comprar melhor em vez de comprar mais, garante o WGSN.

Inclusividade obrigatória

A inclusividade no vestuário de criança tem vindo a crescer no último ano, com um surto de marcas neutras em termos de género, assim como novas coleções adaptáveis. A mensagem é clara – os consumidores estão a procurar cada vez mais um sortido diverso de produtos.

Em 2021, será importante abraçar a inclusividade não apenas através do design, mas também através de marketing inclusivo autêntico. “Gender-neutral” é um termo que alguns podem considerar provocador, por isso o WGSN aconselha a usar “inclusivo” em sua vez, com mensagens que encorajam as crianças a serem elas próprias, independentemente do género, raça ou necessidade especial.

River Island

As empresas britânicas têm, de alguma forma, liderado este movimento, com a abertura do espaço Agender no Selfridges em 2015. A M&S e a River Island também se deslocaram na direção da neutralidade de género, tornando o vestuário mais inclusivo ao rejeitarem estereótipos e promovendo a autoexpressão.

A Campanha #labelsareforclothes da River Island abraça a inclusividade ao respeitar e celebrar a diferença e usa frases que apelam a toda a gente. Com hashtags como #labelsareforclothes e #disabilitynotinability a emergirem na indústria da moda, o WGSN espera que uma mentalidade mais inclusiva ganhe dinamismo nos próximos anos.

No campo das licenças, há diversas oportunidades para introduzir personagens que encarnam a inclusividade. A nova série de desenhos animados Zafari CG é um exemplo, dando voz a uma questão importante como o bullying.

A Hollister também se está a alinhar por esta causa, juntando-se à app anti-bullying Sit With Us, e a Nickelodeon realizou uma campanha anti-bullying na Malásia batizada Together for Good.

Entre o online e o offline

De acordo com o grupo imobiliário CBRE, as vendas no retalho físico nos EUA aumentaram 3,4% em 2017 – a maior taxa de crescimento desde 2012 e um forte indicador de que os americanos continuam a ir às lojas. Os dados dos censos mais recentes no país mostram que as vendas de comércio eletrónico no segundo trimestre de 2018 representaram 9,6% nas vendas totais e 90% de todas as compras no retalho nos EUA foram efetuadas em lojas físicas no último trimestre de 2017. Tanto o online como o offline estão a crescer, por isso é importante para as marcas estarem representadas em ambos os canais.

Smallable

A Amazon já percebeu isso e está a integrar novas tecnologias na loja, enquanto as lojas de vestuário de criança que começaram no digital começam agora a dar passos com lojas físicas para complementarem o seu comércio eletrónico.

A Smallable lidera esta área. Encetou pela distribuição de vestuário infantil no canal online e possui agora duas lojas físicas em Paris e uma pop-up no grande armazém Isetan, em Tóquio. «Trata-se de uma forma inteligente de atrair novos consumidores que podiam não estar conscientes da presença online», considera o WGSN.

Em Nova Iorque, a Little Giants Giant Shorties começou como um site de comércio eletrónico com ênfase em streetwear e sportswear para criança. Atualmente, tem uma loja física em Brooklyn, algo que o proprietário Ivan Rivera sempre quis, uma vez que a maior parte das marcas de streetwear possuem espaços físicos.

É importante, contudo, integrar as lojas online com as redes sociais, nomeadamente o Instagram, para aumentar o envolvimento dos consumidores e impulsionar as vendas nos diferentes canais. A Patchy Tiger desenvolveu uma forte presença no Instagram com casacos personalizados para toda a família e a Tea Collection tem igualmente visuais coordenados.

«Em 2021, será cada vez mais importante ter uma presença online e offline igualmente envolvente. As lojas pop-up podem ser uma ótima forma de criar buzz para a marca e testar as águas antes de investir numa loja física. Agora pode ser a melhor altura para [a marca] se preparar para o salto», resume o WGSN.