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Impetus apresenta pijama contra insónias

Desenvolvido em parceria com a Fibrenamics e a Tecminho, da Universidade do Minho, o ProtechSleep junta tecnologias de termorregulação, gestão de humidade, compressão direcionada, libertação de substâncias ativas e micromassagens para um sono de qualidade.

O projeto foi apresentado hoje, 16 de dezembro, e conta já com modelos demonstradores que foram testados em contexto real, embora ainda por um pequeno grupo de pessoas. «Devido à pandemia, ficamos um pouco limitados à aplicação no número de pessoas que gostaríamos de ter. Ficou, por isso, adiado para o início do próximo ano [um estudo maior], para termos condições para um grupo bastante alargado, monitorizado, a utilizar os nossos modelos demonstradores», revelou Juliana Cruz, diretora de desenvolvimento de produto na Impetus.

Até para ter mais argumentos de venda, quando o produto chegar ao mercado – previsivelmente no segundo semestre de 2021. «É preciso transformar isto [o projeto de investigação e as tecnologias] em linhas de produto e desenvolver toda a comunicação ligada ao mesmo. Temos como expectativa o segundo semestre de 2021», anunciou Juliana Cruz, embora ressalvando que tudo irá depender da evolução da conjuntura atual.

O  ProtechSleep é resultado de dois anos de investigação – tinha já sido anunciado ao Portugal Têxtil por Alberto Figueiredo, presidente do grupo, em 2018 – e teve como objetivo «desenvolver uma linha de vestuário multifuncional para o tratamento ou prevenção de distúrbios de sono para utilizadores com ou sem distúrbios de sono que pretendam melhorar a qualidade e/ou quantidade de sono, através da manipulação de diferentes parâmetros, como a gestão de humidade, integrando tecnologias de compressão direcionada e micromassagens, bem como a libertação de substâncias ativas, isto tudo através do desenvolvimento de têxteis técnicos», explicou Cristina Silva, project manager na Fibrenamics.

Alberto Figueiredo

Esses têxteis técnicos foram desenvolvidos com base em cinco abordagens, nomeadamente no âmbito da termorregulação, para promover o conforto térmico; gestão de humidade, para o conforto fisiológico e controlo de perdas de calor por evaporação; compressão direcionada e graduada e incorporação de estruturas para micromassagens para a manutenção do relaxamento e recuperação muscular; e a estimulação neurológica através da libertação de substâncias ativas – no caso, com recurso a óleos essenciais. «Além da libertação de aroma, que tem já comprovado o seu efeito positivo na promoção da qualidade do sono, achamos que seria também interessante integrar a cromoterapia, pela introdução das cores pastel para influenciar um relaxamento mental», indicou Cristina Silva.

Depois de avaliadas as diferentes soluções, foram criados três modelos demonstradores com diferentes composições, incluindo algodão orgânico e misturas de lã com fibras sintéticas e naturais.

Eco-inovação como estratégia

As tecnologias desenvolvidas no projeto podem ainda ser usadas noutros contextos. «Do ponto de vista de industrialização e desenvolvimento do produto, claramente todas as tecnologias desenvolvidas no ProtechSleep podem ser aplicadas em inúmeros novos desenvolvimentos», sublinhou Juliana Cruz, dando como exemplo a possibilidade de utilização de aromaterapia ou da compressão graduada em artigos de desporto. Cristina Silva destacou ainda que «a mesma tecnologia utilizada para a libertação controlada de agentes ativos pode ser aplicada com outro tipo de agentes, não só óleos essenciais, e noutros sectores».

O ProtechSleep é apenas mais um dos produtos inovadores da Impetus, que há mais de uma década tem procurado colocar no mercado artigos diferenciadores, funcionais e sustentáveis, baseados no conceito de eco-inovação, apontou a diretora de desenvolvimento de produto na Impetus. «A grande estratégia de inovação que a Impetus tem atualmente, e que se vai prolongar no próximo ano, está ligada a uma simbiose entre a inovação e a sustentabilidade», referiu, que passará por «desenvolver novos produtos, novos processos, novos elementos que façam diferença em termos de utilização ou de produção, mas que realmente estejam ligados diretamente à sustentabilidade», acrescentou.

Ricardo Figueiredo

No passado, a empresa desenvolveu o ProtechDry, para perdas moderadas de urina e com versões para homem e senhora, o ProtechFlow, um produto reutilizável para utilização durante o ciclo menstrual, o Voyager, que usa poliamida reciclada a partir de plástico recolhido no oceano, como redes de pesca, e o Innovation, que se traduz em roupa interior com tecnologia Outlast para gestão térmica do corpo.

O grupo Impetus, que emprega cerca de 800 pessoas, trabalha em private label e para as marcas próprias Impetus, I AM e ProtechDry, detendo ainda a licença Eden Park. Segundo avançou o administrador Ricardo Figueiredo na entrevista ao Jornal Têxtil de novembro, a empresa está a estudar novos investimentos e, apesar de ter conseguido recuperar do impacto do confinamento na primeira vaga de Covid-19, espera «fechar o ano com uma quebra de 10% a 15%, com um volume de negócios superior a 30 milhões de euros ao nível da Impetus individualmente. Por sua vez, o grupo ficará na ordem dos 50 milhões».