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Impetus peleja pela sustentabilidade

Algodão carbono positivo, um fio fabricado a partir da reciclagem dos seus resíduos, rastreabilidade das fibras e investimentos em energia mais limpa são algumas das iniciativas que reforçam o plano estratégico de sustentabilidade delineado pela Impetus para melhorar as suas credenciais ambientais.

Ricardo Figueiredo

«Desde a sua fundação que a Impetus aposta na sustentabilidade, tanto ao nível ambiental como social. Os nossos processos de produção e produtos são estudados de forma a reduzirem ao mínimo a nossa pegada ecológica», garante Ricardo Figueiredo, administrador do grupo.

Uma preocupação que se traduz nos dias de hoje por um plano estratégico de sustentabilidade, assente em quatro pilares – utilização de materiais sustentáveis, maior poupança e reaproveitamento da energia, a circularidade na indústria e a transparência de todo o processo produtivo –, que foi recentemente reforçado com novas iniciativas.

Vida nova ao desperdício

É o caso do fio reciclado E*Retrace, resultado de uma parceria com uma fiação europeia, que usa o desperdício têxtil do processo produtivo da Impetus. Os resíduos passam por um sistema de triagem que separa os desperdícios, que são depois triturados e transformados em novos fios. Esses fios são então reintegrados na produção de malha da empresa e incorporados em produtos finais para o consumidor.

O objetivo, refere a empresa em comunicado, «é contribuir para a economia circular e para o movimento zero waste, garantindo uma maior transparência e autenticidade em todo o processo produtivo. Os restantes desperdícios que não são reaproveitados neste processo são encaminhados para reaproveitamento noutros sectores de atividade».

A empresa usa ainda outros fios reciclados, produzidos a partir de desperdícios pós-consumo ou resíduos industriais misturados com fibras virgens, que permitem reduzir a quantidade de água necessária e as emissões de dióxido de carbono resultantes do processo produtivo convencional.

Algodão “mais ético da Terra”

A Impetus está igualmente a incorporar nas suas produções o Good Earth Cotton (GEC), um fio 100% algodão carbono positivo. Este algodão, que se apresenta no respetivo website como sendo «o algodão mais ético da Terra», é produzido na Austrália com recurso a técnicas de cultivo inovadoras e num solo rico e fértil capaz de sequestrar carbono, permitindo, dessa forma, gerar uma fibra carbono positiva.

«O algodão GEC é carbono positivo porque a nossa produção agrícola sustentável e ecológica garante que mais carbono é retido no solo e que menos é libertado a partir de outras fontes. Representa assim um reservatório gigante que é uma solução sustentável a longo prazo para o aquecimento global», aponta a Good Earth Cotton.

O Good Earth Cotton permite ainda uma grande poupança de recursos, uma vez que tem uma elevada produtividade por hectare. No exemplo referido no website, uns jeans produzidos com algodão Good Earth Cotton representam um consumo de 2.271 litros de água, um valor que sobe para 8.000 litros quando usado algodão americano e 22.500 litros com algodão indiano, sendo a média mundial de 10 mil litros.

«Fomos das primeiras empresas a nível mundial a utilizar o Good Earth Cotton e temos por objetivo passar a utilizar este algodão na maioria das nossas produções», revela Ricardo Figueiredo.

Rastreabilidade a toda a prova

Tanto o fio com algodão GEC como os fios E*Retrace têm incorporada a tecnologia FibreTrace, que embebe pigmentos luminescentes, para já apenas em fibras de algodão, viscose e poliéster reciclado, que podem ser lidos ao longo de toda a cadeia produtiva até chegarem ao consumidor, assegurando a rastreabilidade dos produtos. «Isto garante que cada membro da cadeia de abastecimento têxtil tenha a capacidade de assumir responsabilidade direta para reduzir o impacto ambiental da indústria global, permitindo ao consumidor final conhecer todo o percurso e impacto ambiental da sua peça de vestuário», salienta o comunicado da Impetus.

A empresa instalou também a tecnologia da Smartex para reduzir o desperdício na produção de malha, tem sistemas de tratamento de água, monitorização e controlo de emissões gasosas, utiliza biomassa para produzir vapor e água quente nas suas instalações e, desde 2013, tem painéis fotovoltaicos em grande parte da área industrial para venda de energia, um investimento que foi reforçado recentemente para permitir igualmente a utilização em autoconsumo, até porque tem 80% da sua frota composta por veículos elétricos e híbridos plug-in.

A Impetus, que emprega cerca de 900 pessoas, não quer, contudo, ficar por aqui e está a trabalhar «em vários outros projetos que partilham a visão comum de que um futuro mais ecológico é um futuro melhor, continuando a caminhar para uma jornada sustentável e diminuição a nossa pegada ecológica», resume.