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Impermeável ganha sustentabilidade

Os PFCs que nos mantêm secos são também potencialmente perigosos para o ambiente e para a saúde. A Columbia Sportswear desenvolveu uma nova estrutura, que está a patentear, para deixar de usar estes compostos químicos, mas sem perder características como impermeabilidade e respirabilidade.

Nas últimas décadas, o tipo de vestuário de performance para a chuva que se podia comprar em lojas de outdoor tinha algo em comum: incorporar compostos perflurados (PFCs), a mesma categoria de compostos químicos que torna antiaderentes as panelas com Teflon. O revestimento faz com que a água forme gotas e deslize. Mas tal como as panelas antiaderentes, os PFCs nos casacos impermeáveis colocam potenciais riscos para a saúde e o ambiente.

Agora, um casaco para a chuva redesenhado pela Columbia Sportswear elimina por completo os PFCs. O casaco tem a mesma capacidade de repelir água que as versões convencionais dos casacos à prova de água e respiráveis, mas não tem os mesmos químicos potencialmente perigosos.

«É possível conceber um casaco sem PFCs, com poliamida ou poliéster ou com o que se quiser – mas vai ter muita absorção de água no têxtil», afirma Woody Blackford, vice-presidente de design e inovação na Columbia Sportswear. «Estes [casacos] realmente funcionam ao nível mais elevado da indústria em termos de performance no terreno». Os antigos casacos de chuva, feitos de borracha, também não usavam PFCs, mas não eram respiráveis e confortáveis ao uso. Outros usavam PVC, que levanta outro tipo de questões.

A ideia para o casaco da Columbia começou quando a empresa tentou resolver outro problema – o vestuário de chuva normal tende a deixar de ser eficiente, uma vez que, ao longo do tempo, o revestimento sai. «Quando é colocado num têxtil, se este é novo, vai criar gotas e impedir que absorva água», explica Blackford. «Mas, infelizmente, o PFC é muito como o Teflon – embora nada cole ao Teflon, também não gosta de se manter colado», acrescenta.

Um casaco típico de chuva tem uma camada de tecido por fora, revestido com um acabamento repelente à água, e uma membrana com pequenos furos (para respirabilidade) do lado de dentro. À medida que o revestimento sai, o casaco começa a ficar molhado com chuva. Ao colocar a membrana no exterior – e sem o tecido – a empresa foi capaz de fafabricarzer um casaco que estruturalmente tem menos probabilidade de ficar molhado.

«Isso realmente pôs-nos no caminho de obter uma versão sem PFC», refere o vice-presidente de design e inovação. «Por isso, com algumas alterações químicas conseguimos isso agora… É basicamente uma folha à prova de água que consegue respirar». O casaco usa um composto amigo do ambiente, para o qual a empresa já pediu o registo de patente, para repelir água.

A Columbia Sportswear analisou todos os aspetos do casaco – da produção até ao que acontece quando chega ao fim da vida útil – e tentou desenvolver uma peça o mais sustentável possível. Não foi sujeita a tingimento, eliminando a água e a energia usada nesse processo. O forro em tecido, juntamente com os fechos e outros acessórios, é obtido a partir de garrafas de água de plástico recicladas.

Embora o impacto dos PFCs no ambiente e na saúde não esteja ainda completamente determinado, estudos em animais mostraram que pode interromper a atividade endócrina, afetar os órgãos internos e causar problemas de desenvolvimento. No ambiente, os compostos não se quebram. Com efeito, são tão comuns que a Columbia não consegue garantir que não haja vestígios no casaco – não propositadamente, mas porque podem estar em qualquer sítio. «Sabemos que não é bom para o ambiente ficar carregado com um químico que realmente não se quebra e não é reversível», admite Woody Blackford.

A empresa espera agora escalar o processo para outros produtos na sua linha. «Tínhamos limitações sobre o que conseguiríamos fazer na primeira estação», confessa. «Muitas vezes, com qualquer nova tecnologia, é esse o caso. Mas basicamente não temos razão para não querermos expandir nesta plataforma», conclui.